O policial militar aposentado que disparou contra o professor, na tarde de quarta-feira, em Cascavel, já deu sua versão dos fatos e agora a autoridade policial dá prosseguimento às investigações e aos trâmite necessários para apuração e conclusão do inquérito. O ex-militar está preso e o professor sendo velado para posterior sepultamento. Contra o ex-policial, nada consta, a não ser uma folha de serviços e nenhum antecedente criminal. Contra o professor, algumas passagens pela polícia e o fato de que, para ele, a vida se encerrou da pior forma.

Sem fazer defesa de um ou de outro, o fato concreto, mais uma vez é que uma vida se perdeu por motivação ‘banal’: briga de trânsito, segundo o que foi dito até agora. Então, aquele eterna disputa entre ‘pilotos’ com CNH continua e, pelo jeito, vai continuar matando em Cascavel, no Paraná e no Brasil. Trânsito não é local de “disputas”, mas de convivência… Enquanto a vida tiver menos valor que carros e motos, e a gentileza e a educação não forem encaradas como virtudes necessária e imprescindíveis no trânsito, muita gente vai chorar por causa de um hospital, um velório ou uma prisão…

No editorial desta quinta-feira da Gazeta do Paraná, chamo a atenção para ‘fim’ do valor da vida!

 

Triste cidade…

Cascavel registrou ontem o seu 42º homicídio no início da tarde de ontem. Um policial militar aposentado matou, a tiros, um professor, filho de proprietários de um tradicional colégio de Cascavel. Os motivos ainda não foram oficialmente revelados pela autoridade policial. Há quem diga que foi um acerto de contos, há quem aposte em um crime banal, motivado por uma discussão de trânsito. Ainda outros comentários feitos por desavisados tentam dar outras versões para o fato que, infelizmente, acabam por fazer parte da “rotina” cotidiana da cidade.

E note, caro (e)leitor, que não se trata de um “mero” problema de segurança pública ou a falta dela. Um professor, homem conhecido, de família tradicional na cidade, tido como cidadão de bem. Um policial militar aposentado, conhecedor e também defensor das leis que foram projetadas para manter a ordem e harmonia social. Quem poderia imaginar que o encontro casual (ou não) destes cidadãos poderia acabar em mais uma morte violenta na Capital do Oeste? O que se espera, naturalmente, é que o crime seja devidamente explicado e as punições cabíveis sejam aplicadas pela Justiça.

Porém, há que se levantar, mais uma vez, a discussão em torno da ‘banalização da vida’. A sociedade sempre espera, nestes casos, que a motivação do crime seja esclarecida. Um vídeo de uma câmera de segurança de uma loja localizada próxima do local do crime e reproduzido no portal CGN.inf.br mostra (de longe) em que o professor para sua motocicleta ao lado do veículo do policial aposentado. Não dá para ver exatamente o que acontece, mas que segundos após o crime, uma viatura da PM chega ao local. Coincidência ou não, a polícia estava lá…

Sem fazer suposições ou levantar hipóteses infundadas, o fato concreto é que Cascavel precisa deixar de carregar a “pecha” de “fazenda iluminada” onde tudo se resolve no “facão” e na “bala”. O “velho oeste” é coisa do passado e de Hollywood. Se a vida tem valor, então, algo está errado no cotidiano social. Se a lei é para todos, posturas precisam ser revistas. Quem tem direito de estar armado ou, ainda, quem tem direito de tirar a vida do outro, seja por que motivo for?

De tudo isso, o que fica, são famílias esfaceladas e uma cidade triste com sua realidade!

Foi um erro grosseiro ou mesmo grosseria do Ministério da Integração Nacional ao divulgar que diante de 130 municípios municípios e mais de 490 mil pessoas afetadas liberou estrondosos R$ 140 mil para ajudar as vítimas e depois mais R$ 206 mil, enquanto Santa Catarina recebeu R$ 3 milhões… E não tem justificativa. O Paraná ajuda sustentar o complicado PIB nacional e alimenta o Brasil e merece tratamento justo do governo petista, independente se aqui são os tucanos que governam. Além disso, o Paraná tem 30 deputados federais, três senadores, é sede da Itaipu, tem um ministro (Paulo Bernardo) e a ex-braço forte de Dilma, a ex-ministra-chefe da Casa Civil e atual senadora, Gleisi Hoffmann… Não temos importância e representatividade suficiente para receber um tratamento, no mínimo, justo? E isso que estamos em ano eleitoral, Dilma quer a reeleição e o PT tenta governar o estado pela primeira vez…  No editorial de hoje, da Gazeta do Paraná, escrevi o seguinte:

 

“Piada Padrão Fifa”

Na consulta permanente à caixa de emails, ontem, me deparei com uma nota de repúdio do presidente da Alep (Assembleia Legislativa do Paraná), Valdir Rossoni (PSDB), sobre os recursos que o governo federal liberou ao Paraná. Naturalmente, fui checar a informação e o motivo do ato (e peço licença aos leitores para conduzir o texto em primeira pessoa, porque eu, Paulo Alexandre, enquanto cidadão cascavelense, nato, fiquei absolutamente consternado com a informação). E, confesso que, se não foi um erro grosseiro do jornalista (todos estamos sujeitos a erros) e do editor que liberaram a matéria no Portal da Agência Brasil, há algo muito, mas muito errado lá pelos lados do Planalto.

O presidente da Alep assinou a seguinte nota: “Só posso considerar como mais um ato de desrespeito ao povo do Paraná, o anúncio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil que liberou R$ 140 mil (cento e quarenta mil reais) para a assistência às vítimas das chuvas no Paraná. Estamos falando de 130 municípios em situação de emergência e 422 mil pessoas atingidas pelos temporais. A notícia sozinha já seria uma afronta, um desrespeito, um escárnio para com o sofrimento dos paranaenses, mas ela fica ainda pior quando vejo no mesmo site da Agência Brasil, do Governo Federal, que o repasse para ajudar as vítimas da chuva em Santa Catarina será de R$ 3 milhões.”

No complemento da nota, Rossoni usou do tradicional ranço entre adversários políticos: “Não posso aceitar calado este preconceito. Que o Governo Federal há muito vem tratando o Paraná com perseguição, isto é um fato público. Agora, porém, chegou ao limite o requinte da crueldade para com o povo trabalhador deste meu estado.”

Porém, o povo do Paraná tem que engrossar o repúdio do chefe do Legislativo do Paraná independente de questões políticas. Um estado como o nosso, importantíssimo para sustentar a economia nacional com sua produção agroindustrial, não pode ser “tripudiado” desta forma. Por isso, esperamos, seja apenas um “erro” ou informação “incompleta” porque a discrepância é sem precedentes. Santa Catarina merece receber até mais recursos para socorrer suas vítimas, porém, o Paraná precisa receber o mesmo tratamento. O povo do Paraná merece respeito e tratamento isonômico. E a bancada federal do Paraná vai ficar quieta ou só precisa do povo paranaense em época de eleição? E a senadora Gleisi Hoffmann, ex-ministra-chefe da Casa Civil e o também paranaense ministro Paulo Bernardo, não se sensibilizam com o drama das família da terra vermelha? Essa é a legitima “Piada Padrão Fifa”… Todos repudiamos essa insensibilidade. E os R$ 140 mil? Melhor deixar para engrossar a ajuda de custo do “Bolsa Copa” que a presidente Dilma concedeu aos servidores que vão “trabalhar” na Copa. Se o trabalho voluntário vai gastar quase R$ 10 milhões, que dirá aquele que não é voluntário… Enquanto isso, para a catástrofe paranaense…

Cascavel ainda limpa a sujeira da lama deixada pelas chuvas dos últimos dias, as famílias atingidas começam a trabalhar o “recomeço”, todos esperam que o abastecimento de água normalize e, enquanto isso, na Câmara de Cascavel, ontem, os problemas da população não encontraram espaço no parlamento…  Escrevi sobre isso no editorial de hoje da Gazeta do Paraná

 

E o que é prioridade, excelências?

Desde o sábado, a equipe do Portal CGN.inf.br trouxe com riqueza de informações, detalhes e imagens, com repercussão nesta terça-feira pela Gazeta do Paraná, todo o sofrimento das famílias de Cascavel e região Oeste e demais cidades atendidas com enchente que castigou o Paraná. Cascavel decretou estado de emergência, a cidade está com problemas sérios com desabastecimento de água o que até provocou dispensa das aulas em diversas escolas municipais e estaduais. Em Cascavel, há muito trabalho para se fazer até voltar à normalidade, tanto na cidade quanto no interior.

E, com toda esta situação, quem teve a paciência de acompanhar a sessão da Câmara de Vereadores indo até a sessão ou pela webrádio, não ouviu uma “vírgula” sequer sobre a questão. Até parece que aquela Casa não faz parte de Cascavel, infelizmente. A pauta da sessão, como já vem acontecendo há algumas semanas estava “magra” e até o projeto de lei e resolução que cria novos cargos efetivos (novos postos de trabalho para servidores concursados) não chegava a merecer tanto debate, já que toda Mesa Diretora assinou a proposta.

Entretanto, o tal projeto dos novos cargos colocou em rota de colisão, mais uma vez, os vereadores Marcio Pacheco (PPL), presidente da Casa, e o médico Jorge Bocasanta (PT), do bloco da oposição. É possível o (e)leitor ouvir todo áudio da sessão no link “arquivos de áudio” no Portal da Câmara de Cascavel – aliás, o que é recomendável para que cada um possa fazer seu próprio juízo sobre o Legislativo. Os dois parlamentares trocaram suas fartas e acusações diretas sobre as quais pouco se aproveita. Porém, nenhum dos 21 vereadores ergueu na voz para propor uma ação do Legislativo, qual fosse possível dentro de sua alçada e atribuições para oferecer alguma forma auxílio às famílias atingidas pelas águas, especialmente nos distritos de Rio do Salto, São Salvador e Juvinópolis, bem como aos 25 bairros atingidos pela falta de água…

Os representantes do povo nem ao menos mostraram ‘solidariedade’ de palavras ao povo que chorou amargamente no fim e também no neste início de semana. A Casa do Povo, ontem, foi apenas palco para mais uma “lamentável” sessão. Tomara que hoje melhore!

Segunda-feira de muitos desafios para o Paraná depois das chuvas, enchentes e tragédias! A grande pergunta que fica é se as autoridades vão ter a mesma veemência, velocidade e vontade política para recuperar as estradas, pontes e socorrer as famílias atingidas como fizeram para que o “mínimo necessários” para a “Copa das Copas” estivesse pronto para atender a exigências da Fifa para a sua festa… E quem vai atender as exigências das necessidades básicas da famílias atingidas ?!?!?

O jogo do Brasil com o Panamá, na TV aberta só transmitido pela Globo, “tenta” trazer os clima patriótico para a Copa do Mundo do Brasil. Já falamos demais sobre a paixão de “boa parte” da população – não a totalidade – pelo futebol, mas o repúdio com a “Festa da Fifa” bancada pelo contribuinte que só tem acesso à Copa e seu “fantasioso legado” pela televisão. No editorial desta terça-feira, na Gazeta do Paraná, trouxe informação sobre “avanços” na Educação entre 2006 e 2013… Como caminhamos lentamente para tornar esse país educacional e culturalmente um pouco mais desenvolvido… Mesmo deixando o ceticismo de lado, é difícil engolir estes índices diante de tanta celeridade e ‘boa vontade’ política e econômica com a Copa. E, não se trata apenas das obras dos estádios, as isenções fiscais que o governo concedeu à Fifa são histórica e homéricas… A única coisa que é consenso é a história de que o “brasileiro não desiste nunca…” Verdade, não dá para desistir, nem parar. Final do mês sempre tem conta para pagar e a Fifa e o Governo não ajuda ninguém ou quase ninguém…

 

“Melhorou…”

 

A semana começou com o governo federal fazendo festa (e quando se trata de educação todo avanço deve mesmo ser comemorado) porque a porcentagem de estudantes em atraso escolar no ensino médio diminui desde 2006, ao passar de 46% para 29,5%, em 2013. A taxa de distorção idade-série corresponde aos estudantes com pelo menos dois anos de atraso escolar. Os dados são do Censo Escolar do Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Nas escolas públicas, esse índice passou de 50% em 2006 para 32,7% no ano passado. Já nas particulares, de 11% para 7,6%. Os dados foram selecionados com o auxílio da plataforma de dados educacionais QEdu, onde as informações estão disponíveis para a consulta, desde ontem.

Quando o aluno ingressa no ensino médio, ele já passou por um percurso escolar de pelo menos nove anos no ensino fundamental. Segundo o coordenador de Projetos da Fundação Lemann, Ernesto Faria, o atraso no ensino médio mostra o problema do fluxo como um todo. “Temos altas taxas de reprovação, mas não temos política para lidar com os alunos que fazem a série novamente”, analisa Faria. “A reprovação pode estigmatizar os alunos e aumentar a chance de ele não terminar a educação básica”, diz.

Os dados de 2013 mostram que as maiores taxas de distorção idade-série no ensino médio público ocorrem nas regiões Norte e Nordeste, em escolas de áreas rurais. Consideradas escolas em zonas urbana e rural, Pará (57,3%), Sergipe (50,7%) e Piauí (49,2%) tem as maiores taxas. As menores são registradas em São Paulo (17,1%), Santa Catarina (18,4%) e Paraná (24,3%).

De todo essa apanhado de índices, o que é evidente é que as políticas nacionais para a educação tem apresentados avanços “lentos”. No início de 2014, Um relatório divulgado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) apontava que o Brasil em 8° lugar entre os países com maior número de analfabetos adultos. Ao todo, o estudo avaliou a situação de 150 países.

Então, que se comemore o avanço, mesmo que pequeno e lento, mas que não se crie ‘palanque’ em cima dele, mas se trabalhe com mais seriedade para que as políticas educacionais apresentem resultados de forma mais rápida e consistente.