• Maycon Corazza
  • Gazeta do Paraná/Luiz Carlos da Cruz

20 Janeiro 2017 | 07h07min

O impasse em torno da área do Jardim Gramado, em Cascavel, ainda está longe de ser resolvido, mesmo com a retirada de parte dos moradores que ocupavam o local desde que ocorreu a invasão há quase duas décadas. Parte das famílias mudou para o Jardim Veneza, em uma área da prefeitura, mas outros moradores se recusaram a sair do local mesmo sob o risco de serem despejados pela polícia. Uma operação chegou a ser montada no final do ano passado com centenas de policiais militares, mas na última hora uma decisão judicial suspendeu o mandado de reintegração de posse e as equipes que se dirigiam a área tiveram que recuar.

Depois disso, uma nova liderança se formou na área invadida e estaria comercializando lotes e convidando os moradores que foram para o Jardim Veneza a retornarem ao Gramado. De acordo com Sílvio Gonçalves, coordenador do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), são três pessoas que estão fazendo contato com os sem-teto e afirmando que não haverá reintegração de posse e que a prefeitura irá desapropriar a área. Com isso, pelo menos 20 famílias já retornaram ao local.

De acordo com Sílvio, essas informações repassadas pelos supostos líderes da área invadida não procedem e as famílias que deixaram o Veneza estão sendo enganadas. “Essas pessoas que se dizem lideranças estão vendendo terrenos”, diz o líder do MNLM. Ele citou o nome de três pessoas – Dirce, Fabrício e Regina – como os supostos líderes do Gramado. A reportagem não conseguiu identificar quem seriam essas pessoas.

Enquanto isso, as famílias que estão na área do Veneza aguardam uma definição sobre o futuro delas. O líder do movimento disse que já teve conversas com o secretário de Planejamento, Fernando Dillenburg e Alcineu Grubber, que além de responder pelo IPMC (Instituto de Previdência do Município de Cascavel) também ocupa a chefia de Gabinete do prefeito Leonaldo Paranhos.

Cerca de 180 famílias estão na área do Jardim Veneza. Os moradores aguardam uma definição na agenda do prefeito Leonaldo Paranhos para discutir a situação deles. Segundo Gonçalves, os moradores que não foram para a área do Jardim Veneza não serão aceitos no local caso haja uma reintegração de posse.

Justiça

A área do Jardim Gramado pertence a empresa Transcontinental Empreendimentos Imobiliários. Alguns moradores entraram com embargo para tentar garantir a permanência no local. A juíza Raquel Fratantonio Perini negou a liminar que pretendia garantir a manutenção da posse para dez pessoas que acionaram o Poder Judiciário.

As pessoas que tentaram reverter a situação compraram a área de terceiros, que haviam ocupado os lotes logo no início da invasão. “A conformação do local e a visibilidade da ocupação irregular permitem concluir que a suposta compra da área pelo embargante ocorreu com ciência sobre a irregularidade da posse anterior e da disputa possessória”, fundamentou a juíza.

A magistrada julgou improcedente os embargos movidos pelas pessoas que ocupam a área irregularmente. 

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