A liberdade de expressão é algo inegociável. Cada um tem o direito de expor o que pensa e como pensa. Isso defendo e sempre vou estar a favor. Porém, há que se cobrar, sempre, a responsabilidade do uso desta liberdade. Particularmente, como pai que sou, fiquei profundamente triste com a situação envolvendo o menino de 11 anos teve o braço amputado depois de ter sido “atacado” por um tigre no Zoológico Municipal de Cascavel. Claro que o pai foi irresponsável e o menino inconsequente. As imagens do menino junto da jaula do leão e depois do tigre, que muitos captaram (mas, ficaram passivos e também poderiam ter impedido a tragédia) acabaram por se espalharem pelas redes sociais, o que é até “natural”. Porém, as fotos do braço dilacerado do menino, já no hospital, tenho comigo que já é falta de respeito e “humanidade”. A dor deste menino, presente e futura, bem como o sofrimento de toda a sua família, deveria ser respeitada. O fato, em si, é notícia e precisa, infelizmente, servir de exemplo, mas a exposição, aliás, não autorizada, é lamentável. No meu perfil do Facebook não postei nem compartilhei… Nestas horas é possível observar determinados comportamentos que chegam a envergonhar aquilo que diferencia o homem do animal: “capacidade de raciocínio”.

No editorial da Gazeta do Paraná desta quinta-feira, tratei do tema!

 

O “termômetro” da CGN

 

Definitivamente, a quarta-feira foi um dia mais que difícil para Cascavel. Primeiro, a notícia de que a Caixa Econômica Federal cancelou a liberação dos recursos do FGTS para os moradores de Cascavel que tiveram prejuízos com as “chuvas de junho”. Além das inundações de água e lama, muitas residências foram destelhadas e a população atingida ainda “junta os cacos” para reconstruir a vida. A informação, foi repassada à Prefeitura de Cascavel ainda na tarde de terça-feira, mas só se tornou pública ontem e pegou muita gente no contrapé.

Evidentemente, tinha gente que estava querendo colocar a mão no dinheiro sem nem mesmo ter tido prejuízos com o clima adverso de junho, porém, muitas famílias aguardavam ansiosamente o recurso que seria a única forma de buscar a volta à normalidade. Prejuízos como estes, em um momento de economia instável, preços com alta escalonada e salários que não acompanham a inflação, desestabilizam por completo a economia familiar. E o “problema” é a falta da identificação das casas atingidas, mais um problema que a Prefeitura de Cascavel terá que resolver, depois de anunciar que estava tudo certo para os recursos serem liberados.

Além da péssima notícia do cancelamento do FGTS, quase no final da tarde uma tragédia em um local que sempre deve gerar admiração, satisfação e alegria às crianças. No Zoológico Municipal de Cascavel, a combinação da irresponsabilidade e imprudência de um pai, a ousadia e falta de percepção de perigo de um garoto de 11 anos e a ronda da Guarda Municipal, resultaram no ataque do tigre chamado Hu, que tem mais de 200 kg e três anos incompletos. E isso, caro leitor, acontece logo após a estarrecedora notícia do assassinato da pequena Maria Clara, cuja própria mãe foi a sua algoz.

Mas, e o que a CGN tem a ver com isto e por que o termômetro? Nas duas notícias, os muitos comentários dos internautas mostram com a sociedade anda desprovida de compaixão, solidariedade e de amor ao próximo. A CGN tem a espetacular capacidade de trazer a informação de forma rápida, em tempo real, proporcionando uma interatividade imediata, instantânea. E, quase sempre, a leitura mais acurada dos comentários postados nas matérias acabam por revelar um espelho preocupante da sociedade…

E, finalizando o retrato do triste dia de ontem, vítimas de agressão, jovens portando e consumindo drogas, falta de vaga em UTI e um senador desequilibrado.

Sequência de editoriais que escrevi para Gazeta do Paraná, ontem e hoje, retratam as velhas tentativas de sensibilizar candidatos a assumirem compromissos com determinados setores para, depois, se eleitos, tentar cobrar a execução… Com relação a segurança pública, “talvez”, algumas das ações sugeridas e cobradas agora não teriam salvo a pequena Maria Clara, vítima da própria mãe… Porém, “custa tentar e fazer algo” para evitar que mais vidas se percam…

 

Não custa tentar I

 

E, como não poderia ser diferente, época de campanha eleitoral é a oportunidade “ímpar” para achar soluções para os problemas de sempre, aqueles que são debatidos em toda campanha eleitoral. Mas, é exatamente nesta época que a sociedade tem voz um pouco mais ‘ativa’. Então, aproveitar para buscar o compromisso é uma estratégia que, vez ou outra, até funciona.

Por isso mesmo, especialistas em segurança pública lançaram ontem uma “agenda prioritária” para a área e vão pedir aos candidatos à Presidência da República que se posicionem sobre as propostas. A intenção é qualificar o debate sobre o tema e defender principalmente iniciativas para reduzir o número de homicídios no Brasil, que passou de 56 mil em 2012. A pesquisadora da UnB (Universidade de Brasília), Haydée Caruso, disse que desta vez a sociedade avançou um passo. “Nos momentos anteriores, éramos convidados a falar sobre as nossas ideias. Demos um passo anterior e nos organizamos no sentido de juntar pesquisadores e profissionais, que pensam de modos diferentes, e produzimos esse documento para estimular o debate”.

A iniciativa até deve servir como espelho para outros setores. No caso da segurança, o projeto reuniu representantes do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo; Centro de Estudos de Criminalidade, da Universidade Federal de Minas Gerais; Instituto Fidedigna, do Rio Grande do Sul; Universidade de Brasília; Laboratório de Análise da Violência, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro; Universidade Federal de Pernambuco; Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul; Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A agenda será apresentada aos coordenadores da área de segurança pública das campanhas dos presidenciáveis na quinta-feira (31), em São Paulo: “A ideia é influir com essa agenda pedindo posicionamento em torno desses pontos”.

O documento enumera seis prioridades e destaca a diminuição dos assassinatos como a primeira delas. A agenda propõe um Plano Nacional de Redução de Homicídios, que seria articulado nacionalmente e estimularia planos estaduais e municipais. Uma das iniciativas que o plano incentivaria é a criação de departamentos especializados em crimes contra a vida, para fortalecer os meios de investigação, incluindo investimentos na capacitação e equipamentos de perícias, além de aumentar o cumprimento de mandados de prisão de acusados de assassinato. Não custa tentar, não é?

(publicado na terça-feira, 29/07/14)

 

Não custa tentar II

 

Na edição de ontem, ficou registrado que especialista no setor de segurança pública elaboraram uma “agenda prioritária” que será entregue e debatida com os candidatos à Presidência da República neste pleito. E, de fato, “não custa tentar” arrancar compromissos dos candidatos e ações concretas de quem for eleito, isso não apenas na esfera federal, como também na estadual.

Cascavel, ontem, ficou estarrecida com a confirmação da morte da pequena Maria Clara Zortea Ramalho, de apenas 6 anos. As histórias ainda são desencontradas em alguns pontos, porém, o mais estarrecedor é o fato de a própria mãe, Vanessa Aparecida Ramos do Nascimento, ter participado do assassinato da criança, com a ajuda de sua amiga e uma espécie de “mentora espiritual”, Giulia Albuquerque.

Informações sobre um possível “ritual de magia negra” ou de ações sob as “ordens de Deus” foram levantadas na manhã de ontem e “tentam” explicar os motivos para o crime que teria acontecido no mês de março desde ano e que apenas agora veio à tona, tentam “explicar” a atrocidade cometida pela dupla, sem dúvida, com mente doentia e “maligna”. O caso da pequena Maria Clara assemelha-se, em muito, com o de Rafaela Trates, morta pelo padrasto, Gilmar de Lima, e que teve o corpo jogado em um poço abandonado com a ajuda, também, da própria mãe, Vani Trates, no início de março de 2013. Vani e Gilmar já foram julgados e suas penas, juntas, somam 77 anos e dois meses.

Mas, voltando ao tema inicial, sobre os debates e propostas dos especialistas para os candidatos, a pergunta é: se implementadas as muitas propostas, este homicídio teria sido evitado? Também foram levantadas vários questionamento quanto a atuação do Conselho Tutelar e da própria Secretaria Municipal de Educação, quanto ao acompanhamento e as buscas para verificar a situação da Maria Clara, sua família e o fato de estar fora de sala de aula.

Ainda há muitas perguntas para as quais se espera uma resposta convincente. Mas, o que não se pode aceitar é que nada poderia ter sido feito para evitar a morte da criança. Toda e qualquer ação que possa evitar a morte de um inocente deve ser empreendida, sempre. Se os debates e propostas são válidos, as tentativas do Conselho Tutelar, da equipe da Evasão Escolar e mesmo da própria investigação da Polícia Civil, precisam ser intensificados. Não custa nada tentar uma nova diligência antes do crime. Depois, infelizmente, vai ser tarde demais… Por isso, talvez, os sorrisos da Rafaela Trates e Maria Clara se apagaram.

(publicado na quarta-feira, 30/07/14)

Importante responder: o que acabou? Acabou o sonho do hexa, mas que sonho é esse e de quem? Acabou o patriotismo? Acabaram os problemas? Acabou a nação? O Brasil acabou? Acabou a fantasia? Cada um pode dar sua resposta depois da surra que a “seleção brasileira de futebol” levou do time de futebol alemão…Mas, o Brasil não é só futebol ou é?

Na terça-feira, por volta das 12h30 escrevi o editorial publicado hoje na Gazeta do Paraná, era preciso adiantar os cadernos para assistir mais um jogo do Brasil… E o texto foi o seguinte, sem premonições:

 

Acabou a Copa…

 

Hoje acontece o último jogo da Copa do Mundo do Brasil em um dia útil, no meio de semana. Ontem, alias, o jogo entre Brasil e Alemanha foi o último que, efetivamente, mexeu com a rotina do país. Agora, as finais, de sábado e domingo não vão alterar a rotina dos brasileiros. E, com isso, a ideia é que o Brasil volte ao “normal”, o que até seria pedir demais considerando que as campanhas dos candidatos em busca do voto já estão liberadas. Mas, o que sobrou ou vai sobrar da Copa?

É fato que a Copa do Mundo 2014, realizada aqui na terrinha, vai deixar seu legado, com pontos positivo e negativos. Na esfera política, situação e oposição, naturalmente, divergem. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirma que o evento é uma grande vitória para o país. Já Cyro Miranda (PSDB-GO) diz que gastos não valeram a pena diante do que ficará para a população. “Conseguimos desmentir todos aqueles que não só faziam a previsão de que a Copa não daria certo em termos de organização, como também desejavam que isso acontecesse por razões de ordem política”, disse Costa, lembrando que muita gente teve que “engolir” as previsões de caos e que o Brasil mostrou a capacidade que tem.

Já o tucano Miranda, presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado (CE), disse o seguinte: “Com a realidade das enchentes e da pobreza que ainda predomina no Brasil, é justo fazer uma coisa elitista? É justo fazer estádios que não vão servir pra mais nada? Não vamos ter legado e esta Copa foi uma extorsão do Erário. Uma extorsão pelas empresas que superfaturaram.”

Mas, o que importa mesmo é o que pensa a população, especialmente, aquela parcela que não mora nas cidades sedes onde nenhum investimento específico para a Copa foi realizado. Onde aconteceram os jogos, tirando a catástrofe em Belo Horizonte, a única coisa que se viu foi a “correria” das pessoas para conseguir chegar em casa a tempo do jogo ou as empresas parando tudo e reunindo seus funcionários em torno da televisão. Fora isso, a economia continua lenta e preocupante. O desemprego é uma realidade maquiada que ainda não veio à tona e a ordem em todos os setores é economizar, cortar gastos e esperar pelo resultado das urnas em outubro para “ver o que fazer diante do que pode acontecer”. Em resumo, o Brasil vive um clima de incertezas que poucos têm a coragem de escancarar… Ainda tem jogo no fim de semana, mas a Copa acabou e agora, ao invés de torcer pela “Seleção” está mais do que na hora de “torcer pelos brasileiros”. Em tempo: ao final da Copa, os jogadores da seleção vão conferir o saldo na conta bancária e voltar às suas rotinas, a maioria, claro, fora do Brasil!