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  • Maycon Corazza
  • Gazeta do Paraná/Matheus Bez Batti

13 Agosto 2017 | 09h33min

“Pais e filhos” de Renato Russo, “Pai herói” de Fabio Jr, “Naquela mesa” de Nelson Gonçalves, “O mundo é bão Sebastião” de Nando Reis, “With arms wide open”, do Creed, “My little girl” do Jack Johnson “Flowers for Zoe” do Lenny Kravitz... E por aí vai. São incontáveis as canções que eternizaram o amor de pais para filhos, ou vice versa, em composições.

Ainda que longe das partituras, alguns pais conseguem fazer da música um meio de manifestar o amor aos seus filhos, mesmo que eles não percebam. A canção que ele cantarolava para você dormir, a faixa do álbum que repetia a viagem inteira no carro, um disco jogado no escritório com alguma dedicatória carinhosa na capa, alguma dessas memórias encaixa nas lembranças de pais e filhos, afinal, apesar de não ser biológico, gosto musical é hereditário!

Juliana Marques lembra que a música está presente em boas lembranças da família “Nossa família sempre foi bem eclética, mas uma memória boa que eu tenho é a de que toda vez que nós estávamos no carro, meu pai dizia que todo mundo deveria aprender a cantar American Pie, do Don Mclean, para cantar na viajem. É uma música bem extensa e foi a primeira música que eu aprendi a cantar na integra em inglês. Ele nunca aprendeu mas é confortante quando eu a escuto”.

Para outros, tal qual uma canção, a música ajudou a compor a própria história. Francine Franco conta que o samba fez sua mãe se apaixonar por um músico amador “Meus pais se conheceram enquanto ele tirava a música "Madalena" no cavaquinho. Deu samba. A partir disso, minhas lembranças mais antigas são as músicas que ele tocou pra mim. Cartola, Benito de Paula, Jorge Aragão. Comecei acompanhá-lo na cantoria pra valer quando aprendi a ler. Ele imprimia as letras de samba de raiz pra mim e ensaiávamos. Minha mãe era a plateia”. 

Assim, José Wanderley deixou de só aprender música, passou a ensiná-la para uma fã atenta “Sempre vi meu pai como um ser naturalmente musical. Sei que a música estreitou nossa relação. Hoje, sigo gostando de samba e considerando ele o melhor artista-amador do mundo”.

Esses homens que dividem seu tempo entre o ofício de músico amador e a paternidade sempre rendem boas histórias, Fernanda dos Santos lembra de uma sobre o pai Athos, e o seu violão: “Desde pequena, eu lembro que meu pai tinha um violão, que ele mantinha guardado justamente para que a gente não destruísse! Mesmo assim, eu e minha irmã sempre dávamos um jeito de pegá-lo no guarda-roupa, aí mexíamos nas tarraxas, porque achávamos que tinham que ficar todas retinhas e desafinava tudo”. O amor pelo violão acabou passando de pai para filha. “Me lembro de quando eu era pequena e ele tocava pra gente. Ele acabou me incentivando a fazer aulas e aprender mais, depois até fez algumas aulas comigo. Mas ele sempre me influencio”

Ana Flávia Fritzen teve na música um porto-seguro para os momentos bons e ruins. Desde muito pequena, aprendeu os acordes do piano que a acompanha até hoje. Mal sabia ela, que sua afinação encantaria Celso Barros, que apesar de padrasto, tornou-se um pai de coração. Ele lembra que assistiu Ana no piano, logo na primeira vez que a viu. “Conheci Ana aos 8 anos. E ela acabou tocando a Marcha Nupcial!” lembra ele com bom humor e ela explica “Convenci ele e minha mãe a me levarem pra livraria do shopping, eles estavam procurando livros e eu, entediada pois já tinha achado os meus, vi o piano e decidi tocar. Já que era essa a única música que eu lembrava, foi essa que eu toquei mesmo. Lembro até hoje do Celso perguntando "Cadê as câmeras? Eu estou numa pegadinha, só pode ser!”".

Desde então, Celso tem sido companhia da enteada/filha, ainda adolescente, nos shows que ela gosta de ir “Meu primeiro show foi o do Luan Santana! Ainda dou risada quando lembro disso, porque eu ficava desesperada, afinal tinha um monte de gente lá. O Celso também convenceu a mamãe a nos levar pro Festival Lollapalooza. A gente acordava muito cedo pra não ter que pegar fila e lá a gente pode ouvir de tudo. Desde Pharrel Williams e Bastile até Pitty e The Smashing Pumpkins”.

Edegar Junior, fala com ternura as lições que Edegar, o pai, sempre ensina. “Meu pai é gaúcho, então o que ele ouve, e que me marca, são as músicas tradicionalistas do Rio Grande do Sul. Porém ele é um cara que ouve de tudo e acredito que essa é a maior influência que ele me passou: saber escutar de tudo e aproveitar o que cada música tem a oferecer”.

A lição de Edegar fez com que a admiração do filho pela música fosse além dos fones de ouvido, Edegar Junior formou-se em música, sempre com os ouvidos atentos “Quando eu era menino tinha aquela coisa do rock, de ser meio anarquista e achar que outras músicas não prestam, mas quando eu comecei a estudar música de verdade e abrir mais os olhos e ouvidos, percebi o quanto é importante você saber escutar e entender a música. Compreender elas mais como movimentos socioculturais do que estilo e como ela influência as pessoas, A música tradicional era um meio que meu pai tem de lembrar os tempos de baile, que ele saia com os irmãos, ia dançar, e tu passa a aprender que música é muito mais que um ritmo, entende que ela funciona como uma busca. Ele me ensinou isso, que você deve ouvir e escolher, mas sempre respeitar”.

O texto é de Matheus Bez Batti, da Gazeta do Paraná.

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