• Redação CGN
  • Gazeta do Paraná/Fernando Maleski

05 Fevereiro 2017 | 08h11min

Enquanto passa preguiçosamente o tempo com sua irmã, Alice vê o Coelho Branco de colete, carregando um relógio de bolso. Surpreendida, segue-o até à toca do coelho e cai nela... É como na história de Alice, que sai da realidade para um mundo de sonhos, num lugar fantástico, povoado de criaturas peculiares e antropomórficas, numa lógica do absurdo, que se compara a volta às aulas este ano. Só que no caminho inverso. É preciso sair da toca, do sonho e descobrir uma realidade muito longa da fantasia criada ao longo dos últimos anos: a de que a educação no município vai muito bem.

Paródias à parte, o fato é que a volta às aulas está ai. Amanhã, 28.826 alunos do ensino fundamental e dos CMEIs estão de volta e para ninguém ficar de fora, foi necessário verdadeira ginástica para resolver milhares de problemas. O fato é que, na troca de gestão, de prefeito e secretário, descobriu-se que, a Educação local viveu até agora como Alice, só no sonho, no imaginário. A realidade é bem menos poética e serão necessários muitos sacrifícios e adaptações, até que uma política melhor de planejamento seja adotada.

Bicos

A volta as aulas nesta segunda-feira será marcada pela aula inaugural, às 8 horas no CMEI Maria Vaz Meister, no Jardim Itália, com a presença do prefeito Leonaldo Paranhos e da Secretária de Educação, professora Márcia Baldini e mais tarde, ás 13h15 na Escola Neiva Ewald, no Jardim Presidente.

Os dois eventos marcam a volta às aulas 28.826 alunos, destes 3.366 alunos que fazem uso do transporte escolar rural ou urbano, distribuídos por 61 escolas, 52 CMEIs, 8 CMEIs conveniados, numa gigantesca infraestrutura que também inclui 3.470 professores e servidores, distribuídos em 1.489 professores, com 2.296 vínculos, 523 zeladores.

No entanto, este dia de retorno das aulas deverá passar para história como o “Dia do Bico”. Para dar conta e recepcionar tantos alunos a rede municipal descobriu que lhe faltava o básico e indispensável; professor.

Levantamento apontou que para tudo dar certo amanhã, faltam ainda 91 professores para a educação infantil (CMEIS) e outros 239 professores no ensino fundamental. Além destes, faltam 48 agentes de apoio e mais 144 zeladoras no ensino fundamental. Para agravar o quadro, ainda está vencendo o contrato de 244 estagiárias.

Para “resolver o problema”, foi criado o “dia do bico”. Todos na Secretaria de Educação vão fazer bico. Quem é professor está no serviço pedagógico, terá que voltar a sala de aula para que a volta às aulas aconteça. Isto deve permanecer assim até março até que seja possível encerrar os testes seletivos, que acontecem neste domingo e que tem inscritos 1.383 zeladores, 701 professores de CMEIs e 757 Professores de Ensino Fundamental.

Estrutura

Outro problema sério, apontado pela secretária Márcia Baldin é a estrutura física das escolas. De toda a rede, 95% delas têm problemas de documentação e os alunos correm sério risco de não terem certificação para entrarem no ensino médio. Tudo porque as escolas não têm alvarás e nem liberação dos bombeiros. Além disto, algumas têm problemas muito sérios em licitações, algumas suspeitas de serem viciadas, outras abandonadas, que prejudicam a reforma e construção de escolas. É o caso da escola José Henrique Teixeira no Morumbi, com 500 alunos, cuja obra está paralisada. Alunos voltam às aulas hoje usando a estrutura do centro de catequese Santa Rita de Cássia.

Na Escola Zumbi dos Palmares, é a mesma coisa, as obras estão atrasadas e os alunos terão que seguir em salas improvisas em casinhas de madeira. No Arthur Oscar Mombach, em Sede Alvora, tem situação idêntica. 

No Parque dos Ipês, na região do Santa Cruz, os alunos da futura escola, Ademir Correia, desde 2012, seguem esperando a conclusão da obra e vão ter que estudar em salas alugadas na Univel. O projeto para a terceira fase da obras, estimada em mais de R$ 6 milhões, ainda não tem sequer projeto. Para os alunos do Gladis Tibola, a situação permanece a mesma, estudando em espaço alugado, porque sequer terreno para a nova escola foi definido.

Pior é a situação dos futuros alunos para a região do Gralha Azul e Jaborá, que não tem escola e nem projeto. “Vamos ter que dar um jeito. Pedir a Deus solução. Eles chegam para morar netas região, em março. São mais de 800 famílias e não temos nenhum espaço. Mas vamos ter que dar uma jeito de resolver”, adiantou.

Merenda

Somem-se a todas as intempéries, outros problemas, como a merenda escolar que precisa servir quase 75 mil refeições por dia. São cerca de 28 mil refeições/dia para CMEIS, e quase 47 mil refeições/dia para ensino fundamental, com custo anual próximo a R$ 13 milhões. Mas para a volta às aulas amanhã, ainda faltam vários itens do cardápio, que precisam ser licitados.

O Transporte Escolas é outro ingrediente importante para a volta às aulas, mas com custos considerados elevados. O atual contrato prevê o pagamento de R$ 4,90 por quilometro rodado. Com uma média/dia de 12.346 quilômetros para transporte de 3.366 alunos, a previsão é gastar este ano R$ 12,9 milhões com transporte escolar.

Orçamento

Apesar da longa lista de problemas e de um orçamento que já não é o maior da prefeitura, com R$ 238,9 milhões e uma folha enorme de R$ 10,1 milhões por mês, a secretária Márcia Baldin está confiante de que consegue consertar tudo e garantir educação de qualidade para a sua clientela.

A nova secretária, que encerra um “reinado” longo do ex-secretário Valdecir Nath, é professora de reconhecida capacidade técnica. Formada em pedagogia, com mestrado em Educação com ênfase em Políticas Públicas e Práticas Educativas, é professora da rede de longa data, desde 1994, com atuação mais destacada na escola Nicanor Schumacher, onde foi professora, coordenadora e diretora. Das Lavouras de algodão em infância passada em Formosa do Oeste, para a sala de aula, disse ontem que seu grande desafio é organizar e planejar a educação municipal de forma profissional. “Temos que colocar esta estrutura da secretaria para trabalhar. O professor tem que ter condições de trabalho. Vamos trabalhar com a valorização para motivar nossos profissionais. O objetivo é ter profissionais de qualidade para passar uma educação de qualidade. O nosso problema hoje é que fazemos as coisas de forma improvisada, sem planejamento. Não é possível começar um ano sem ter o básico. Vamos consertar isto”, disse Márcia que aposta na força da sua equipe para melhorar a educação em Cascavel.  

 As informações são da Gazeta do Paraná. 

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