O cantor e compositor Belchior, famoso, sumiu do mapa, desapareceu. Porém, sua obra continua sendo consumida e ainda é muito atual, realmente contemporânea. Muita gente que antes andava com a mão “molhada” pelas propinas, agora anda “molhado de medo”… E, na “hora do almoço”, todos ficam de olho no “prato principal”, mas ninguém se entende quando abrem a boca, seja para comer, seja para falar… Deus salve o Brasil! Sem dúvida, precisamos de um milagre!!! Além de relembrar a ‘vibe’ de Belchior, confira a reflexão proposta pelo editorial desta quinta-feira da Gazeta do Paraná…

“Na hora do almoço”

“Cada um guarda mais o seu segredo / A sua mão fechada, a sua boca aberta / O seu peito deserta, sua mão parada / Lacrada e selada / E molhada de medo”. O trecho da música “Na hora do almoço” do “desaparecido” cantor e compositor Belchior que ontem completou 70 anos de idade sugere algumas reflexões a respeito da segunda votação da PEC 241, a “PEC do Teto dos Gastos” na terça-feira que adentrou madrugada adentro de quarta.

O comportamento dos parlamentares, com raríssimas exceções, foi e é vexatório, remontando completa quebra de decoro e, ao final, cada um com seu segredo e as mãos “lacradas e seladas”, talvez “molhadas de medo” votaram, não pelo entendimento real da PEC e seus efeitos, mas por “esquemas” partidários e disputas. Petistas e os antigos aliados de Dilma que ainda levantam o discurso do ‘golpe’, agora, são vigorosos defensores da população e seus interesses, sem dúvida, distorcendo informações e números de acordo com a conveniência do momento. De fato, pouco reclamaram da falta de investimentos na saúde, educação e infraestrutura quando estavam no poder, elaboravam orçamentos fabulosos dos quais, 15% ou 20% eram efetivamente cumpridos e traziam real benefício ao cidadão.

Nos tempos do ‘reinado petista’, tudo o que estes parlamentares queriam eram seus pleitos atendidos, seus cargos, dinheiro e influencia dentro e fora do governo. Controlar a ‘gastança’ era discussão de quarto ou quinto plano. Agora, a conversa mudou. E mudou também para quem era governo, mas não tinha poder e quem era oposição e estava completamente alijado de qualquer discussão de primeiro plano. No Governo Temer, o PMDB ‘manda’, o PSDB tem força e os demais aliados querem se “ajeitar”: “que se corte a carne dos outros, mas não a minha” e a vida segue. Mas, voltando análise da fatídica sessão, os descontrole, destempero e imaturidade dos parlamentares que faziam provocações a níveis menos inteligíveis que se fazem no jardim de infância, revela mais uma vez ao Brasil que o destino da nação está nas mãos de incautos que recorrem ao sofisma (argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa) para fazerem conquistar seus objetivos.

O Congresso Nacional tinha que dar exemplo e cortar, pelo menos, 50% dos seus gastos e ser referencial de lisura e parcimônia. Aí sim, poderiam estufar e bater no peito. Hoje, recorrendo mais uma vez ao “desaparecido” Belchior “No centro da sala, diante da mesa / No fundo do prato, comida e tristeza/ A gente se olha, se toca e se cala / E se desentende no instante em que fala.” A mesa está posta diante do Congresso, porém, além do medo dos segredos revelados, quando se abre a boca, ninguém se entende!

3 thoughts on “Faz tempo que ninguém se entende…

  1. Muito bem posto (apesar que Belchior) esta vivendo, e pelo jeito muito bem no Uruguai.
    Apesar de continuar a ter medo de avião.

  2. Paulo Alexandre, você está completamente certo, o controle existe até nas músicas, Quero ver a justiça controlar essa onda de Pancadão, e toda essa baboseira apelidado de música, gosto muito do Belquior, relembra os meus tempos, e tenho quase todas as músicas dele arquivadas,quanto ao governo, é difícil cair 50% nos salários desses( COSTUMO CHAMA-LOS BANDIDOS) que nós os elegemos e os que são decididos por eles mesmos, se isso acontecer, ele morrerá por alguma doença, ou baleado mesmo como foi Getúlio Vargas
    O congresso brasileiro, transformou-se numa máfia,e…tenho dito. Ventura!!!.

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