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  • Mariana Lioto
  • CGN

11 Agosto 2017 | 18h31min

Foi realizada hoje (11), na 1ª Vara Cível, a primeira audiência no caso que investiga o desvio de R$ 930 mil do Grupo Diplomata. Foram 215 autorizações para pagar 390 boletos de despesas que não eram da empresa, trazendo prejuízo a milhares de credores que aguardam para receber.

O principal suspeito dos desvios é Clemente Ferrari Júnior, que atuava como contador na empresa. Ele trabalhava no Grupo Diplomata há mais de dez anos e desde que a Gestão Judicial assumiu, em fevereiro de 2015, era o responsável pela contabilidade.

Uma investigação preliminar apurou que ele apresentava aos seus superiores e ao setor financeiro supostas dívidas de ICMS. Os boletos anexados no momento do pagamento, no entanto, pagavam dívidas da Indústria e Comércio de Biscoitos Tuttis Ltda com várias empresas. A descrição do boleto era alterada com dados como “Secretaria da Fazenda”, assim, o setor financeiro realizava os pagamentos usando o dinheiro da Diplomata. Os valores foram pagos entre 2015 e julho deste ano.

Antes da audiência de hoje, ele chegou a confessar em declaração escrita, afirmando que a empresa tinha salários “por fora” que não foram pagos no passado e que gerou os pagamentos para quitar dívidas próprias que se acumularam. Na audiência, no entanto, Ferrari respondeu a apenas uma pergunta: o ano de ingresso na empresa, que disse ser 2003. Ele se negou a responder qual era sua função, se outras pessoas tinham envolvimento na fraude, se declarou os recursos e se teve a ideia da ação sozinho.

A esposa de Clemente, Jucimara Nardi Ferrari, é a sócia-administradora da empresa de biscoitos. Ela também foi ouvida e disse que na prática toda a administração da empresa é de responsabilidade do marido com quem ela é casada há dez anos. Ela disse não saber sequer em que banco a empresa ou o marido têm contas e desconhecer a vida financeira do cônjuge. Ela afirma que confia plenamente nele, por isso deixava-o no comando da empresa que estava em seu nome. 

No momento que a mulher afirmou não saber em que banco o marido tinha conta, o representante do Ministério Público chegou a ficar alterado, afirmando não acreditar que isso é possível em um relacionamento tão longo e alertando-a que ela responderia criminalmente.  

Outra sócia

Levantou suspeita do juízo o fato de a empresa de biscoitos Tuttis ter como sócia Eloise Helena Rempel. A jovem é filha de Othmar Heleno Rempel, que trabalhava na Diplomata desde 2004, com cargo de alto escalão. Othmar deixou o grupo em junho, quando a gestão foi devolvida ao deputado federal Alfredo Kaefer e sua esposa, Clarice Roman.

Pai e filha também foram ouvidos e dizem que não tinham conhecimento dos ilícitos. Othmar contou que confiava plenamente em Clemente e que no ano passado surgiu a possibilidade de a filha ingressar como sócia na empresa de biscoitos, onde ela já trabalhava no escritório.

“Ele apresentou os dados da empresa e pensei que poderia ser uma boa oportunidade para ela, pareceu viável”.

A jovem disse que trabalha desde 2014, atendendo telefone, emitindo as notas fiscais e boletos ligadas à venda das mercadorias. Ela disse que não tem acesso à conta corrente, caixa e ordens de pagamento. Tudo seria feito por Clemente fora da empresa, então desconhecia que contas em nome da fábrica de biscoitos estavam sendo pagas com recursos da Diplomata.

Gestão judicial

O gestor que havia sido nomeado pelo juízo, Cesar Scherer, também prestou esclarecimentos. Ele já havia deixado o grupo quando a fraude foi descoberta mas estava à frente do negócio quando a maioria das irregularidades ocorreram.

Cesar disse que quando assumiu a empresa manteve os responsáveis pelo setor operacional, que tinham o conhecimento para dar sequência às atividades. Clemente, que antes cuidava apenas da área de custos foi promovido a contador responsável.

Scherer, juntamente com Othmar, chegou a assinar documentos autorizando parte dos pagamentos irregulares. Os documentos assinados não traziam a guia de recolhimento de impostos anexa.

“Jamais imaginei que ele poderia falsificar a questão de tributos. Não imaginava que tinha algo de errado”, disse.

Outros funcionários da empresa, ligados ao setor financeiro, também foram ouvidos para entender como é a dinâmica dos pagamentos. A funcionária que quitava as falsas dívidas de ICMS disse que nunca desconfiou de Ferrari nem do fato de os pagamentos serem feitos por boletos e não por guias, como é o comum com impostos. Ela destacou que Ferrari tinha posição de destaque na gestão e que ela nunca desconfiou que os pagamentos pudessem ser irregulares.

“Ele dizia que havia um crédito de imposto que a empresa iria receber, mas que para isso precisávamos regularizar estas outras guias”.

Os bens das empresas que receberam os recursos chegaram a ser bloqueados por ordem do juiz, mas, diante de solicitação, estão sendo liberados já que aparentemente as empresas não tinham conhecimento da origem do dinheiro.

O objetivo da apuração é determinar quem foram as pessoas envolvidas no desvio para responsabilizá-las, inclusive com a devolução dos valores.

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