O dito popular diz que o ‘mundo da voltas’ e, de fato, dá… O que ontem era, hoje parece não ser e amanhã ninguém sabe se será… No mundo político, especialmente, as ‘nuvens’ estão em constante movimento e os companheiros de primeira hora, ontem, hoje são ilustres desconhecidos e, assim, segue a humanidade… No editorial de hoje, da Gazeta do Paraná, escrevi um pouco sobre isso e, amanhã, continua…

 

Dúvidas e certezas no ar…

Nessa mesma época do ano passado, as coisas estavam muito diferentes. Em Cascavel, a “nova” Câmara de Vereadores, com suas 21 cadeiras, depois da fatídica eleição da Mesa Diretora, dava a impressão que seria a ‘melhor’ das legislaturas… Na mesma época, Dilma Rousseff, como se diz no popular, “nadava de braçada” e ninguém, sob quaisquer circunstâncias, imaginava que a “salvação da lavoura”, hoje, seria a volta do ex-presidente Lula ao cenário eleitoral. Porém, hoje as histórias são outras…

Na Câmara de Cascavel, a história dos “500 pau” parece ter sido a “gota d´água” para abrir as comportas de uma “maré ruim” ao parlamento municipal, ampliando o descrédito da classe política local junto ao eleitor. Na mesma toada, no final de abril de 2013, o prefeito Edgar Bueno administrava o desgaste das medidas de contenção para fugir do índice prudencial, imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal que fez com que o atendimento à saúde tivesse sua rotina abruptamente mudada. Hoje, Edgar Bueno, às voltas com a Justiça Eleitoral para se manter no cargo, “sorri” com a aprovação do tão famoso e esperado empréstimo do BID que promete transformar Cascavel em um “canteiro de obras” e, de quebra, ontem o secretário de Saúde, Reginaldo Andrade, ‘desfilava’ com os quatro médicos do Programa Mais Médicos, mostrando “serviço”.

E, é do Paraná que emergem as figuras da crise nacional. André Vargas, o agora ex-homem-forte do PT, era o “cara” que prometia trabalhar para acelerar a decisão do TSE sobre a tentativa do deputado Professor Lemos assumisse a Prefeitura de Cascavel. A certeza é que ele não vai mais interceder a favor de Lemos. A dúvida é saber se a decisão sai ainda este ano e Cascavel se consolida, mesmo, como polo eleitoral estratégico para  campanha de Gleisi Hoffmann ao Governo do Estado. Por enquanto, “certeza” é que o mando político local continua a favor da reeleição de Beto Richa.

E, ainda nos corredores de Brasília, Alvaro Dias, será o outro paranaense no “centro da crise”, afinal, ele foi indicado para  CPI “exclusiva” da Petrobras que quer saber, com mais certeza, o rombo existente na Petrobras, hoje, um poço de dúvidas…

É possível traçar outros paralelos, caro (e)leitor. Mas este já são mais que suficientes para saber que, com certeza, o que se tem em Cascavel, no Paraná e no Brasil, são muitas dúvidas…

No país da “Copa das Copas” a coisa não anda muito bem., prova disso são as greves nos serviços públicos e a crescente onda de demissões “maquiadas” que a estatística oficial não que mostrar… Porém, o que antes era raro, agora está cada vez mais frequente: vizinhos, familiares e amigos procurando emprego. Conhece alguém? Infelizmente, eu conheço… No editorial de hoje da Gazeta do Paraná, de novo o “Padrão Fifa” em destaque…

 

Greves no país da “Copa das Copas”

Mais uma vez a imprensa registra greve de servidores públicos da educação, no Paraná, e paralisação nacional da Polícia Federal. Não foi a primeira manifestação de 2014 e, certamente, não será a última. E, em todas estas manifestações, o que mais se escuta é a exigência do “Padrão Fifa” para a Segurança Pública, para a Educação, para a Saúde e tantos outros setores carentes de melhor e mais eficiente gestão e decisão e vontade política de fazer acontecer. No, caro (e)leitor, que na itens elencados anteriormente não estão relacionados os recursos financeiros.

O Brasil, sem a menor sobra de dúvidas, é um “país rico”. O “Padrão Fifa” só foi possível estabelecer nas obras e preparativos da Copa (mesmo que questionáveis em seus gastos e qualidade), pela ‘vontade’ e o ‘compromisso’ do Governo Federal, primeiro com o ex-presidente Lula, e agora com presidente Dilma Rousseff, em fazer acontecer a “Festa da Fifa”, ao melhor (e mais caro) estilo. Por isso, é bem provável, que a cobrança por este “Padrão Fifa” em todos os setores da gestão pública.

Em especial, esta semana, a educação reclama este padrão. E note, caro (e)leitor, que este clamor é uma via de “duas mãos”. Assim como os professores e os servidores da Educação do Paraná lutam por melhores salários e as ditas condições de trabalho, também a sociedade cobrar, quer e merece dos servidores e gestores públicos. A greve iniciada ontem, atinge milhares e milhares de famílias prejudicando seus cotidiano e promovendo atraso no cronograma que, se não for corretamente reposta, implicará em prejuízo à comunidade escolar.

Se é fato os professores “ganham mal” e as condições para a prática do ensino não primam pela qualidade, é fato também que o comprometimento do servidor público em sua função, seja ela qual for, faz toda diferença no resultado final do trabalho. Lutar por melhorias salariais e condições mínimas adequadas para o desempenho da função é um direito, além de uma necessidade do servidor público. Por outro lado, aqueles que buscaram a esfera pública em busca, apenas, da famigerada estabilidade, precisam rever seus conceitos e posturas para não levar todos os seus companheiros de lida para a “vala comum” da incompetência pública.

Editorial desta quarta-feira publicado na Gazeta do Paraná

 

“Cafezinho da paz”

 

A sessão da Câmara de Cascavel, ontem, foi mais uma daquelas históricas. O vereador e pastor Celso Dal Molin (PR), que assumiu a temporariamente a cadeira do vereador Paulo Bebber, que decidiu se afastar do cargo para preparar sua defesa prévia, já apresentada à comissão processante que pode determinar a cassação do seu mandato por conta da história dos “500 pau”, ontem fez uma “pastoral” na sessão que pode marcar sua despedida do legislativo, se Bebber retorna mesmo à Câmara no dia 20.

Aproveitando a “Semana Santa”, Dal Molin fez uma breve, porém, profunda reflexão sobre a Páscoa e seu verdadeiro sentido cristão. Talvez essa tônica, tenha “amolecido” os corações e guardas dos vereadores da base e da oposição que, ao que parecem, decidiram tomar o “cafezinho” ou “cappuccino da paz”. Depois das metralhadoras giratórias disparadas contra Rui Capelão (PPS) – da oposição – na segunda-feira por causa da “denúncia” um tanto quanto vazia ou desprovida de fatos mais contundentes contra Luiz Frare (PDT) – situação e aliado de primeira hora do prefeito Edgar Bueno, a expectativa é de que ontem viria a réplica de Capelão com tréplica ainda mais carregada da situação.

Porém, Capelão adotou um discurso-resposta mais branda. Talvez, aconselhado com o Pastor Dal Molin, tenha entendido o ensinamento bíblico de que “a palavra branda desvia o furor”. Capelão falou de desculpas sem pedir, atacou sem atacar e se defendeu sem apresentar armas. E, por isso mesmo, a base, toda inscrita para usar a tribuna, usou apenas de ironias e, pelo menos esta ‘batalha’ teve seus enfrentamentos encerrados ou pelo menos uma trégua foi adotada.

Tudo isso caro (e)leitor, foi o “produziu” a Câmara de Vereadores de Cascavel nas últimas semanas. Muito barulho e pouco trabalho relevante. Na segunda-feira, alguns vereadores, como Paulo Porto (PCdoB), Claudio Gaiteiro (PMN) e Romulo Quintino (PSL), chegaram a dizer que a Casa estava perdendo o foco. De fato, a denúncia da propina dos “500 pau” envolvendo Paulo Bebber e a discussão de coisas mais sérias e urgentes como as demandas na saúde pública, por exemplo, parecem estar em segundo plano diante da necessidade dos edis firmarem suas posições. O que se espera é que, tomado o “cafezinho da paz” – expresso com leite ou não – a Câmara retome o foco, investigue de fato o que precisa ser esclarecido, estabeleça a verdade das ligações entre o feito e o malfeito e não se torne mais palco de enfrentamentos pessoais as custas do dinheiro público.

A Câmara de Cascavel não perde a oportunidade de ganhar holofotes, independente se positivo ou negativo. Agora, o vereador Rui Capelão (PPS) deixou o vereador Luiz Frare (PDT) irritado feito ‘onça’ ao pedir que a Comissão de Ética da Casa investigue o pedetista pelo discurso feito na tribuna, no dia 25 de fevereiro, em que enalteceu o início das obras do terminar de passageiros do Aeroporto Municipal de Cascavel, cuja licitação foi vencida pela Construtora Onça… No mesmo discurso, Frare também bateu palmas para a retoma do das obras do Shopping Catuaí… Capelão estranhou as saudações do vereador…  Capelão é o mesmo vereador que no ano passado acusou a Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara, por acaso presidida por Frare, de receber propina e aprovar apenas projetos “interessantes”. Neste caso a comissão pediu providências contra o acusador, que também chamou os vereadores da base de “vaquinhas de presépio” (termo até bastante “comum” no meio Legislativo), mas teve o pedido arquivado por parecer da Procuradoria Jurídica da Câmara… E a coleção de holofotes vai aumentando: propina para comissão, vaquinhas de presépio, “500 paus”, “onça”… Qual será a próxima?

Mas, estranho também é o fato de Capelão, vereador da oposição, bater palmas para o trabalho da 10ª Regional da Saúde, comandada pelo governo do PSDB que ocupa a vice de Edgar Bueno e uma das mais importantes secretarias da administração municipal, a de Obras Públicas, enquanto a central de regulação de leitos do SUS não funciona e as pessoas continuam morrendo nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento)… Isso também causa um grande mal-estar, mas na população…

Confirmando o que a Gazeta do Paraná trouxe na edição desta quinta-feira, o presidente da Câmara, Marcio Pacheco (PPL) definiu nesta quinta-feira (03), através do Ato da Presidência nº 15/2014, os vereadores que integraram a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. De acordo com material oficial da Câmara, a designação seguiu o principio da proporcionalidade político-partidária, entre blocos e partidos políticos presentes na Casa. Foram nomeados, da base, Robertinho Magalhães (PMN) e Pedro Martendal (PSDB); da oposição, Paulo Porto (PCdoB) e Jorge Menegatti (PSC) e do bloco dos independentes, Walmir Severgnini (PROS). São conselheiros suplentes, respectivamente, Rui Capelão (PPS), Jorge Bocasanta (PT), Vanderlei da Silva (PSC), Nei Haveroth (PSL) e Romulo Quintino (PSL). O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar tem o dever de assegurar o cumprimento por parte dos vereadores de mandatos éticos e honrados, garantindo a execução das leis que regem a atividade legislativa, o decoro parlamentar e pelo prestigio da instituição democrática e representativa que é a Câmara de Vereadores.

Câmara de Cascavel, agora, discute mais uma vez os problemas da saúde pública em Cascavel, especialmente, a parte ligada ao Estado. O vereador Paulo Porto (PCdoB), defendeu a “companheira” que está em greve. Detalhe: quem está em greve são os servidores da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) que não têm gordos salários como os servidores lotados na Seti (Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior). Quem está lotado na Seti, tem salário bom. Uma zeladora, um motorista chega ganhar mais de R$ 6 mil ou R$ 7 mil , e enfermeira, módicos R$ 17 mil. Esta companheirada não está em greve…