Acredito que nesta terça-feira, nos lembramos um pouco o que é ser gente, ser um “ser humano”… Não pensar apena em “coisas”, mas em gente que sofre, que sonha, que morre… E, se a maior decepção da década era aquele “7 a 1” de 2014, vindo então do futebol a tristeza e a vergonha, também veio do futebol o orgulho e a esperança, mas também a dor. A tragédia com a delegação da Chapecoense, ou a “Chape” para os mais íntimos, fez todo mundo parar e pensar, pelo menos quem tem um pouco de sensibilidade, no tipo de vida que se vive. A equipe da Chape foi superação, sangue e suor… Não tinha estrelas, nem jogadores com “mega salários”, mas eram “mega determinados”… Um pequeno grande entre os grandes… Agora, são a história que eles mesmo escreveram, homenageados com justiça, laureados com mérito… No editorial desta quarta-feira (30-11) da Gazeta do Paraná, um pouco do que aprendemos com eles!

 

Humanidade: #ForçaChape 

Que a tristeza da criança com a camisa da Chape seja transformada em esperança e inspiração para superar todas as adversidades da vida que ainda virão!

Que a tristeza da criança com a camisa da Chape seja transformada em esperança e inspiração para superar todas as adversidades da vida que ainda virão!

A bandeira ainda é verde, porém, ontem o dia foi cinzento. A cidade de Chapecó, o estado de Santa Catarina e o Brasil acordaram, ontem, mais escuro, sem o brilho no olhar dos atletas, comissão técnica e dirigentes da equipe da Chapecoense que, pela primeira vez em sua história, chegava a final de um torneio internacional, a Copa Sul-Americana que poderia levar a equipe para a Libertadores da América. Mas, este sonho ‘acabou’ a 30 quilômetros do aeroporto onde a aeronave deveria chegar e pousar. Todos correram para a internet, televisores e rádios para saber detalhes de uma das maiores tragédias envolvendo atletas e, mais, brasileiros.

Difícil alguém não ser tomado de compaixão, de comoção. Enquanto a comoção é um sentimento de emoção forte e repentina, compaixão é um sentimento que leva à solidariedade para com a tragédia de outras pessoas, acompanhado de um desejo de ajudar, participar de forma altruísta e terna para aliviar a dor de quem sofre. É a compaixão que renova o que se conhece por “espírito humano”, aquele sentimentos que diferencia homens de “máquinas”.

A equipe da Chapecoense ganhou a simpatia e a torcida de todos por ser considerado “pequeno” disputando e conquistando espaço entre os “grandes”. Era formado por “ilustres desconhecidos”, comandados em campo e fora dele pelo conhecido ex-jogador e técnico Caio Junior, um cascavelense de sucesso, acostumado a grandes conquistas e ao preço que elas exigem. Assim, a “Chape”, que hoje deveria estar em campo brigando pelo título, representava também o desejo e a necessidade que o cidadão brasileiro tem de “superação”; de buscar ir além do que a situação projeta, das forças e condições que possui, daquilo que, dizem, o destino lhe teria traçado. É exatamente por isso que atletas como os jogadores da Chape se transformam em “heróis” e fazem brotar lágrimas de emoção, de alegria, de vitória.

Agora virão as homenagens, justas. As lembranças necessárias. Mas, não pode parar por aí. Tragédias como essa precisam gerar, além da comoção e compaixão, ações transformadoras, renovadoras e restauradoras. O sentimento de tristeza e perda visível nos rostos dos familiares e amigos próximos das vítimas fatais do acidente mostra que, de fato, a vida é como um “sopro”, fácil e breve. Assim, valorizar família, amigos e as atitudes e virtudes que transcendem o espaço compreendido entre o dia em que se nasce e o final da vida, deve ser uma meta e uma realização diária. As causas do acidente precisam ser esclarecidas para que as falhas previsíveis não sejam motivadoras de nova dor, porém, contra a fatalidade e a força da natureza (havia registro de mau tempo na rota e na hora do acidente) não há o que fazer, se não viver cada dia de forma mais humana, solidária e fraterna. O desejo de toda família Gazeta do Paraná é que Deus abençoe, conforte e fortaleça todas as famílias enlutadas e que os bons exemplos da “Chape” e sua história sejam inspiração para esta e para as futuras gerações, não apenas de atletas, mas de homem e mulheres de bem!