Difícil acompanha a sessão da Câmara de Cascavel. O vereadores precisam, com urgência, fazer um curso de oratória para melhorar a comunicação entre eles mesmos. As falas dos nobres edis são confusas, incongruentes e de difícil entendimento. Fica difícil para apoiar ou discordar da posição do parlamentar porque não se entende exatamente o que o vereador está tentando expressar… Já que criar cargos não é problema para Câmara, a contratação de uma fonoaudióloga ajudaria, e muito…

Quem cobra honestidade precisa ser honesto primeiro, não é verdade? Então, todo cidadão que foi as ruas no último domingo contra a corrupção, quero crer, não é corrupto… Certamente todos que protestaram não venderam seu voto, mas também devolvem o troco a mais que recebe no mercado ou outro estabelecimento, bem como nunca foi até a Prefeitura ou à Câmara de Vereadores pedir um “favorzinho”, não é mesmo? Acredito, piamente, que quem estava na rua e vai continuar protestando sabe o real significado de cidadania, civismo, patriotismo, nacionalismo e democracia… O Brasil precisa mudar, mas, primeiro, é preciso começar a mudar aqui embaixo…

 

E adianta?

Hoje, há grande expectativa para as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff. Em todas as principais cidades brasileiras os protestos foram organizados, através das redes sociais, onde o “click” é fácil de dar, e prometem levar milhões às ruas. Se 50% dos que confirmaram participam nos eventos do Facebook realmente forem às ruas, a mobilização será coroada de êxito, pelo menos em levar o povo para rua. Mas, além de levar o povo para rua gritando, batendo panela e fazendo barulho, é preciso dar e ser exemplo daquilo que se cobra.

No Brasil, o famoso “jeitinho” que pode ser substituído por “hipocrisia” e “desonestidade”. Muitos dos que gritam e protestam contra a corrupção instalada no Brasil, seja em qual esfera for, tem práticas “corruptas” diárias. Quais? Basta fazer uma pequena retrospectiva pessoal para verificar se o famoso “jeitinho” não utilizado para conseguir alguma vantagem sobre alguém ou situação. Se o troco do mercado veio a mais, por exemplo, devolveria? Ou o “conhecido” lá na Prefeitura, na Câmara ou na Unidade Básica de Saúde que “deu uma mão” para pagar menos imposto, furar a filha ou conseguir uma “indicação” ou “favorzinho”.

Quando essas vantagens são para usufruto pessoal, então há uma justifica plausível. Porém, quando o político, servidor público ou agente privado é flagrado fazendo coisas semelhantes (apenas como valores mais vultosos), então ele é safado, corrupto, antipatriota e desonesto, não é mesmo? Esse é o grande “mal do século”.

Neste domingo, sem dúvida alguma, muitos que participarão do protesto têm legitimidade para fazê-lo, porém, uma grande parte não teria, não tem. Em junho de 2013, como a foto da cada deste domingo registra e relembra, milhões foram às ruas e o que mudou? Nada ou quase nada! O governo de hoje, é mesmo daquele dia… E, no Congresso Nacional, quase 40% dos deputados estão no primeiro mandato. Os senadores de primeira viagem chegam a 20%, mas os “novos” mantiveram as mesmas práticas e, dos que foram às ruas naquele 20 de junho, continuaram agindo da mesma forma. Então, do que adianta tudo isso se as pessoas não adquirem consciência nova e crítica, não reformulam seus conceitos e deixam velhas e condenadas práticas na lata do lixo?

Um click, um gritou ou uma pancada na panela não fará diferença se o cidadão não evoluir de forma a entender que a corrupção não nasce com os políticos, mas é fruto da própria sociedade. Vai protestar? Proteste, primeiro, contra o que você condena nos outros, mas não muda em si mesmo!

No editorial de hoje da Gazeta do Paraná, fiz uma a sugestiva comparação entre o mosquito da dengue e o político corrupto dá uma ideia bem simples de que o Brasil vai continuar sofrente com a dengue, tanto quanto com corrupção (essa sempre hemorrágica). Agora, é possível melhorar a situação acabando com o “mosquito transmissor”. Se não acabar com a doença, pelo menos diminui, e muito, os casos de contágio!!!!

 

Dengue “e corrupção hemorrágica”

Nos últimos dias o Brasil vem sendo bombardeado pela mídia com a crise econômica e política que, sem dúvida, é a mais grave desde que o Plano Real apareceu como a “salvação da lavoura”. A volta da inflação, o ressurgimento da recessão e os escândalos de corrupção que abalam municípios, estados e União, ocupam o noticiário e as discussões nas rodas dos “cientistas” e “analistas” políticos de plantão por todo o país. Mas, enquanto isso, o Brasil vai caminhando aos trancos e barrancos. Se a saúde da economia nacional vai mal, a saúde do cidadão brasileiro também não vai nada bem. Basta ver os índices de uma doença que já deveria estar erradicada: a dengue! E a dengue é um ótimo exemplo do quadro nacional.

Acompanhe o raciocínio. Para acabar com a dengue, é preciso combater o mosquito transmissor que se prolifera em locais sujos e que acumulam água. Logo, a sociedade precisa fazer sua parte e manter suas propriedades limpas e o poder público, no macro, fazer a sua parte de manter as cidades limpas, com lixo acondicionado nos locais devidos. Além disso, aquelas pessoas que contraíram a doença, precisam receber o tratamento adequado para a cura e restabelecimento da sua saúde. Porém, muitos agem de foram inconsciente e inconsequente, deixam o lixo e água se acumularem e favorecem a multiplicação do mosquito, o Poder Público na faz sua parte na limpeza e a estrutura de tratamento acaba sendo insuficiente e ineficaz.

No estágio atual da política nacional, a partir da inconsciência e inconsequência do eleitor, os mosquitos (políticos) transmissores da “corrupção hemorrágica” vão proliferando e a sujeira só aumenta nos poderes, sem que a limpeza aconteça, nem parte do eleitor e muito menos pelo Poder Público (Executivo, Legislativo e Judiciário). Sem cuidar da transmissão e proliferação, combater a doença é missão “impossível” e o tratamento dos doentes, ainda mais agonizante. Não há estrutura de tratamento e, quando os transmissores e os infectados pela doença são identificados, não há quem se disponha a aplicar o remédio que, como se sabe, não é agradável. Assim, vamos de escândalo em escândalo, fingindo que são exterminados e a saúde moral e institucional restabelecida.

Como no carro da dengue, a doença que já deveria constar apenas nos livros de história, a corrupção se fortalece por culpa que o (e)leitor sabe bem de quem é!

Como está a sua semana? No último domingo a presidente Dilma reconheceu o seu direito de ficar irritado, porém, pediu paciência… Particularmente, minha paciência anda curta…

No editorial de terça-feira, da Gazeta do Paraná, escrevi o seguinte:

 

Aguenta aí…

“Você tem todo direito de se irritar e de se preocupar. Mas, mas lhe peço paciência e compreensão porque essa situação é passageira”. Essa foi uma das frases do discurso da presidente Dilma Rousseff, em cadeia nacional, na noite de domingo (Dia Internacional da Mulher), dentre outras que chamaram a atenção no longo pronunciamento de 15 minutos que, para muitos, fez referência a outro país, a outro Brasil.

A crise internacional ainda foi a “grande culpada” pelo arrocho deste início de ano, bem como da recessão vivida pelo país desde o ano passado. Agora, diz a presidente, o governo está “dividindo a carga” com a sociedade para que o país retome o crescimento. Entretanto, as manifestações que vêm ocorrendo por todo o Brasil nas últimas semanas é resultado da carga pesada que já vem sendo imposta à sociedade desde o ano passado. E é bom lembrar que “desde sempre”, é a sociedade, o trabalhador quem paga toda a conta e sustenta os palácios do poder.

Ainda ontem, questionada sobre o pedido de impeachment que vem sendo formulado, Dilma disse que não se pode “controlar” como e quem fará o pedido, porém, não demonstrou preocupação com a possibilidade já que “é preciso ter razões” para pedir e, para ela, elas não existem. Dilma também reconheceu que não há impedimento algum para que as manifestações pacíficas sejam realizadas, pois fazem parte do “jogo democrático”.

Este mesmo jogo democrático tem permitido que muito casos de corrupção sejam varridos para debaixo do tapete, mesmo com a atual onda de denúncias e o desejo da população que o Brasil seja “passado a limpo”.

O grande problema é que neste “jogo democrático”, a população acaba sendo mero expectador. As regras do jogo e os “juízes” são sempre os mesmos, ou seja, políticos que a própria população elegeu. Logo, a democracia brasileira ainda carece de ajustes mais severos e padece com a falta de regras mais rígidas para punir quem é flagrado com a mão no jarro, o dinheiro na cueca, na meia, na mala ou nos “barris de petróleo”.

Então, caro (e)leitor, vá tendo bastante paciência para controlar sua irritação e ir “aguentando” como puder a “conversa fiada de sempre”. No país de “Brasília”, a situação é bem mais cômoda. E quem está nos “palácios do poder”, não paga a conta, nunca… Só enche as burras de dinheiro, não é verdade?

O curso do Brasil neste momento é preocupante, bem como do Paraná e de Cascavel, tudo é uma massa (que esperamos não seja falida) só. Avaliando a situação a partir da esfera federal, é fácil perceber porque os gestores públicos não conseguem avançar positivamente nas celeumas. Há um “bate cabeça” inequívoco… Desarmonia em governos formados a partir de interesses políticos, financeiros e de poder, nada mais. Eficiência e conhecimento técnico excelente (ou notável) é o que menos importa na hora de formar as equipes… O que se podia esperar? O texto que segue é o editorial de hoje da Gazeta do Paraná!

 

Ainda falta muito…

“O quadro que se criou na esfera política, entretanto, conspira para que tudo se agrave. Cada vez mais isolada e perdida, Dilma mostra que não tem projeto, que não se afina com sua área econômica, que é odiada no próprio PT e que se tornou refém dos corvos que criou a título de manter a “governabilidade”. Parece caminhar celeremente para a autodestruição – diagnóstico, aliás, que foi apresentado, com essas palavras, pelo petista histórico Ricardo Kotscho em seu blog.” Trecho do texto “Dilma puxa seu próprio tapete”, do jornalista e colunista Marcos Augusto Gonçalves, mostra que a atmosfera no Palácio do Planalto é temerário.

O clima no Brasil se não é tenso para alguns é de incerteza para todos. A greve dos caminhoneiros, mesmo sem um comando definido e articulado, mostrou toda fragilidade do ‘gigante’ que ainda está sonolento. Além de outros “descontroles”, o governo ainda não tem uma proposta de como regulamentar benefícios dados pelo Congresso para transportadores de carga, cuja sanção sem vetos pela presidente na última segunda-feira se mostrou tão ineficiente quanto despreparada. A nova “Lei dos Caminhoneiros” não foi, não é e nem será suficiente para devolver a ordem e à normalidade, especialmente, porque o principal pleito dos caminhoneiros sequer foi discutido: redução do valor do óleo diesel. A decisão de sancionar a íntegra da lei foi tomada contra a opinião da área técnica do Ministério dos Transportes, que pedia vetos. Os técnicos não veem benefícios para os caminhoneiros, e sim para as transportadoras, que são as responsáveis por pagar o pedágio e regular a quantidade de carga do veículo.

E detalhe: O benefício dado a essas empresas, principalmente as do setor agrícola e de bebidas, vai gerar custos para o restante dos usuários da estrada. Isso porque os contratos de concessão previam o pagamento por todos os eixos e, com a mudança, os administradores das rodovias terão que ser compensados. A estimativa somente para os eixos levantados não pagando pedágio é que o valor das tarifas tenha que ser reajustado em 7%. O custo para o peso maior dos caminhões ainda terá que ser calculado. Não é preciso ser expert no assunto para saber que o governo está desarmonizado e a presidente é refém de quase tudo e todos. Está no poder, mas não tem comando…

Além disso, ficou clara e evidente a fragilidade da logística brasileira que depende, quase que exclusivamente do caminhão. Hidrovias e ferrovias são peças de ficção que ainda faltam milhas e milhas de distância para se concretizarem… O desabastecimento é apenas uma das muitas consequências de anos de falta de planejamento e investimento estratégico. No país que “reina” a “visão social” falta a prática de uma gestão transparente, eficiente e honesta… E a “Lava Jato” é apenas uma pontinha do grande iceberg que faz do ‘gigante’ um ‘anão anêmico’…