• Mariana Lioto
  • CGN

04 Agosto 2017 | 18h57min

Ser proprietário de uma empresa não dá aos sócios o direto de desviar recursos em benefício próprio. Além disso, é dever dos proprietários administrar bem os recursos, fazer uma contabilidade correta e com informações verdadeiras.

Segundo relato que integra a decisão publicada hoje (4), que afastou o deputado federal Alfredo Kaefer da gestão do Grupo Diplomata, irregularidades aconteceram também na empresa Super Dip, uma rede de supermercados que quebrou agravando a crise do Grupo Diplomata.

Alfredo Kaefer e seu filho Frederico Augusto Ceccato Kaefer ingressaram na sociedade em 2007 e em 2008 as cotas de Kaefer foram repassadas para a Diplomata.

Em ação trabalhista, Edson Redolfi, um ex-dirigente do alto escalão do grupo Diplomata passou detalhes de como os recursos da empresa eram sugados pela família Kaefer.

Segundo ele, “eram feitas retiradas de valores do caixa da empresa em dinheiro, a mando dos Srs.Alfredo Kaefer, Frederico Kaefer, Clarice Roman e Othmar Heleno Rempel. Essas retiradas aconteciam diversas vezes durante o mês (umas 5 a 6 vezes), em valores que variavam de R$ 60 a 80 mil em cada vez;

O relato é que essas retiradas eram efetuadas mediante autorização assinada e que entregava esses valores em moeda corrente sem nunca ter pego recibo. Aliás, era proibido pela Direção de documentar, falar ao telefone, trocar e-mail ou usar qualquer forma de informação que pudesse identificar essas saídas de caixa.

A rede de supermercados chegou a ter 13 lojas, mas havia dificuldade para pagar os fornecedores. A perícia apurou que já em 2010 havia um déficit financeiro superior a R$ 18 milhões, com dívidas de R$ 42 milhões e, patrimônio líquido negativo (passivo a descoberto) de R$ 8 milhões. Essa situação não está evidenciada no balanço daquele ano, porque foi simulada uma reavaliação dos pontos comerciais em R$ 35 milhões.

“Ou seja; engordaram indevidamente o balanço daquele exercício em R$ 35 milhões para não apresentar a real situação de insolvência da sociedade”.

Na avaliação do juízo, ações como estas agravaram a crise da Diplomata. O magistrado decidiu hoje, para evitar novas fraudes, nomear um novo gestor judicial para o grupo.

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