29 de abril… uma data para se esquecida? Claro que não! É com acontecimentos como o de ontem que a história se faz e as lições são aprendidas. Pelos menos se espera que alguns aprendam algo com o aconteceu ontem no Centro Cívico de Curitiba…  Os discursos, dos dois lados, pouco convencem… Para quem entende o que é “fisiologismo”, as manifestações de ontem soaram insossas… E, para quem “briga” para defender suas posição neste palco sempre vale “dois pesos e duas medidas”… O que se cobra no Estado não se aplica na União e vice-versa… O texto que segue é o editorial publicado nesta quinta-feira, 30 de abril, na Gazeta do Paraná…

 

Mais uma página triste…

 

Com a devida licença do leitor, o arrazoado desta quinta-feira, 30 de abril, é um desabafo. Jornalistas, por dever de ofício, têm que relatar o que acontece, trazer os fatos ao conhecimento de toda a opinião pública. Oferecer elementos para que todo cidadão tenha condições, com consciência própria, para estabelecer juízo, formar sua opinião e adotar suas posturas. Assim, toda imprensa séria do Paraná tem procurado oferecer todos os elementos, tanto do lado dos servidores públicos do Paraná, quanto do Governo do Estado, com relação ao projeto que promove mudanças na ParanáPrevidência. Porém, ontem, a situação estabelecida no Centro Cívico – que de civismo não teve nada – coloca abaixo toda e qualquer tentativa de estabelecer um consenso ou mesmo um “bom senso”. Por mais que os militares tenham recebidos ordens e tenham que cumpri-las, atirar (mesmo que sejam balas de borrachas) contra o grupo de servidores, formado por mulheres, ‘senhores’ e pessoas conhecidas pela sociedade porque são professores e servidores da educação, alguns agredidos com os cassetetes e atingidos por bombas de efeito moral e gás lacrimogênio, sem dúvida, é um ato, no mínimo, lamentável, para não dizer covarde.

Se havia uma determinação judicial para que a Assembleia não fosse invadida, não havia ordem para que os servidores fossem expulsos do Centro Cívico, pelo menos que se teve conhecimento. Os feridos, tanto manifestantes, quanto os policiais (20 PMs segundo a Sesp), são o retrato do que a falta de diálogo e consenso produziu no Paraná nas últimas semanas. Perderam os manifestantes, porque o projeto do governo foi aprovado. Perdeu o Governo do Estado que, apesar da vitória que a base governista lhe garantiu na Assembleia Legislativa, enfrenta um dos maiores desgastes da história política do Paraná. Perde a população que está prejudicada com serviços públicos (educação e saúde, sobretudo) paralisados e com atendimento ainda mais deficitário que antes, enfim, todos perdemos.

Os policiais militares que participaram da operação, ontem, na capital, deixaram, sim, o interior desguarnecido e a população pode perceber que quando há determinação das autoridades superiores, tropas são mobilizadas para qualquer fim… Mas, mobilização como esta, além de não se ter notícia num passado recente, certamente, não se terá futuramente em “proteção” ao cidadão de bem. Até agora, não se sabe quem foi protegido ontem, mas, certamente não foi o povo do Paraná… Foi um dia de “batalha campal”, um dia de luto para o nosso estado…

A obra poder ter sido completada em cerca de 7 anos, porque demorou para começar a ser erguida, mas os alicerces do “Teatro Municipal de Cascavel” foram lançados há 24 anos, pelo ex-prefeito Salazar Barreiros… Mas, a obra está pronta e agora os desafios continuam sendo homéricos’…

Este foi o editorial que escrevi na Gazeta do Paraná desta sexta-feira, dia história da tão esperada inauguração…

 

“Abram-se as cortinas”

Com ou sem polêmica, com “vaiasso” ou “vaiaço”, Cascavel vai ter, enfim, o seu Teatro Municipal. Se é maior ou menor que o de Toledo ou qualquer outra cidade do Paraná e do Brasil, o fato mais relevante é a novela da obra que foi palco de muita polêmica e jogo de empurra-empurra está concluída. Atendeu as expectativas? Foi mais cara que a previsão inicial? Foi um investimento desnecessário? Havia prioridades muito mais importantes que o teatro? Há ou houve irregularidades na obra? É um novo elefante branco na cidade? Todas estas perguntas, evidentemente, precisam de respostas e em nome da probidade e transparência devem ser respondidas na medida em que os questionamentos sejam feitos.

Apenas “protestar” por “protestar” não fará a menor diferença agora. Salazar Barreiros, Edgar Bueno, Lísias Tomé e, novamente, Edgar Bueno (por dois mandatos consecutivos) são os personagens desta obra. Todos contribuíram ou cometeram erros no processo, mas, enfim, a obra acabou.

No Brasil há uma tal de “verba carimbada” que, com certeza o caro (e)leitor já ouviu falar. Burra ou não, esta é a lei. Se o dinheiro está reservado para determinada obra, não adianta querer fazer outra coisa. Muitos dos recursos empregados no Teatro de Cascavel não poderiam ser utilizados para outra finalidade, bem como, outros recursos livres acabaram sendo direcionados à obra que, iniciada e inacabada, representava ainda maior prejuízo ao conjunto da sociedade. Agora, uma nova fase se inicia. Deixando de lado (mas não esquecendo) da polêmica dos convites e dos custos do Bolshoi, a administração municipal terá que mostrar competência ao gerenciar o teatro e fazer com que ele seja autossustentável e, ao mesmo tempo, fomente a produção e o acesso cultural na Capital do Oeste. O Teatro Emir Sfair, anexo ao Centro de Convenções e Eventos de Cascavel ainda continua subutilizado e o Centro Cultural Gilberto Mayer, apenas cumpriu seu papel sem grande destaque.

Há quem possa questionar que o Poder Público tem o dever de oferecer os instrumentos, mas não é responsável pelo fracasso ou pelo sucesso da cultura nativa.

Mas, antes de voltar à discussão de quem chegou primeiro “o ovo ou a galinha”, agora é necessário acompanhar de perto o “segundo ato”. O primeiro demorou 24 anos e custou R$ 15 milhões aos cofres públicos e todos os envolvidos no “processo cultural”, agora, precisam mostrar que valeu a pena todo o esforço e recurso gasto para que um novo “elefantão”, mais elegante, se torne exemplo de desperdício. Todo cidadão com um mínimo de “boa consciência” precisa torcer para que o teatro seja um sucesso, independente do Barreiros, do Bueno e do Tomé… Ao povo, o que é do povo!

Já pagou a fatura do seu cartão de crédito deste mês? Cuidado, se for pagar apenas o valor mínimo, o juro vai corroer sua renda – pagamento mínimo é armadilha. E, como se sabe, os juros aumentaram e não há nenhuma previsão ou tendência de baixarem… Logo, economizar é vital. Mas, nem tudo mundo vive este pesadelo… Confira o texto do editorial de hoje da Gazeta do Paraná:

 

Sonho de todo brasileiro I

Um cartão de crédito ‘sem limite’ e você não precisa pagar a fatura no final do mês, nem dizer o que ou com quem gastou… Quem não quer um presentão desses? Sem dúvida, é o sonho de todo brasileiro. Porém, são poucos os brasileiros “sortudos” para os quais este não é um sonho, mas uma realidade. Só para se ter ideia de como isso é real (e imoral), apenas em janeiro e fevereiro deste ano, o Governo Federal gastou R$ 6,3 milhões em pagamentos realizados por meio do cartão corporativo, o cartão de crédito com as características narradas no início deste arrazoado.

Deste total, cerca de 50% dos pagamentos foram feitos de maneira sigilosa, isto é, não é permitido ao cidadão comum conferir em que R$ 3,1 milhões dos cofres públicos foram aplicados. Além disso, segundo apurou o portal Contas Abertas, mais de R$ 1 milhão dos gastos realizados com o cartão são inacessíveis ao conhecimento público. Isto porque os recursos foram sacados e não foram identificados para que o “dinheiro vivo” foi utilizado. Sendo assim, na realidade, R$ 4,1 milhões (65%) foram executados, por meio do cartão, sem descriminação do bem adquirido ou do serviço prestado.

Quanto aos gastos caracterizados como sigilosos, a Presidência da República, como costuma acontecer todos os anos, sai em disparada: foi R$ 1,8 milhão no período. As maiores despesas foram realizadas pela Secretaria de Administração da Presidência, as quais somam R$ 877,1 mil. O Ministério da Justiça é o segundo que mais gastou de forma secreta, com pagamentos que somam R$ 1,3 milhão. O Dispêndio de maior relevância, de R$ 491,8 mil, foi efetuado por órgão vinculado ao Departamento da Polícia Federal, chamado Coordenação de Administração.

As demais despesas sigilosas foram de responsabilidade do Ministério da Fazenda, com R$ 13,3 mil, e do Ministério da Defesa, com R$ 687,49.

O Cartão de pagamentos funciona como um cartão de crédito e permite, também, a realização de saques em dinheiro. Ele tem validade internacional e é usado por representantes do governo federal. Geralmente é usado para pagamento de bens, serviços e despesas em materiais, contratação de serviços e ainda para pagamento de agências de viagens. Além disso, é isento de anuidade, mas não permite crédito rotativo ou parcelamento de compras. Os saques são liquidados diretamente na Conta Única da União.

E, tudo isso, acontecendo em um país em que a economia está parada, os empregos ameaçados e a credibilidade da classe política – abonada com cartões corporativos, mordomias e salários astronômicos – está em baixa, como nunca antes se viu na história desse país… É preciso dizer mais alguma coisa? O Brasil vive um “pesadelo” que parece não ter nenhum sinal de que vá melhorar nos moldes atuais… Não há ajuste fiscal que de jeito neste país se o governo, como um todo, não “tomar jeito!”.

A semana começou com esta reflexão sobre a crise econômica que tem afetado todos os setores da economia, especialmente a “economia doméstica”. O grande problema é a enquanto o país vai parando, a corrupção continua galopando e os escândalos se sucedem, apertando ainda mais a economia para baixo… E aí vai continuar assim?

 

País para, corrupção cresce!

Como foi seu início de semana caro (e)leitor? O pós-feriado de Páscoa, para quem não teve infortúnios na viagem ou qualquer outro problema, de fato parece estar tranquilo, “parado” até demais. O jornalista e colunista (Folha), Valdo Cruz, porém, propôs uma reflexão mais que pertinente neste início de semana: “País para, corrupção cresce!”. Segundo ele, “talvez seja esta a melhor síntese deste início de ano. Enquanto o país vai parando, a corrupção só faz avançar. Basta dar uma olhada na sucessão de escândalos, agora com o das multas milionárias da Receita Federal anistiadas à base de gordas propinas. Na economia, não estamos vivendo um caos, ainda temos jeito, mas entramos numa baita crise recessiva. A ponto de um grande empresário revelar que já avalia mandar seu dinheiro para fora do Brasil.”

E, embora a tranquilidade aparente esteja presente, quem tem dinheiro já está procurando lugares melhores que o Brasil para investir e isso, sim, é preocupante demais. De acordo com Cruz, dentro do governo federal, mesmo com a imagem de tranquilidade que a presidente quer mostrar, o clima é de apreensão. “O receio atual na equipe de Dilma Rousseff é que, se o país está desacelerando, o governo pode parar. Está todo mundo na Esplanada dos Ministérios com medo das tesouradas de Joaquim Levy. Dois ministros desabafaram que, se a presidente deixar, ele para a máquina do governo com um corte gigantesco. Dentro do PT, que defende um Estado forte e atuante na economia, é o fim do mundo, o império de uma política econômica neoliberal. Só que, hoje, os petistas não têm outra saída. Vão tentar, pelo menos, reduzir a intensidade do ajuste fiscal. Enfim, esse é o retrato atual. O brasileiro sente no bolso o país parar e assiste a sucessivos escândalos. Pior, descobre a cada dia que uma turma em Brasília ganha a vida facilmente negociando e roubando o seu dinheiro, como contribuinte.”

Mas, para minimizar a situação, pelo menos em Cascavel há notícias mais animadoras. Ontem, a imprensa pode ‘abrir as cortinas’ do famoso Teatro Municipal de Cascavel e mostrar onde foram investidos R$ 15,4 milhões ao longo de duas décadas em que a obra foi edificada. E, as também famosas “obras do PDI/BID” também começaram… As placas já foram instaladas e a movimentação começou. Serão mais de R$ 40 milhões e o que se espera é que não sejam outros 20 anos de novela!