Eu não… No editorial desta quarta-feira (8/10), na Gazeta do Paraná, escrevi o seguinte:

“Denúncias”

Mal acabou o primeiro turno das eleições, quando uma soma enorme de denúncias empanturram nas redes sociais, novamente, a onda denuncista está de volta. Banners com números, fotos e frases atacando Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), mostrando seus “podres” e “desmandos” já poluem tudo e mais um pouco. A grande questão desta “onda”, é que as mentiras viram verdades e as verdades se perdem no meio das mentiras. O “denuncismo”, desde sempre, não contribui com nenhum processo.

O debate que se estabelece a partir de “denúncias de Facebook” que as famosas “verdades de internet”, é tão “burro” quanto a ideia de que o fato de encher a rede social deste lixo vai definir alguma coisa. De fato, este prática apenas deforma ainda mais a democracia e desinforma o já desinformado, inculto e alienado eleitor. A desinformação e alienação se dão exatamente porque se estabelece uma cultura “moderna” de que a internet é um “mundo de informações” que ajudam o cidadão a tomar decisões. De fato, se bem usada, a internet é um instrumento de excepcional utilidade para quem busca aprender utilizá-la.

Além de alguns jornalistas (porque nem todos têm esse hábito) e alguns abnegados cidadãos que acompanham, por exemplo, as sessões da Câmara de Vereadores, da Assembleia Legislativa e do Congresso Nacional (Câmara dos Deputados), o que é possível através das transmissões ao vivo ou mesmo das reprises disponíveis na internet e sinais de TV aberta (parabólicas) e a cabo, quem acompanha o dia a dia do trabalho dos nossos representantes? Nos Executivos estadual e federal, também é possível acompanhar o seu dia a dia, embora de forma mais limitada, mas quem se sujeita a isso?

Tudo é uma questão de hábito, educação e cultura. Hoje, a “facilidade” do “Ctrl C/Ctrl V”, aliada as velhas práticas bem conhecidas do “coronelismo” e dos “currais” eleitorais, facilitam a manipulação que, felizmente, dá sinais de enfraquecimento. Contudo, o (e)leitor precisa ser mais criterioso ao dar crédito, curtir e compartilhar as “postagens denuncistas”. E, finalmente, cada (e)leitor deve fazer uma autocrítica: “que bagagem tenho para depurar as informações/denúncias” que estão na internet?”