nao-tenha-medo-tenha-feNo último post no blog deste ano, antecipo o editorial da primeira edição de 2016 da Gazeta do Paraná, sugerindo algumas reflexões e, claro, torcendo para que de alguma forma 2016 seja melhor do que foi 2015. Deus nos abençoe e tenha misericórdia de nós porque, como tenho dito, o governo não tem!

Não desista…

“Sinto a alegria de tranquilizar vocês dizendo-lhes que entrem, em 2014, com a certeza de que o seu padrão de vida vai ser ainda melhor do que você tem hoje. Sem risco de desemprego, podendo pagar suas prestações. (…) Minhas amigas e meus amigos! O Brasil melhorou; a nossa vida melhorou; mas, o melhor de tudo é que temos tudo para melhorar ainda mais”.

Como traz a “Lei de Murphy”, não é tão ruim que não possa piorar. No último dia de 2014, muita gente está apenas preocupada com a ceia de Ano Novo, a queima de fogos e se vai dar tudo certo com o que foi programado para a festa que começa no início e promete adentrar madrugada…

Os dois parágrafos anteriores são transcrições do editorial publicado nesta Gazeta do Paraná nos dias 31 de dezembro de 2013 e 2014, respectivamente. Note, caro (e)leitor que continuamos no “mais do mesmo”. Quando a presidente Dilma Rousseff ainda usava cadeia de rádio e TV para falar à nação (agora só posta vídeos nas redes sociais) usava do mesmo sofisma de agora. E a referência a “Lei de Murphy” apenas traz o carimbo que todos já estão acostumados. E, mesmo assim, o réveillon também não mudou. Ficou mais caro desta vez, teve menos variedade em algumas casas e festas, mas não deixou de ser celebrado.

Porém, caro (e)leitor, hoje, 1º de janeiro de 2016, quem exagerou na dose está com dor de cabeça, mal-estar e outras preocupações como o ‘estouro’ do cartão e crédito ou do limite do banco. Quem foi mais comedido e precavido, começou o ano um pouco melhor, sem dar chance para Murphy…

Não é preciso fazer análises sobre a mensagem de Dilma para 2014 ou o que aconteceu de lá para cá. Também não é preciso dizer que, independente do governo, cidadão que é inconsequente e não tem consciência da realidade que o cerca sempre vai dar com os “burros n’água”. E assim, 2016 segue no mesmo compasso. Até o horário que foi possível apurar, Dilma não esteve em cadeia nacional, não fez pronunciamento e não prometeu nada melhor para 2016 na virada do ano. E da parte dos governos (municipal, estadual e federal) pouco se pode esperar, com raras exceções.

Assim, neste primeiro dia de 2016, além de aproveitar para o congraçamento familiar, é bom que cada um reserve alguns minutos para pensar na vida que quer e almeja ter neste ano, dependendo exclusivamente de suas decisões e escolhas. Como todos também sabem, a vida é feita de escolhas… Portanto, escolher ser honesto, coerente e correto é o que resta porque, de fato, o verdadeiro e bom brasileiro nunca desiste!

Nunca antes na história deste país um recesso foi tão providencial. Com o Judiciário de férias (apesar dos “plantões”), tudo parou providencialmente. Também na Câmara, o impeachment “congelou” e Cunha ganhou mais tempo para se rearticular e voltar mais “forte” em 2016. Problema é que para o brasileiro comum, eu e você, nada parou. As contas continuam chegando, o preço de tu

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do sobe e o salário cada vez mais “anêmico”. Mesmo assim, o brasileiro que não desiste nunca faz suas faxinas, tenta se reorganizar e encontrar alguma nova motivação para buscar o tal “feliz ano novo”… E, voltando à Brasília, o recesso também foi providencial para segurar a “faxina” que a Lava Jato vinha fazendo… No editorial de terça-feira da Gazeta do Paraná, um pouco mais sobre “faxinas”…

 

 

Para limpar, precisa bem mais…

Na casa de muitos brasileiros, a tradicional faxina de fim de ano já começou. Alguns até já acabaram de fazer a “limpeza pesada” antes do Natal. E, na Câmara dos Deputados, em Brasília, final de ano também parece ser época de faxina. A Casa desembolsou R$ 20,2 mil em materiais de limpeza. Para “limpar a casa”, pelo menos no sentido literal da expressão, foram adquiridos 2.640 litros de água sanitária com tampa rosqueável, 8.400 frascos de detergente líquido de 500 ml e 9.850 unidades de sabão de coco em tablete de 200 gramas.

Ainda no tema “lixo”, a Câmara também reservou R$ 57,8 mil para o fornecimento de 455 unidades de lixeiras inox com capacidade de 30 litros, marca Purimax/Elegance, na cor prata. O pedido foi realizado pela Coordenação de Habitação da Casa. Mas, no sentido “não figurado” da coisa, o gasto da Casa foi “ínfimo” diante da sujeira que realmente precisa ser extirpada dos corredores de Brasília, a começar pelo Congresso Nacional. Mas, o Judiciário não ficou para trás.  A Secretaria do Superior Tribunal de Justiça reservou R$ 1,1 mil para a compra 1.085 águas sanitárias em recipientes de 1 mil ml à base de hipoclorito de sódio com teor de cloro ativo entre 2,0% pp e 2,5% pp. O produto deverá possuir registro junto à Anvisa.

O ano de 2015 vai ficar marcado na história do Brasil como um dos piores para a imagem dos políticos e gestores públicos, não que não se tenha visto coisa feia antes. Porém, com as devassas promovidas pela Operação Lava Jato e também da Zelote, mostraram que a corrupção que todos sabem que existe é muito maior do que se imaginava e não deixou “ninguém” de fora. Por isso, os gastos com materiais de limpeza e “adereços” para o lixo produzido nos palácios de Brasília não fazem nem cócegas.

A questão, caro (e)leitor, é que a limpeza real e profunda que se precisa fazer em Brasília e outros tantos lugares não requer “água sanitária” e “detergentes”. Urge, sim, “vergonha na cara”, coisa que não se compra em quilos ou litros. Não há ‘reserva’ no orçamento dos três poderes para renovar o estique de honestidade e honra, muito menos “pacotes” de verdade para abastecer os gabinetes.

Assim, segue a limpeza “aparente” e a ideia de que se está fazendo algo para mudar a realidade brasileira. E, se em 2015 a marca foi a “crise”, resta comemorar que o juiz Sergio Moro tem conduzido um processo que nunca se viu antes na história deste país… E tomara que ele continue fazendo história porque aí, sim, a limpeza começará fazer e ter efeito…

Ano velho com ‘ministro novo’ e economia velha. Quem caminhou no centro de Cascavel na noite de ontem e na manhã de hoje até percebeu algum movimento, mas do lado de fora das lojas. Infelizmente, mesmo com a injeção da segunda parcela do 13º e as muitas promoções que tentam atrair o consumidor, as coisas não estão lá muito boas para alguns setores. Numa das lojas que estive ontem, o desânimo era perceptível. Saiu Joaquim Levy, assumiu Nelson Barbosa e, por enquanto, o que se viu foi apenas um agitação negativa do mercado e muitas críticas… O ex-ministro Levy disse que o tempo mostrará algumas coisas, mas será que temos tempo? Precisamos de um verdadeiro milagre e, talvez, depois dele, tenhamos algum fôlego para esperar… Confira o editorial da Gazeta do Paraná, do último domingo.

 

Só o tempo…

Joaquim Levy se despediu do Ministério da Fazenda na sexta-feira com a afirmação de que o país corre o risco de andar para trás se o governo não promover reformas que reduzam o gasto público. O recado ao Planalto tem como alvo a decisão de postergar o envio ao Congresso de reformas como a da Previdência. Na avaliação do ex-ministro, o governo não pode correr o risco de ficar fazendo “mais do mesmo”. Nem seguir “opções equivocadas”, como liberar gastos para tentar socorrer alguns setores econômicos.

Na nota de “despedida”, o ministro disse que ele e sua equipe fizeram o que foi proposto quando assumiu o cargo, pelo menos naquilo que dependia deles. Afirmou também que chegou ao fim de 2015 preocupado com a situação do país. E que a crise econômica poderá se estender por 2016. Ao falar sobre seu legado, disse que “o tempo saberá mostrar os resultados que se colherão de tudo que foi feito até agora” e responsabilizou a turbulência política pela maior parte da crise: “Seria uma injustiça comigo, com minha equipe e com a presidente Dilma Rousseff achar que o país enfrenta uma recessão pelo fato de termos proposto e, em alguma medida, já implementado um ajuste fiscal. Um ajuste pelo qual ela tem se empenhado. (…) Boa parte da queda do PIB decorre de processos políticos, que tiveram importante impacto na economia, criando incerteza e multiplicidade de cenários que levaram à retração da atividade.”

Levy tentou sair de forma “educada” e “polida”, embora o ministro Jaques Wagner (Casa Civil) tenha insinuado que o ex-ministro da Fazendo, apesar de ostentar boa credibilidade e trânsito nos organismos econômicos, dentro e fora do país, não tenha sido muito “jeitoso” para comunicar e negociar os ajustes mais “ácidos” e impopulares, necessários à retomada do reequilíbrio das contas públicas e do próprio crescimento econômico. Torcedor do Botafogo, time campeão da Série B de 2015, o ministro disse que voltar para a primeira divisão dá um pouquinho de trabalho, mas que o Brasil tem condições para reverter o rebaixamento da nota de crédito. O Brasil perdeu neste semestre o selo de bom pagador dado por duas agências de classificação de risco e entrou na lista de países com maior risco de calote. E, seguindo a analogia de Levy, grandes times como Palmeiras, Corinthians e agora o Vasco da Gama, já foram rebaixados e, com reformulações, compromisso e foco voltaram à elite conquistando o título da segundona… No Brasil, ser campeão da Série B é um pouco ‘vexatório’ em se tratando de times “grandes” e de tradição. Porém, muito melhor “fazer de um limão uma limonada” que ficar o tempo todo reclamando do “azedo”… Agora é esperar o “tempo, senhor da razão”, para ver quem acertou mais. Oxalá todos tenham mais acertos que erros para a “felicidade geral na cidade”.

Se a Câmara dos Deputados fosse um poder “sério”, certamente, a maioria absoluta dos seus membros estaria respondendo processo por quebra de decoro parlamentar. Aliás, o que se viu no Conselho de Ética da Casa (da “Mãe Joana”) é falta de decoro e de vergonha na cara… Mais páginas infelizes dentro da “normalidade” da esculhambação nacional. Sim, é com tom de indignação. E nem vale o esforço mental de traduzir. No editorial da Gazeta do Paraná, algumas ponderações felizes no cenário dos infelizes. Confira no texto que segue. Ah, e o Lula avisou que não tem mais carne para o pobre, só arroz… Esqueceu o Lula que o preço do arroz subiu muito, a água também e o gás de cozinha, então…

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Amigo da Onça? O Amigo da Onça é um personagem criado por Péricles de Andrade Maranhão (14 de agosto de 1924 – 31 de dezembro de 1961) e publicado em uma charge pela primeira vez na revista O Cruzeiro em 23 de outubro de 1943. Satírico, irônico e crítico de costumes, o Amigo da Onça aparece em diversas ocasiões desmascarando seus interlocutores ou colocando-os nas mais embaraçosas situações. Se voltasse, hoje, faria sucesso!!!

Infelizes…

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, disse ontem que o principal papel da instância máxima do Judiciário brasileiro no pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff será o de avaliar o cumprimento do rito do processo e que os ministros não farão análise de mérito no caso. Barroso disse ainda que a decisão do ministro Luiz Edson Fachin de paralisar o andamento do pedido de afastamento de Dilma na Câmara não é uma interferência do Judiciário: “Se há alguma dúvida e algum questionamento, é melhor parar o jogo um minutinho e acertar isso. Acho que não é interferência”.

Também, o vice-presidente Michel Temer quebrou o silêncio após a carta que enviou à Dilma e disse que a decisão do plenário da Câmara e posterior decisão do ministro Luiz Edson Fachin, faz parte da “normalidade” das instituições: “A Câmara dos Deputados ontem tomou uma deliberação, no exercício legítimo de sua competência, e posteriormente, em face de medida judicial, o Supremo suspendeu temporariamente essa medida, e preliminarmente para o exame posterior para o plenário [da Corte]”. E emendou: “Isso revela exatamente que nós vivemos num regime de uma normalidade democrática extraordinária. As instituições estão funcionando, devemos preservar aquilo que as instituições estão fazendo. E revelar com isso a democracia plena do país”.

Tanto Temer quanto Barroso foram ‘felizes’ nas suas ponderações. Contudo, o cenário geral é infeliz. A Câmara dos Deputados tem se portado de forma vexatória em todas as frentes, mostrando comum a “Casa do Povo” não deveria se portar. Quem acompanha as sessões em plenário e nas comissões, além do Conselho de Ética, pode constatar que a “Casa” se conduz pela conveniência e os interesses de quem tem maior poder político e controle financeiro. De qualquer forma, o Supremo impôs uma redução no ritmo da “bagunça” e deu fôlego para o governo se rearticular em relação ao impeachment, bem como também ampliou o espaço temporal para que os aliados do Planalto tentem aumentar o desgaste de Eduardo Cunha no Conselho de Ética. Ontem, Cunha conseguiu destituir o relator do seu processo de cassação e também derrubar a liderança do PMDB na Casa.

E nesse jogo de egos e brios, o Brasil continua à deriva, sem ninguém assumindo a responsabilidade de timoneiro. Por isso, qualquer ponderação “feliz” apenas engrossa o caldo desta infeliz página da história nacional.

Mais uma vez o resultados das discussões e ‘guerras’ travadas em Brasília resultado em derrota para tudo e todos. A política brasileira vai seguindo o nada confiável Eurico Miranda e o combalido e rebaixado Vasco da Gama… Sobre isso, escrevi o editorial publicado hoje na Gazeta do Paraná…

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Lembram da famosa Caravela dos 500 anos do Brasil?

Quem vai seguir o Vasco?

O todo-poderoso Eurico Miranda, presidente do Vasco da Gama, em agosto deste ano, disse que “se o Vasco cair eu me mudo para Sibéria”. Bem, como todos sabem o Vasco caiu e o seu presidente ainda não esboçou nenhum movimento de mudança para o gelo siberiano. Ontem, Mario Sergio Conti estreou sua coluna semanal na Folha, com o sugestivo título “O naufrágio” e listou: O zika e o surto de microcefalia. A lama tóxica que desaguou no Atlântico. O estouro dos cafofos da Petrobras e da CBF. Cabeças coroadas da burguesia e do PT vendo o sol nascer quadrado em Curitiba. Está tudo junto e misturado. É da natureza das crises amalgamar o acessório e o vital. Com isso, se firma a imagem que a barafunda atual é autóctone. Ocorre que a crise é planetária. O capital não tem pátria e o florão da América não é ilha.”

O Brasil, como nunca antes na história desse país, acumula problemas cuja solução ainda não foi ‘desenhada’, muito menos arquitetada de forma a ser exequível. O Aedes Aegypti, aquele mosquitinho que tem espalhado o terror pelo país, até agora, venceu todas as batalhas e, nenhum governo teve competência para “convencer” a população a cuidar da sua própria casa, nem teve ação eficaz para combatê-lo e contê-lo. A lama de Mariana (MG), as estradas e pontes levadas pelas chuvas, isolando comunidades e destruindo histórias e vidas, parecem nem ser assunto importante. Em Brasília se gasta muita energia e dinheiro contabilizando votos contra ou favor do impeachment da presidente Dilma, no processo que pode acabar com a cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. No Senado, o líder do governo está na cadeia e empreiteira de “poder” nos governo de Lula e Dilma fazem acordo de delação premiada admitindo que suas obras foram conquistadas através de propina. E a lista poderia ser ainda maior de fatos que estão gerando mazelas e sequelas na sociedade brasileira que estão à margem da prioridade estatal… Agora, a “briga” é para saber quem cai, quem sobe e quem fica.

Mas, segundo Conti, “a queda já ocorreu. Porque PT, PSDB e PMDB adotaram a mesma divisa: nada pelo social, o Brasil não cabe no Orçamento da União. Os pobres devem se conformar, devem gramar de sol a sol como motoboys. No dia de São Nunca os partidos verão o que fazer com ônibus, hospitais e escolas. Dane-se o sofrimento social. Naufragar é preciso.”

E aí fica a pergunta: “quem vai seguir o Vasco em sua queda com um presidente que não teve competência para reverter a situação e, como todos sabem, não cumpre promessa?