E a Câmara de Cascavel escreveu mais um de seus emblemáticos capítulos. A Comissão de Ética apontou para a cassação do vereador Ganso Sem Limite (Jeovane José Machado) por quebra de decoro parlamentar no caso da “burla” das filas do Cisop… No plenário, os vereadores acharam a pena exagerada, mas não houve diálogo suficiente na comissão, então, com os demais membros da Casa, para que uma outra punição fosse adotada. Final das contas, o Ganso “voou” livre leve e solto e, segundo o vereador e médico Jorge Bocasanta todo mundo vai continuar fazendo o que o Ganso faz que, mesmo errado, ‘ajuda’ as pessoas sem pedir “nada em troca”. Ouvir os discursos dos vereadores é de embrulhar o estômago… O editorial da Gazeta do Paraná desta terça-feira dá um pano de fundo para o ‘embrulho’…

 

Demagogia, corporativismo e discurso enfadonho

A saúde continua sendo um palco para demagógicos, oportunistas e busca de votos. O episódio envolvendo o vereador Ganso Sem Limite (Jovane José Machado) mostrou, mais uma vez, que o problema da saúde pública no Brasil está longe de ser equacionado, não por falta de recursos financeiros e capacidade dos profissionais da saúde, mas por problema de gestão (administração eficiente) e vontade política. Ganso foi “absolvido” e não foi cassado na votação da Câmara de Cascavel, ontem, talvez pelo exagero da “pena” proposta pelo relatório da Comissão de Ética, mas principalmente pelo que disse o médico e vereador petista, Jorge Bocasanta que a prática dos parlamentares intervirem em favor de “A” ou “B” seja prática comum e de todos.

E, como foi dito por alguns dos vereadores, no discurso contra a cassação (“vai que, amanhã ou depois, um precisa do outro aí e, aí, como é fica [sic]” – Ganso Sem Limite após votação que livrou Paulo Bebber – no caso do “500 pau” da cassação) seria preferível “perder o mandato” que deixar de ajudar uma pessoa necessitando de ajuda. Demagogia, como traduz os melhores dicionários da língua portuguesa, é “aquilo que favorece as paixões populares e que promete, sem poder cumprir; que excita as paixões populares por promessas vãs ou irrealizáveis”. Logo, quem acompanha a política tupiniquim sabe que o ingrediente principal e mais forte dos “nobres” agentes políticos, com raríssimas exceções, é a demagogia. Nenhum político, em “sã consciência”, renuncia seu mandato por não concordar com o sistema corrupto estabelecido e conhecido de todos. A renúncia, só vem quando, este agente pego com a “mão na massa (ou no jarro)”, usa do artifício da renúncia como última instância antes de ser cassado para não perder, de imediato, os seus “direitos políticos” que nada mais é do que a prerrogativa de poder disputar uma nova eleição. O caso que denominados “Gansogate”, de fato, diante da realidade política brasileira, “talvez” não merecesse, embora Comissão de Ética tenha apontado que sim, a cassação.

Porém, serve de vitrine, espelho da demagogia, do corporativismo e do discurso enfadonho (por ser sempre ter o mesmo teor que provoca a inteligência do cidadão consciente dos seus deveres e obrigações diante da sociedade) que caracterizam os parlamentos municipal, estadual e federal. E, por fim, caro (e)leitor, tudo continua sendo com sempre foi e, quiçá, não seja igual no futuro. É aquela coisa de que a esperança é a última que morre e o brasileiro não desiste nunca… E, agora, a atual legislatura coleciona a sua segunda pérola ou “brincadeira”.

O ex-presidente Lula, mais uma vez, foi infeliz ao abrir a boca. Não vou, nem quero discutir esquerda, direita ou centro… Aliás, ideologia no Brasil é algo que quase não existe, salvo alguns abnegados que ousam defender e sustentar suas bandeiras, independente de conquistarem votos ou poder. Já quem está, passou ou tenta chegar ao poder a todo custo, o que menos tem importância é ideologia.

Mas, voltando ao Lula, a questão foi ele usar de “comparações” e “análises” envolvendo pastores evangélicos. Evidentemente, tem pastores e “pastores”, igreja e “igrejas”. Mas, algo que é preciso aprender, pelo menos em minha opinião, é que não se deve banalizar a fé das pessoas, suas crenças e símbolos de fé. O Lula foi infeliz ao afirmar que os pastores decretam toda “culpa” ao diabo (“d” minúsculo) mesmo.

Neste particular, concordo com as palavras do senador Magno Malta (https://www.facebook.com/magnomalta/videos/911995325510892/?fref=nf) e do pastor Silas Malafaia (https://www.youtube.com/watch?v=R70-lVXQbfI&sns=fb)

Na Gazeta do Parana desta sexta-feira (22/05/15), o editorial foi o seguinte:

 

“… que te carregue…”

 

Há uma frase, atribuída Mark Twain, pseudônimo de Samuel Langhorne Clemens (1835-1910), escritor norte americano, que diz: “É melhor manter a boca fechada e parecer estúpido do que abri-la e remover a dúvida”. E este parece ter sido o caso envolvendo o ex-presidente Lula. Como bem colocou o Estadão, enquanto o governo Dilma Rousseff e o PT tentam enfrentar a pauta conservadora defendida pela bancada religiosa no Congresso, que tem à frente o evangélico Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, o ex-presidente Lula ironizou em tom de brincadeira os métodos utilizados pelos pastores neopentecostais, em palestra a sindicalistas na noite de quarta-feira (20), em um hotel no centro de São Paulo.

Apesar de bem humorado, Lula foi infeliz quando disse: “Os pastores evangélicos jogam a culpa em cima do diabo. Acho fantástico isso. Você está desempregado é o diabo, está doente é o diabo, tomou um tombo é o diabo, roubaram o seu carro é o diabo”.

Lula utilizou a prédica utilizada pelos líderes religiosos para comparar o processo judicial nos moldes do mensalão, no qual ex-dirigentes petistas foram condenados por desvios de dinheiro público com base na teoria do domínio dos fatos, que responsabilizou lideranças como o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, por atos de seus subordinados sob a argumentação de que ele tinha o controle da situação. “Eu acho legal (culpar o diabo) porque é direto. Não tem nem investigação. É direto. O culpado está ali. É a teoria do domínio do fato”. A plateia soltou gargalhadas e Lula ainda brincou com o dízimo nas Igrejas evangélicas. “E a solução também está ali. É Deus. Pague o seu dízimo que Jesus te salvará”, disse em tom eloquente, imitando uma pregação religiosa.

A infeliz brincadeira do petista, como era de se esperar, não teve boa repercussão entre os religiosos da linha neopentecostal ou mesmo das denominações mais fundamentalistas. Lula deu exemplo de como não se deve brincar com a fé alheia. Nas redes sociais, pastores e fiéis lembraram que “terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (carta aos Hebreus 10:31) e que de “não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá” (Gálatas 6:7).

Toda “desgraça” que o PT está colhendo em seu quarto governo consecutivo, com toda crise pela qual atravessa o País e a avalanche de corrupção que caiu no ‘colo’ da presidente Dilma, disseram os cristãos que se manifestaram, foi “semeada” pelo próprio PT e seus asseclas. Os mais exaltados mandaram recado para Lula: “o d… que te carregue”.