A “Lei anti-bobódromo” ou “anti-bebedeira” nem precisar ser discutida se as leis que já foram discutidas, aprovadas e sancionadas fossem cumpridas, a fiscalização existisse e as penalidades aplicadas. Melhor ainda, se as famílias fossem bem estruturadas e não transferissem a responsabilidade da educação dos seus filhos para a escola e/ou professor. Alias, a sabedoria popular bem ensina que é melhor dar o exemplo que falar. E os exemplos observados em casa são levados para toda vida e acabam, cedo ou tarde, influenciando no comportamento e escolhas que o cidadão faz…

No editorial de hoje (quarta-feira – 21/05/14) da Gazeta do Paraná, abordei o assunto.

 

De berço…

 

A sabedoria “facebookiana” diz que “professor não é aquele te ensina a sentar direito, não bater no colega, não gritar com o outro, nem pegar as coisas sem pedir. O nome disso é família. Professor é outra coisa.” De fato, nos dias de hoje, em que todo mundo quer mais facilidade, seja em casa, na escola ou no trabalho, há uma deturpação de valores e funções. E neste “ciclo”, as funções são trocadas e as responsabilidades “transferidas”. A frase/pensamento que tem circulado no Facebook sobre o que não é ser professor, tem seu fundo indiscutível de verdade.

Na Câmara de Cascavel, ontem, foi aprovado projeto de lei “anti-bebedeira” ou “anti-bobódromo” para “tentar” diminuir a algazarra nas vias públicas, bem como reduzir a violência nestas aglomerações de “jovens” e, consequentemente, no trânsito. Porém, como já se discutiu inúmeras vezes neste espaço, caráter não se forma por decreto ou projeto de lei, mas, sim, vem de “berço”. É muito comum, infelizmente, os pais destes “jovens” desaprovarem as atitudes dos marmanjos (embora exista também quem apoio e até financie os bobos dos bobódromos). Porém, quando se investiga o histórico, se descobre que a família foi ausente na educação dos “bobos”, transferindo responsabilidades da família para a escola.

E, voltando ao Legislativo, mesmo que a lei proposta até receba aplausos e renda bons discursos e até votos entre os mais conservadores e moralistas, ela é inócua. Se oferece, sob alguns aspectos, instrumentos para que a autoridade constituída exerça papel de fiscalização, porém, não traz estrutura adequada nem para sua fiscalização, nem para sua eficaz aplicação.

É preciso, sem dúvida, “dissolver” os bobódromos, bem como buscar formas de “controlar” uso da droga lícita que é a bebida alcoólica. Entretanto, como todas as outras iniciativas anteriores com o mesmo objetivo, a sociedade vai continuar patinando sem sair do lugar. Enquanto os pais, responsáveis pela formação do caráter da criança ainda antes dela adentrar à comunidade escolar, não assumirem suas responsabilidades e funções, sem transferir à escola, nada vai mudar. Distinguir entre o certo e o errado, o sensato e o incoerente, a lucidez e a babaquice, não se aprende na escola, mas, sim, em casa, sobretudo com o exemplo dos pais. Essa é a lei natural, que jamais foi ou será revogada…

E os dias vão passando, a Copa do Mundo vai chegando e o cidadão sério, que trabalha todo santo dia para ‘sobreviver’ ao Brasil real, diferente daquele se vive nos palácios e corredores de Brasília, vai ficando de “saco cheio” das babaquices do “governos”. A economia não vai bem e todo trabalhador assalariado, que foi ludibriado para gastar o que não tinha comprando carro novo e entrando nos financiamentos do Minha Casa, Minha Vida, sabe que não está nada fácil fechar as contas do mês com  um salário que não aumenta e com o custo de vida todo mês em alta… Mas, a Copa do Mundo vai começar, e o tal “clima de festa”, imagina-se trará um novo “ânimo” e as coisas “vão melhorar”. Ledo engano… A “Festa da Fifa”, em muitos casos só atrapalha o cotidiano do cidadão e prejudica o faturamento das empresas, mesmo com o brasileiro gostando de futebol (um parcela e não toda população) e torcendo para que a Seleção leve o hexa… Nem chegamos a metade de 2014 e todos estão cansados… Não é fácil sustentar o poder no Brasil….

 

Babaquices (Editorial da Gazeta do Paraná de domingo, 18/05/2014)

“Nós nunca tivemos problemas em andar a pé. Vai a pé, vai descalço, vai de bicicleta, vai de jumento, vai de qualquer coisa. Mas o que a gente está preocupado é que tem que ter metrô, tem que ir até dentro do estádio? Que babaquice é essa? Tem que dar garantia para essa gente assistir ao jogo, tem que ter o melhor da comida brasileira, tem que tratar bem as pessoas nos hotéis…”Essa foi mais uma das pérolas do Lula. Em parte, ele está certo, que negócio é esse de “metrô para copa?” Mas, fora isso, é preciso ‘descontruir’ algumas das afirmações sem esquecer, é claro, o contexto “copa-política-eleições” que tem contaminado muitas análises e afirmações.

Não é fato que “nós não tempo problema em andar a pé”. No Brasil de hoje, anda a pé quem não conta com transporte coletivo de qualidade mínima e não tem dinheiro para comprar um carro (ou abastecer ele), uma moto ou até uma bicicleta. “Vai descalço …” Infelizmente, na grande parte do Brasil que fica de fora da “Festa da Fifa”, tem muita criança andando de pé no chão porque as promessas de políticos da “Era Lula” e também dos que vieram antes dele, fizeram e fazem muita “babaquice”. É preciso lembrar quem prometeu o metrô, trem bala e mais uma série de coisas para trazer a “festa” para cá. E quem, antes deles, deixaram o Brasil desprovido de uma infraestrutura mínima necessária para, por exemplo, um transporte público decente.

Mas, deixando a “babaquice” da Copa e do metrô de lado, é preciso lembrar que o Brasil real sofre com as “babaquices” do SUS que não funcionar, apesar de consumir bilhões de reais todos os anos; da educação pública que ainda é de qualidade questionável; das obras básicas que demoram anos para saírem do papel; da corrupção generalizada que sempre acaba debaixo do tapete e os cofres públicos “esvaziados” e os culpados, quase sempre “abrigados” no Congresso, no Planalto ou nos corredores e porões do poder.

Não existe “babaquice” maior que mentir ao eleitor, enganar a população e ainda querer posar de “santo”. Por que para isso não se fez até a pergunta “que babaquice é essa?” Bem caro (e)leitor, este arrazoado não trata de levantar bandeira de “A” ou “B”, mas, é sim, um alerta para que em outubro deste ano se comece a combater as “verdadeiras babaquices”.

Em um país onde se paga imposto até porque trabalhou e teve salário no fim do mês, é difícil concordar e aguentar as esfarrapadas desculpas do Poder Público pelas condições precárias de quase tudo… Quase tudo porque o “Padrão Fifa”  veio “salvar” os estádios de futebol construídos para a “Festa da Fifa”. Alias, estes serão elefantes brancos, salvo aqueles estádios que já eram tradicionais e seus os clubes vão continuar garantindo sua utilização (Beira-Rio, Arena Grêmio, Maracanã, Mineirão, Castelão e “talvez” o novo Itaquerão e a Arena da Baixada), o resto vai ser dinheiro jogado às moscas..

E aí, essa balela de que o brasileiro não é patriota e torce contra a nação, é de embrulhar o estômago. Se por aqui tivéssemos saúde, educação, infraestrutura urbana, saneamento urbano, transporte público e logística de transporte e saneamento básico “decente”, a Copa seria mesmo uma festa popular. Hoje, é apenas festa da Fifa, que vai lucrar bilhões as custas do dinheiro público que prioriza um evento da iniciativa privada em detrimento das necessidades da população. A questão crucial é que a Copa ajudam quem? Por que? Aqui no meu canto do Brasil, já to até perdendo a vontade de ‘torcer’ pela seleção… O pão ta azedo e o circo sem graça…

 

Editorial de hoje da Gazeta do Paraná…

 

Esse é o país da “Copa das Copas”…

E vamos nós falar, mais uma vez, das mazelas sociais brasileiras que afloram as vésperas da “Festa da Fifa”, a Copa do Mundo de 2014, aqui no Brasil. Já era tempo do país estar “respirando” Copa do Mundo, porém, bem pelo contrário, há um sentimento de insatisfação generalizada, não contra a Seleção brasileira e o futebol, em si, mas pelo situação do país…

E, a apesar do secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, ter afirmado que “não há manifestações que nos assuste” – até porque o Palácio do Planalto é muito bem protegido, ontem, no terceiro dia de greve do policiais militares de Pernambuco, o clima na região central da capital, Recife, era de pânico generalizado. Em alguns locais, comerciantes fecharam as portas com medo de arrastões e pedestres saiam em disparada ao menor rumor da chegada de criminosos. Servidores públicos e estudantes foram dispensados por medo.

Há ainda uma centena de ocorrências que poderiam ser relatadas para contextualizar a expressão “pânico” utilizada pela imprensa, ontem e hoje, mas o (e)leitor já deve ter entendido a gravidade do problema pernambucano, cuja greve da PM foi apenas a “gota d’água” e não a causa principal. E neste contexto, é preciso fazer algumas considerações. Primeiro, por mais irresponsável que possa ser a política de segurança pública daquele estado, aliada a falta de ação do Governo Federal, nada justifica o vandalismo, o roubo, o crime.

A diferença entre os cidadãos não está apenas na sua conta bancária, ou nos “canudos” que tenha ou deixou de buscar. As opções de escolha entre o certo e o errado, entre o ser honesto ou não, criminosos ou gente de bem, são pessoais. A decisão é sempre pessoal. E, por mais que se possa afirmar que as conjunturas sociais “forcem” o cidadão a tomar “atitudes extremas”, o que se vê em Pernambuco é um “bando” de “raivosos” escolhendo a forma errada de protestar e/ou apenas aproveitando a situação para roubar e obter de forma “fácil” o que até ontem não tinham acesso.

E além de saquearem o comércio, aquele bando, destruiu ou depredou patrimônio público e quem vai pagar a conta? Tudo vai sair do bolso do contribuinte. E o prejuízo das lojas que foram saqueadas e destruídas? Há, sem dúvida, um pano de fundo que vem sendo desenhado durante anos em Pernambuco e no resto do país. No ano passado, depois do #vemprarua, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte passaram pelo mesmo pânico, agora é Recife e amanhã, onde será? Então, esse é o país da Copa das Copas!

O “duelo” entre vereadores da Câmara de Cascavel, promovido pela CGN é positivo por duas coisas. Primeiro, porque faz muita gente que não tem noção nem quem são os vereadores de Cascavel, conhecer quem ‘nos representa’. Segundo, porque faz o cidadão pensar para escolher entre um e outro, ou ainda pular. Confesso que pulei a maioria e, em alguns casos, ‘votei’ depois de pensar demoradamente, e não foi fácil… O lado negativo, pelo menos para mim, é o resultado que foi construído inicialmente. Será ironia ou um “trolamento” dos internautas… De qualquer forma, a iniciativa da CGN é muito oportuna…

Detalhe, será que a liderança do Rui Capelão vai continuar após o desfecho da comissão processante que investiga o caso do “500 pau” da gravação em que o vereador Paulo Bebber aparece em suposta negociação de propina?

Trabalhar pela paz é sempre louvável. Porém, quando se usa de “meias verdades” e se empurra a sujeira para debaixo do tapete, mesmo que ele seja “branco”, pouco vai resolver. Muita gente que sustenta imagem de ‘cidadão direito, cuidadão do bem’, esconde podres que causariam revolta e temor geral se fossem divulgados. “Pipocam” pelas redes sociais, críticas ao programa “Esquenta”, conduzido por Regina Casé, que tentou sensibilizar o Brasil quanto a morte do dançarino “DG” que integrava os quadros do seu programa. A deputada estadual do Rio, pelo PDT, escreveu algo que precisa ser analisado, mesmo sendo ela de uma classe de pouca credibilidade. Campos é colunista do jornal O Dia, publicou, neste jornal e em suas contas nas redes sociais, um artigo com duras críticas à abordagem do programa quanto ao caso. Leia e deixe sua opinião. E não se esqueça, a violência, infelizmente, não é exclusividade do Rio de Janeiro. Em Cascavel, o fim de semana foi tenso.

“Uma hora e meia de irresponsabilidade: foi o que se viu no programa da Regina Casé na tarde do último domingo. A polícia ainda não disse o que aconteceu no Pavão-Pavãozinho, mas a vítima, o dançarino DG, já foi canonizada como um misto de Rudolf Nureyev e São Francisco de Assis.
Eu lamento a morte desse rapaz, assim como lamento a morte de Edilson dos Santos, o jovem com deficiência metal morto na mesma operação, e todos os PMs assassinados por bandidos nas UPPs e fora delas. Para esses, não se dedicou um programa na TV nem se produziu uma torrente de lágrimas em cadeia nacional.
DG era lindo, alegre, pontual, como disse Regina Casé. Mas o que fazia ele pulando de um prédio para o outro em plena madrugada? A polícia afirma que ele estava com o bandido maior da área, o tal de Pitbull, foragido da cadeia, que naquela noite promovia um churrasco na comunidade, quando o tiroteio começou.
É fato que o dançarino gostava de companhias pouco recomendáveis. No seu Facebook, postou que era “amigo eterno do Cachorrão” (traficante morto na mesma comunidade em janeiro) e chegou a dizer que os moradores iriam descer o morro “cheios de ódio na veia e bico na mão” para vingar a morte do facínora.
No mesmo domingo do programa, um grupo fez uma manifestação na Avenida Atlântica, mãe da vítima à frente tocando um bumbo, gritando “Fora, UPP!”. Certamente, preferem que os traficantes continuem donos das favelas. Uma repórter do jornal O DIA foi agredida na manifestação. Agora virou moda. Não faz muito tempo, jornalistas e qualquer serviço do estado só subiam a favela com autorização do tráfico. Quem tem saudades desta época?
Nunca houve no Brasil um programa de combate ao domínio do tráfico tão determinado e corajoso quanto a UPP. É mentira que a ocupação social não esteja acontecendo. Pode não ser na velocidade que desejamos, mas acontece na velocidade possível. Só quem não mora no Alemão pode ignorar o teleférico, o cinema, as creches, escolas, biblioteca, centro de computação. O mesmo vale para a Rocinha, para o Santa Marta, Chapéu Mangueira e tantas outras comunidades.
A esquerda caviar, que ganha dinheiro mostrando a cultura da favela, mas gosta de passar férias em Angra e Paris, não vai reconhecer nunca o trabalho do governo, a menos que ganhe cachê para isso. As UPPs são a nossa chance de retomar o Rio para os fluminenses. Alimentar o discurso contra elas equivale a voltar para um passado que uma emissora com a responsabilidade da TV Globo não tem o direito de esquecer.”