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18 Maio 2017 | 16h24min

"Não renunciarei", disse o presidente Michel Temer (PMDB) em pronunciamento no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (18). Temer enfrenta sua mais grave crise no cargo, acossado por denúncias de que teria assentido com a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), feitas por delatores da JBS.

"Não comprei o silêncio de ninguém, sempre honrei meu nome e nunca autorizei usar meu nome indevidamente", disse Temer.

Segundo Temer, seu governo viveu nesta semana "seu melhor e seu pior momento", com a melhora de indicadores econômicos e de emprego, além do avanço de reformas no Congresso, em contraste com o que chamou de "revelação de conversa gravada clandestinamente". Para Temer, a notícia "trouxe de volta o fantasma de crise política".

"Nós não podemos jogar no lixo da história tanto trabalho feito pelo país", disse.

Nesta quinta, o STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou abertura de inquérito contra o presidente. A decisão de abrir uma investigação contra Temer foi tomada pelo ministro do STF Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo.

O pedido foi feito pela PGR (Procuradoria-Geral da República). A partir de agora, o presidente passa a ser formalmente investigado.

Temer entrou com requerimento no STF pedindo acesso à íntegra das gravações feitas pelos delatores da JBS. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o presidente só gostaria de se pronunciar a respeito do assunto após conhecer o conteúdo da delação.

Leia a íntegra do pronunciamento de Temer:

"Olha, vou cumprimentá-los [jornalistas] eu quero fazer uma declaração à imprensa brasileira e uma declaração ao país. E desde logo ressalto que só falo agora pelos fatos se deram ontem porque eu tentei conhecer, primeiramente, o conteúdo de gravações que me citam. Solicitei, aliás, oficialmente ao STF acesso a esses documentos. Mas até o presente momento não consegui.

Quero deixar muito claro dizendo que meu governo viveu nesta semana seu melhor e seu pior momento. Os indicadores de queda da inflação... Os números de retorno ao crescimento da economia e os dados de geração de empregos criaram esperança de dias melhores, otimismo retornava, e as reformas avançavam no Congresso Nacional.

Ontem, contudo, a revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe de volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada. Portanto, todo o imenso esforço de retirar o país de sua maior recessão pode se tornar inútil. E nós não podemos jogar no lixo da história tanto trabalho feito em prol do país.

Ouvi realmente o relato de um empresário, que, por ter relações com um ex-deputado, auxiliava a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse e somente tive conhecimento de fato dessa conversa pedida pelo empresário.

Repito e ressalto: em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém, por uma razão singelíssima: exata e precisamente porque não temo nenhuma delação. Não preciso de cargo público nem de foro especial, nada tenho a esconder, sempre honrei meu nome: na universidade, na vida pública, na vida profissional, nos meus escritos, nos meus trabalhos, e nunca autorizei, por isso mesmo, que usassem meu nome indevidamente. E por isso quero registrar enfaticamente que a investigação pedida pelo STF será território onde surgirão todas as explicações, e, no Supremo, demonstrarei não ter nenhum envolvimento com esses fatos.

Não renunciarei, repito: não renunciarei. Sei o que fiz, e sei da correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro.
Esta situação de dubiedade ou de dúvida não pode persistir por muito tempo. Se foram rápidas nas gravações clandestinas, não podem tardar nas investigações e na solução respeitantemente a essas investigações. Tanto esforço e dificuldades superadas. Meu único compromisso, meus senhores e minhas senhoras, é com o Brasil. E é só este compromisso que me guiará. Muito obrigado, muito boa tarde a todos.
"

Texto publicado pelo UOL.

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