• Ricardo Oliveira
  • UOL

12 Agosto 2017 | 21h50min

Condenado na Lava Jato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se comparou neste sábado (12) a Tiradentes, líder da Inconfidência Mineira, que ele classificou como "primeiro herói nacional". O petista reafirmou sua inocência e pediu que não o condenem pelo o que ele não é.

"O engano deles é achar que existe um ser humano insubstituível. Em 1792, neste país, mataram um homem que tinha apelido de Tiradentes, que achava caro os impostos e queria a independência. Mataram, esquartejaram e salgaram a terra que ele vivia para ninguém mais pensar em independência. Mas 30 anos depois aconteceu a Independência. Veja o destino da humanidade. Em 1889, derrubaram dom Pedro 2º e fizeram a República. Aí pegaram Tiradentes, que eles mataram, para ser herói do país", disse Lula em evento da CUT no Rio.

Na sequência, o ex-presidente pediu que o condenem pelo que fez, e não por "roubo".

"Qual mal que causamos ao país? Quer me condenar pelos jovens que foram para a universidade? Me condenem! Que a classe média baixa começou a viajar de avião, colocar sofá, geladeira nova? Me condenem! Que coloquei mais dinheiro no Rio? Me condenem! Mas não podem me condenar pelo que eu não sou", declarou.

Lula, pré-candidato e líder nas pesquisas de 2018, foi condenado em primeira instância no mês passado pelo juiz Sergio Moro pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela acusação de ter sido beneficiado com um tríplex em um condomínio em Guarujá (SP).

Já Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido na história do Brasil como Tiradentes, por ter sido dentista amador, foi um dos líderes da chamada Inconfidência Mineira, ocorrida no século 18 e considerada um dos principais movimentos que pretendia separar o Brasil-Colônia da metrópole portuguesa. Pelo envolvimento na insurreição, Tiradentes recebeu pena de morte. Foi decapitado, degolado e esquartejado em 21 de abril de 1792.

A plenária da CUT foi realizada em Madureira, na zona norte do Rio, na quadra do Império Serrano --escola de samba historicamente de esquerda, fundada por sindicalistas em 1947. Participam do ato centenas de pessoas, entre sindicalistas, militantes e moradores da região, que gritaram o nome dele como presidenciável em 2018.

Lula fez um discurso de cerca de meia hora em que criticou as reformas do governo Michel Temer (PMDB) e repetiu a intenção de regular a imprensa se for eleito. Muito assediado, tirou fotos e assinou camisetas.

Ovacionado desde a chegada à quadra, Lula afirmou que vai brigar para ser candidato à Presidência em 2018. "Vou brigar para ser candidato neste país. E se conseguir, este país vai voltar a sorrir, ter a Petrobras, a indústria, empregos (...). Quero voltar porque quero provar que esse país pode ser infinitamente melhor quando é o povo que dá a decisão", disse.

Lula afirmou no discurso inflamado que já provou sua inocência, lembrou que prestará novo depoimento no próximo dia 13 de setembro e alfinetou o Moro.

"Não estou acima da lei, mas nenhum juiz está. A Lava Jato funciona como um partido político. Vocês não têm noção das perguntas que eles fazem. A impressão é que é por obrigação. Não colocam no inquérito. Já provei minha inocência. Quero que mostrem um papel para o povo brasileiro com R$ 1 que não seja meu. O dia que encontrarem eu virei aqui nessa quadra pedir desculpas para vocês", afirmou.

"Aprendi a andar de cabeça erguida com uma mãe analfabeta e não vou baixar a cabeça", afirmou Lula, que repetiu a promessa de pedir desculpas caso achem dinheiro de origem irregular me suas contas.

Sem TV nem jornais

Para tentar evitar o que chama de ataques contra ele, Lula diz que não vê mais televisão nem lê mais jornais.

"Não vejo mais TV e nem os jornais porque todo dia é uma desgraceira contra o Lula. Querem criar animosidade e que a sociedade esqueça que Lula existiu. Que um metalúrgico sem diploma pode fazer mais que muito doutor. Não tenho orgulho de não ter diploma, mas tenho diploma de conhecer o coração do povo", afirmou.

Estavam no palco com Lula o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e as deputadas federais Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Benedita da Silva (PT-RJ), entre outros políticos, além do coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile.

As informações são do UOL.

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