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  • Nileide Vieira
  • Nathália Sartorato/Gazeta do Paraná

18 Maio 2014 | 08h52min

O mendigo é a expressão real de tudo aquilo que ninguém deseja ser na vida: alguém sem uma casa para morar, que vive da esmola alheia, que encontra sua comida na lata do lixo ou, muitas vezes, se alimenta apenas de drogas e álcool. Alguém que não é amado, não tem uma família, não tem ninguém. Quando cruzamos com um mendigo na rua, instintivamente o ignoramos, não damos trela para as conversas dele, fugimos... Mas, o que será que um mendigo nos diria, se déssemos a ele a chance de falar?

Desde 2009, o ator e pastor João Luiz Gimenes Reis é conhecido em sete estados brasileiros como o Pastor Mendigo.

“Tudo começou quando eu escrevi o monólogo ‘Aki mora ninguém’, que era a história de um bêbado, mendigo e morador de rua que tinha como único amigo um cãozinho, que se chamava ‘Coisa Nenhuma’. Eu comecei a levar este trabalho para as faculdades e teatros e comecei a perceber que quando acabava o espetáculo, alguns professores me paravam e falavam ‘Oh João Reis, por que você não traz esse trabalho para as escolas? Seria de grande valia já que fala sobre maus tratos, bebida, drogas e sonhos’”, narra.

Foi neste momento que ele entendeu que seu monólogo era mais do que uma mera peça de teatro artística e tinha um caráter social e transformador.

Em suas apresentações, que nunca são anunciadas e sempre pegam os espectadores de surpresa, João é um bêbado, mendigo e morador de rua que foi abandonado com dois anos de idade em uma praça por sua mãe, que era viciada em drogas.

“Ali ele foi crescendo e aprendendo tudo o que não presta: roubou, foi preso, apanhou, cheirou... Fez tudo o que não devia porque nunca teve uma oportunidade, nunca foi a uma escola, nunca ninguém estendeu a mão pra ele. E ele vai contando a trajetória derrotada da vida dele. E ali, naquela praça onde ele mora e fez amizade com seu cãozinho, ele encontrou outros mendigos e cada um tinha uma história. Na realidade, quando eu escrevi esse monólogo eu quis mostrar para a sociedade que nem todo bêbado, mendigo, morador de rua está ali porque ele quer. Cada um tem uma história e uma história mais triste que a outra. Mas, mesmo com todos os problemas que esse pobre e infeliz personagem tem, ele tem um coração bom e ele se preocupa com aquele jovem e aquela menina que muitas vezes senta no mesmo banco da praça onde ele mora para iniciar sua vida nas drogas. Começa com um cigarrinho ou um golinho de álcool. E o mendigo tenta alertar! Ele chega e fala ‘para com isso! Eu nunca tive oportunidade, nunca ninguém estendeu as mãos pra mim, mas você está com roupa de colégio... O que você está fazendo aqui? Está jogando seu sonho ali na lata do lixo? Eu faria qualquer coisa para estar no seu lugar’. Então, ele vai falando aquilo e pede para aquele menino ou aquela menina voltarem para a escola. E eles dizem pra ele ‘sai pra lá, mendigo fedorento!’. E ele diz ‘mas quem é que vai ouvir um mendigo? Ninguém! Porque hoje tudo pode. Não existe mais limite para as coisas’. Eu vou colocando neles uma responsabilidade que eles já não têm mais, porque hoje tudo pode e eles sempre acham que ‘não vai dar nada’. Não existe o ‘não vai dar nada’, tudo tem uma consequência”, garante o ator.

Basta olhar para a reação da jovem plateia que o assiste para perceber o quanto o trabalho e a atuação dele são chocantes. Durante a encenação, o mendigo come na lata do lixo, grita, chora, dá gargalhadas. Vai de um extremo ao outro do humor em poucos segundos, tudo para prender a atenção daquele adolescente que até alguns minutos atrás não queria nem saber dos conselhos do mendigo.

“Você já viu você colocar 100 ou 200 alunos para ver um monólogo e eles ficarem vidrados, sem piscar? Eles ficam quietinhos, tem alguns que choram... Porque o monólogo vai do drama à comédia muito rápido. O mendigo de vez em quando brinca com a situação dele também. Então, está sendo um grande privilégio fazer este trabalho nas escolas, para resgatar os jovens ou pelo menos dar oportunidade de eles reverem aquilo que os próprios pais e professores já dizem, mas de uma forma mais dura porque envolve um personagem, um mendigo. E na verdade eu estou dizendo ‘a sua escolha vai determinar seu fim, meu amigo’. Aí eu coloco as drogas como um paralisador de sonhos. As drogas vêm para matar, roubar e destruir. Esse é o conceito que eu passo”, conta.

Pouca gente sabe, mas o Pastor Mendigo é um carioca da gema de 54 anos que há sete anos mora em Cascavel e, apesar disto, nunca encontrou aqui nenhum apoio para levar o seu trabalho às escolas municipais.

“Em Cascavel, a situação é muito triste com relação a isso. Hoje eu sou conhecido em sete estados e sou muito bem recebido pelas prefeituras, inclusive aqui no Oeste do Paraná mesmo, mas aqui em minha própria casa, onde eu escolhi morar, nada. Aqui eu acreditei que alguma coisa pudesse acontecer e por isso eu ainda insisto. Já deixei um projeto nas mãos do secretário de educação do município e não recebi nenhuma resposta, na Secretaria Antidrogas também nunca se preocuparam. Às vezes eu fico pensando que estou engolindo mosca. Eu poderia estar com o meu trabalho muito mais consolidado se eu tivesse parado de fazer apresentações nas escolas. Mas eu entendo que esse trabalho é muito mais do que um trabalho artístico. Eu estou fazendo a parte social também, estou podendo plantar uma semente, porque além de ator profissional eu também sou pastor missionário”.

Não dá mais para desperdiçarmos boas ideias como esta. Imaginem quantas crianças e adolescentes podem se afastar de vez das drogas ao ver de perto a situação do mendigo, um verdadeiro reflexo de decisões erradas tomadas na adolescência. O futuro de muitos jovens poderá ser semelhante ao do mendigo se continuarmos não nos importando e fingindo que está tudo bem. É claro que não cabe a nós, cidadãos, tomarmos esta decisão. Mas aqueles que elegemos para comandar a nossa cidade estão aí justamente para isso. Ou, ao menos, deveriam. Para fazer contato com o João Reis, o telefone é (45) 9941-9140 ou o número (45) 3097-0064 da Jroc Produções Artísticas, empresa criada por ele para dar continuidade a este trabalho.

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