O feriado de 21 de Abril (Tiradentes) caiu como uma “luva” para acalmar a correria em Brasília.. ou não?

Na verdade o jogo do poder não tem intervalos ou tréguas. E, agora, com o próprio Lula praticamente jogando a toalha, o PMDB já tem certo que Michel Temer assume o governo em maio… Mas, ainda pensando na votação do último domingo, o Brasil está mesmo “feio na figura”… O “nível’ dos representantes do povo que está bem abaixo da linha do aceitável (que miséria) … Agora, dizem, “o alvo é o Cunha…” Mas, nem terminaram de tratar uma situação, já estão com outra. Alias, no Congresso Nacional e na esfera do poder é assim mesmo… Tem muita coisa pela “metade”… No editorial da Gazeta do Paraná de terça-feira, fiz uma breve análise da votação de domingo quando ouvimos 346 “sim”, mas nada convincente do ponto de vista da resolutividade…

 

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Temer está acelerado nas reuniões com seu ‘ministério’….

Lamentável

Ainda não foi possível definir o que foi e é mais lamentável no domingo do impeachment de Dilma Rousseff. A base governista jurava que tinha mais de 180 votos para impedir que o processo fosse para o Senado e, ao final, só conseguiu 137 votos, enquanto a oposição fechou a votação em 367.

Segundo os números que poluíram as redes sociais sábado, domingo e ontem, e que devem seguir por muito tempo, cerca de 70% dos deputados que votaram pelo impeachment de Dilma, respondem algum tipo de processo por corrupção, enquanto o partido majoritário da base governista, o próprio PT, está até o pescoço com a lama da Lava Jato, Zelotes e outras operações desenvolvidas pela Polícia Federal. Ou seja, quem não tiver um “processinho” nas costas que atire a primeira pedra…

Mas, voltando à votação de domingo, os deputados foram repetitivos e enfadonhos em suas “homenagens” na hora dos votos, bem como tentavam falar em “nome de Deus”. Dentro todos, alguns se destacaram, como o voto da deputada federal do PSD-MG, Raquel Muniz: “O meu voto é pra dizer que o Brasil tem jeito, e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com a sua gestão”. O prefeito citado pela parlamentar, seu marido Ruy Muniz, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta segunda-feira, em Brasília, por conta das investigações da ‘Operação Máscara da Sanidade II – Sabotadores da Saúde’. Ele é acusado de prejudicar a saúde pública de sua cidade para beneficiar o hospital privado de sua cidade que, por “coincidência” é administrado pela sua família…

Mas, certamente, este não é o único caso de corrupção escondida debaixo dos tapetes dos parlamentares que votaram “contra o golpe, em defesa da democracia, do Estado de Direito e dos direitos do povo”, bem como daqueles que querem tirar “essa quadrilha instalada no Planalto”. Mas, a “bagunça” ainda não terminou. Agora toda trama será repetida, talvez com mais “poder de fogo” no Senado, onde, de fato, Dilma pode ser afastada do cargo. Ainda haverá cenas mais lamentáveis pela frente, talvez ainda mais horrendas do que se viu até agora.

Será que ainda há o que “temer” nesse circo de horrores? E, para finalizar, mais uma do Simão: “E brasileiro sofre: teve que aprender a escrever impeachment, Odebrecht, coercitivamente e offshore!”

Estamos com uma breve pausa do no pouco espetaculoso “Circo de Brasília”. O que se viu na comissão especial que analisou e aprovou a admissão do pedido de impeachment da presidente Dilma, foi lamentável e isso dos dois lados – pró e os contra. E aí fica a pergunta: o povo (eleitor) merece ou não os representantes que tem? O editorial desta quarta-feira da Gazeta do Paraná ajuda pensar um pouco a respeito…

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Igual futebol…

Quem acompanhou a comissão especial que analisou a admissibilidade do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff viu um verdadeiro “show de horrores”. A comissão, pode-se assim dizer, foi um espelho mais preciso do que realmente é a Câmara dos Deputados. As sessões mais pareceram uma reunião de desequilibrados, insensatos, “professores de Deus” e homens e mulheres volúveis e que, sem dúvida, andam e se comportam segundo seus próprios interesses… Lamentável saber que a população brasileira é “representada” por aquela turba traz duas conclusões antagônicas: o povo não merece isso; não, o povo escolheu e merece!

Mas, antagonismos à parte, o Brasil não merecia algo tão baixo e desprovido da grandeza que é o “gigante”, mesmo que ainda esteja “deitado em berço esplêndido”. Marcelo Coelho, membro do conselho editorial da Folha de S.Paulo”, resumiu as discussões da comissão e as que devem se seguir no plenário da Câmara como o “Diálogo de Surdos”. Lá todos gritam e ninguém se entende (ou se escuta). Aliás, deputados e deputadas deram exemplos gigantescos à nação de como um homem e uma mulher não devem se portar, seja na conduta pessoal, seja na postura institucional que um parlamentar “deveria” adotar

Coelho escreve: “O bate-boca se instalava. Nulidades processuais são decisivas, avançava Cardozo (José Eduardo Cardozo, advogado-geral da União). É como se o relatório dissesse: ‘alguém morreu, parece que morreu, não sabemos se morreu’, defendendo ao mesmo tempo que, na dúvida, processe-se o acusado por homicídio. ‘Morreu! Morreu!’ gritava o plenário. No quadrinho do canto, a tradutora para surdos-mudos fazia gestos: tampava os ouvidos, batia os cinco dedos de uma mão na outra, significando ‘patavina’. Era um diálogo de surdos, realmente. Henrique Fontana (PT-RS) estava apoplético. O verdadeiro tanque de combustível que é o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), pedia calma. José Eduardo Cardozo encerrou seu discurso em grande estilo. A história não perdoa os que atentam contra a democracia, bradou. E se o impeachment prevalecer, o fato será lembrado como ‘O Golpe de Abril de 2016’.

Petistas levantaram-se para aplaudir. Os cartazes vermelhos e os verde-amarelos se levantaram. Estes compunham, naquele momento, forte maioria no plenário. Depois de algumas horas de questões de ordem totalmente fora de ordem e em completa desordem, o debate se elevou politicamente com os pronunciamentos dos líderes de bancada.”

São eles que o eleitor escolheu, agora aguente! Foi engado? Talvez, mas a verdade é que “pediu” para ser ao querer levar uma vantagem, ao “pensar” que política é igual futebol… Jogadores são estrelas que não se importam com o público – só com a grana ; técnicos querem fazer valer seus interesses e colocar para jogar quem lhes dá lucro, mesmo sendo “perna-de-pau”…. E o juiz? Ah… o juiz é um vendido!