Há poucos dias, pelo editorial, a Gazeta do Paraná alertava sobre a necessidade, que passou a vigorar esta semana, de que todo usuário do sistema de transporte coletivo urbano de Cascavel tenha o seu cartão magnético (cartão ValeSim) para poder utilizar o transporte. A contragosto da maioria dos usuários que ainda não tinham o cartão, o sistema foi implantado e, no que depender da Prefeitura e Câmara de Cascavel, bem como das empresas concessionárias, este é um caminho sem volta. Hoje, mesmo quem discorda da obrigação, se não possuir o cartão, vai ter que encontrar outro meio para se locomover. Se ainda há o caminho do questionamento judicial, não há mais possibilidade de pagar a passagem com dinheiro. 

Para alguns, a obrigatoriedade do cartão é um retrocesso (isso discordo) para outros maior facilidade e segurança. Para quem não mora em Cascavel, sem dúvida, é um incômodo a mais, ainda sem solução…

Editorial publicado no dia 11/11/2015

Bilhetagem eletrônica: prepare-se!

Não só Cascavel, como outras cidades do Brasil passam pela polêmica da modernização do transporte coletivo urbano. A bilhetagem eletrônica é amada por uns e temida por outros. E, como pano de fundo desta discussão, ainda existe a crise econômica e institucional brasileira que deixa todos inseguros e com muitos questionamentos e temores. Em Cascavel, aproxima-se o dia final para utilização de dinheiro em espécie dos ônibus das duas empresas que exploram o sistema. A partir do dia 1º de dezembro, somente utilizará os ônibus do transporte coletivo de Cascavel quem tiver à mão o cartão magnético da ValeSim.

Na maior cidade do Brasil e da América do Sul, São Paulo, a discussão também existe há muito tempo, segundo a tendência mundial que também chega ao interior do Paraná. Cascavel é uma “jovem senhora”, de 64 anos, que caminha rumo à modernização. Por enquanto, pouco se entende a respeito da modernização que a proposta das obras do PDI (Programa de Desenvolvimento Integrado) promoverá na cidade, até porque as obras, neste momento, mais atrapalham que ajudam a rotina cotidiana do cidadão. Porém, a mobilidade urbana é o foco principal do PDI e, neste contexto, o transporte coletivo urbano ocupa posição ‘sine qua non’ no conjunto da obra. Em seu editorial, ontem, a Folha de S. Paulo abordou a questão da bilhetagem afirmando que “a substituição dos cobradores de ônibus por sistemas eletrônicos de arrecadação é uma tendência mundial. No Brasil, porém, os sindicatos retardam a inevitável modernização, alegando que a categoria desempenha outras funções: auxiliam passageiros, dá informações, evita fraudes na catraca”.

Em Cascavel, o debate é relativamente novo, mas em São Paulo não. “A Prefeitura de São Paulo estuda maneiras de reaproveitar os cobradores em outras tarefas desde que as catracas eletrônicas começaram a ser implantadas na cidade, em 1994. Nenhum prefeito, porém, conseguiu levar a ideia adiante”, registrou o editorial. Outra informação interessante é que na capital paulista, “mais de 90% das passagens são adquiridas mediante Bilhete Único. Ainda assim, cobradores custam à administração municipal mais de R$ 1 bilhão por ano, respondendo por metade do subsídio pago pela prefeitura para equilibrar o sistema (outros R$ 5 bilhões provêm da tarifa)”.

Importante que se diga, também, que a pressão para o reajuste da tarifa que de acordo com o contrato de concessão acontece em dezembro, não é formada somente pela folha de pagamento (que inclui os cobradores). Embora o custo com pessoal seja um dos mais elevados da planilha utilizada para composição da tarifa, o reajuste dos combustíveis, lubrificantes e pneus, por exemplo, promovem um efeito cascata em toda cadeia que, naturalmente, acaba no bolso do cidadão, do usuário do transporte coletivo que, no final das contas, está se transformando meio de transporte mais econômico, embora não seja nenhuma ‘pechincha’. E, não tem volta, melhor todos se modernizarem!

 

E vale a pena?

 

Em Cascavel, como em tantas outras cidades do Brasil, a Justiça Eleitoral está promovendo o cadastro biométrico como forma de tornar o sistema eleitoral mais seguro e evitar fraudes do tipo “voto duplo”, voto de “terceiros” e até votos de quem já morreu. Na Capital do Oeste, em particular, há uma corrida para evitar que se perca a condição de cidade que decide a eleição com possibilidade de segundo turno.

Antes das eleições de 2012, houve uma grande movimentação para que Cascavel atingisse a meta dos 200 mil eleitores e, assim, conquistasse a condição de eleições em dois turno que, em primeira análise, daria ao vencedor a “certeza” de ter a maioria absoluta ao seu lado na vitória. Mesmo que esta seja uma tese questionável o fato é que a disputa em dois turnos deixa, sem dúvida, a disputa mais interesse e amplia as possibilidades de debate entre os candidatos e análise entre os eleitores. E, se não há possibilidade de escolher um ‘bom candidato’, resta o consolo de optar pelo ‘menos ruim’.

Há, contudo, um grande desinteresse do eleitorado de Cascavel e também do restante do país. As campanhas que a Justiça Eleitoral tem feito repetidamente, não sensibiliza o cidadão, cada vez mais desacreditado da política e dos políticos. Pesquisa eleitoral sobre a disputa pela Prefeitura de São Paulo, revelou um dado que é, sim, retrato de todo o país. A um ano das eleições municipais, 71% dos eleitores afirmam não ter preferência por nenhuma das 35 siglas existentes – paradoxalmente ao o recorde de oferta partidária no país desde a redemocratização.

Também há quem diga que, se no Brasil, votar não fosse obrigatório, a participação popular cairia drasticamente, talvez, por isso mesmo o cadastro biométrico não desperta grande interesse entre os cidadãos aptos ao voto. Porém, caro (e)leitor, é no momento do voto que aqueles que ainda têm esperança de algo possa mudar e melhorar a partir do pleito eleitoral é possível participar ativamente do processo de seleção. Na grande maioria das vezes, concluída a eleição e os candidatos eleitos sendo diplomados e tomando posse em seus respectivos cargos, pouco ou “nada” se pode fazer até a próxima eleição.

Por isso mesmo, participar do processo de escolha e buscar qualificar os seus representantes ainda é uma das armas que o cidadão tem e  que o faz respeitado, pelo menos no período que antecede a disputa e durante  a escolha propriamente dita. Assim, se vale a pena ou não fazer o recadastramento é uma pergunta que cada um deve fazer a si mesmo… A resposta é única e individual, porém, seus efeitos terão reflexo sobre toda sociedade!