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17 Julho 2017 | 20h42min

A crise econômica, que havia afetado duramente as importações brasileiras de café torrado e moído no primeiro semestre do ano passado, já afeta menos o setor nos primeiros seis meses deste ano.

Os gastos com as importações de cápsulas subiram 61% no primeiro semestre, para US$ 37 milhões, ante US$ 23 milhões de janeiro a junho de 2016, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Apesar desse salto, as compras externas feitas pelas empresas que atuam no Brasil apenas retornaram ao patamar de igual período de 2015, quando as importações haviam atingido US$ 36 milhões nesse mesmo período.

As exportações brasileiras de café torrado e moído também tiveram recuperação, mas os números indicam a pouca importância desse setor na cadeia do café no Brasil.

Apesar de ser o líder mundial em exportações de café verde, o país não consegue desenvolver um mercado externo para o produto industrializado.

De janeiro a junho, as vendas externas brasileiras de café torrado atingiram US$ 7,24 milhões, acima das de igual período do ano passado, mas bem distante dos US$ 35 milhões de 2008, quando o país vinha ganhando mercado externo para esse segmento de café.

Dados divulgados pelo Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) nesta semana indicam que as exportações brasileiras de café verde atingiram 29,2 milhões de sacas na safra 2016/17 (julho a junho).

Já as vendas de café torrado e moído somaram o correspondente a apenas 28,9 mil sacas, um volume igual ao da safra imediatamente anterior.

As vendas de café solúvel, correspondentes a 3,6 milhões de sacas, também ficaram estáveis nas duas últimas safras, conforme os dados da entidade.

DE ONDE VEM

O movimento de aumento tanto das exportações de café industrializado como o das importações ocorre, em parte, porque algumas empresas brasileiras mandam o seu produto para ser colocado nas cápsulas no exterior.

Os principais fornecedores de café industrializado para o Brasil são Suíça, Itália e França. Os suíços foram responsáveis por 47% do produto que entrou no Brasil. Os italianos tiveram participação de 28% e os franceses, de 7%.

Já os principais mercados para o produto industrializado brasileiro foram Estados Unidos, Argentina e Venezuela.

Crise faz pecuária perder R$ 17 bilhões em dois anos

A crise vivida pela pecuária no primeiro semestre deste ano acentuou ainda mais o ritmo de perda de renda do setor, cujo início tinha sido no ano passado.

O Valor Bruto da Produção da pecuária deverá recuar para R$ 168 bilhões em 2017, o menor em cinco anos.

Os dados são do Ministério da Agricultura e incluem valores de produção dos segmentos bovino, suíno, frango, leite e ovos.

As operações realizadas pela Polícia Federal no setor e a delação premiada dos donos da JBS influenciaram no volume exportado e nos preços internos.

Com isso, o valor de produção desse setor recuou para os R$ 168 bilhões, 6% menos do que em 2016. Nos últimos dois anos, a perda foi de R$ 17 bilhões.

O valor de produção do setor de bovinos, um dos mais afetados pela crise, deverá retornar para R$ 67 bilhões neste ano, com queda de 7%. Os preços do boi tiveram forte retração no primeiro semestre do ano.

Essa queda foi influenciada inicialmente pelo fechamento de alguns mercados externos devido à Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, em março. Em maio, após a delação premiada dos donos da JBS, os preços recuaram ainda mais.

O setor de frangos se livrou dos elevados custos de produção do ano passado, mas não se viu livre da pressão de parte do mercado externo, que interrompeu as importações por algumas semanas devido à operação da Polícia Federal.

Oito mercados, embora com pouca participação no volume da carne exportada pelo Brasil, ainda mantêm as barreiras ao produto nacional.

O Valor Bruto da Produção do setor de frangos caiu para 48 bilhões neste ano, 11% menos do que o recorde do ano passado.

O setor de suinocultura, com boa demanda externa, se mantém em alta. O valor da produção sobe para R$ 15 bilhões neste ano, uma evolução de 8%.

VALOR TOTAL

Ao contrário da pecuária, o setor de lavouras tem boa recuperação neste ano, com previsão de alta de 10% em relação a 2016.

A supersafra de 240 milhões de toneladas deverá garantir R$ 368 bilhões ao setor. Os destaques ficam para soja, milho e algodão, produtos que têm safras elevadas.

Embora a margem de lucro dos produtores tenha caído neste ano, devido à redução dos preços, a região do Centro-Oeste obterá boa parte da renda desses três produtos.

Já os produtores do Sul, principalmente os do Paraná e de Santa Catarina, serão os que mais vão amargar a queda no valor de produção na avicultura.

Esses dois Estados lideram a produção nacional, e as estimativas são de queda de 10% do valor de produção em cada um deles.

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