O presidente da Câmara de Cascavel, vereador Marcio Pacheco, ao usar a tribuna da Câmara, agora a pouco, foi infeliz ao “comentar” a postura do jornalista Fernando Maleski, meu colega de trabalho aqui na Gazeta do Paraná, ao falar sobre a emenda do vereador Luiz Frare, no projeto da “cachorrada” que perambula pelas ruas de Cascavel e também daqueles que são criados de forma profissional ou amadora. O jornalista vai apenas retratar o debate que ocorre no Legislativo. Alias, para ajudar o vereador na sua ignorância quanto a atividade jornalística e o funcionamento de uma redação em jornal impresso, a forma final das reportagens produzidas por jornalistas como o Maleski, é de responsabilidade do editor – neste caso, eu mesmo. De qualquer forma, a democracia se vale da “liberdade” de expressão e opinião. Logo, se o Maleski, cuja esposa exerce atividades relacionadas ao Pet, tem opinião contrária ao vereador ou a determinados projetos discutidos no Legislativo, é direito dele e de todo e qualquer cidadão. E a interpretação dos fatos se dá a partir da coleta de informações todos os lados envolvido no debate. Logo, não é elegante ao presidente da Casa de Leis, utilizar da tribuna e sua condição para atacar a liberdade do cidadão, bem como o do jornalista.
Mas, é claro, que isso pode ser discutido à mesa. Alias, pode até ser naquela mesinha de mármore que todo contribuinte ajudou a pagar, inclusive eu e o Maleski, que custou “módicos” R$ 25 mil…

Brasileiro medianamente consciente e que busca se manter informado que anda acontecendo na terrinha acaba ficando profundamente irritado… Dinheiro para festa, no Brasil nunca faltou… Já para saúde, educação e infraestrutura básica é sempre uma dificuldade… E que dificuldade… O carnaval está chegando e a gastança festiva vai ser ainda maior… A Copa está as portas e a gastança além de não parar, só cresce… Não bastasse isso, ainda assistimos a escalada da incompetência e a corrupção… É uma vergonha ou não é? Na sequência, o editorial desta sexta-feira da Gazeta do Paraná para ajudar um pouco mais na reflexão…

 

Que vergonha!

Onde estão aqueles que à época da definição das cidades-sedes para a Copa do Mundo do Brasil brigaram com ‘unhas e dentes’ para que Curitiba fosse uma delas? Seria importante, agora, estes mesmos “brigões” darem o “ar da graça” e mostrar como e porque convenceram a Fifa que a Arena da Baixada seria ideal para sediar os jogos e trazer parte da “festa” para o Paraná.

Acontece que, por enquanto, a capital de todos os paranaenses passa “vergonha” pela incompetência de “não se sabe quem”. Primeiro, a ameaça de não se conseguir terminar a obra a tempo do mundial, já que o cronograma não foi cumprido. Segundo, pedido de mais dinheiro público para enterrar em um lugar que, sabidamente, não gera benefícios para sociedade paranaense, a não ser para a capital, região metropolitana e a famosa “meia dúzia”.

Para tentar “tapar todos os buracos” e diminuir o tamanho do vexame, o Governo do Paraná está pedindo novo empréstimo junto ao BNDES, porém, o Tribunal de Contas do Estado apresenta recomendação negativa à nova liberação pela falta de transparência no trato com o dinheiro público. Sabidamente, a Copa de 2014 já é uma das mais caras da história das Copas e vai ficar mesmo conhecida como a “Copa das Copas”, mas não pelo exemplo e primor da organização, mas pela gastança, problemas de qualidade nas obras e denúncias de “desvios”.

E aí, em Cascavel e região Oeste, por exemplo, que não vai sentir, nem de longe, os benefícios dos milhões públicos “enterrados” na Arena, vive às moscas quando o assunto passa pelo atendimento na saúde pública. Nem é preciso ir longe! Basta dar uma chegada, ali no Bairro Floresta, e trocar um “dedo de prosa” com o senhor Orlando Vaz, de 84 anos, que cansado de esperar pelo SUS, resolver fazer uma ‘autocirurgia’ para resolver seu problema… E a pergunta simples e óbvia diante desta situação é: se os milhões utilizados na “Copa das Copas” fossem eficientemente aplicados na saúde pública algo iria melhorar?

Observe, caro leitor, que mesmo com o “mar de dinheiro” para a Copa, mesmo assim, a incompetência gerou problemas em Curitiba e também no restante da estrutura que ainda é precária nas cidades-sedes para recepcionar quem vai se aventurar por aqui. Neste caso, concluindo, dinheiro é importante, mas não é tudo…

Flores! Quem não gosta de um ambiente adequadamente provido de flores? Pois é, o Itamaraty, lá em Brasília também! E com dinheiro público sempre é “melhor” deixar tudo bem “harmonizado”… Editorial desta quinta-feira da Gazeta do Paraná sugere uma boa reflexão… Confira!

A expressão do título do arrazoado de hoje é bem conhecido do brasileiro que sabe, que mesmo que a vida seja “uma mar de rosa”, os espinhos dificultam, e muito, a “vida boa”. Mas, para o Itamaraty, o “mar da diplomacia” brasileira será muito, mais muito florido. Acontece que foi lançado edital para comprar até 660 arranjos de flores para eventos no prazo de um ano, o equivalente a R$ 461,1 mil. E a justificativa do gasto é cheia de floreios: “As flores contribuem para que seja transmitida às autoridades estrangeiras uma melhor impressão do país anfitrião, o que se traduz por ganhos institucionais para o governo brasileiro”.

De acordo com o próprio Itamaraty, a quantidade foi definida com base na quantidade de eventos realizados em anos anteriores (em 2013, foram ao menos 138 recepções), acrescido do que o ministério chama de uma “margem de segurança” de 30%. “Como não se conhece, de antemão, as sutilezas da percepção dos visitantes, deve-se, preferencialmente, pecar pelo excesso de zelo”.

É tanto “pecado pelo zelo” que um dos arranjos que serão entregues como forma de apresentar a tal “boa impressão” do governo foi orçado em R$ 2.350, com base em pesquisa de mercado com quatro empresas, de acordo com o edital publicado esta semana. Trata-se de coroa de 35 dúzias de flores nobres, como lírios, rosas ou tulipas. Detalhe: o mesmo arranjo no estado de São Paulo, por exemplo, variou entre R$ 1.300 e R$ 2.000. Segundo o Itamaraty, esse é o preço inicial da licitação, e a expectativa é de que no fim do pregão haja uma redução. Na última compra do gênero, o valor final foi 60% menor. Além disso, diz a pasta, há a possibilidade de economias adicionais de até 12% ao longo do contrato.

E mais: em almoços para chefes de Estado na sala Brasília do Palácio Itamaraty, são pelo menos 24 mesas grandes a serem enfeitadas. “O aspecto dos locais utilizados, portanto, tem consequências institucionais, pois se relaciona aos entendimentos travados entre o governo brasileiro e governos estrangeiros”.

É, em Brasília, a estética e a boa impressão sempre falam mais alto que a decência pública, a parcimônia com os recursos públicos e o respeito com o cidadão. Que seu dia seja bem florido, caro (e)leitor, mas, cuidado com os espinhos!

A discussão na Câmara de Cascavel sobre a gratuidade do ingresso para menores de 12 em eventos esportivos de Cascavel, de certa foma, mostra bem a “complexidade” do debate entre os parlamentares. O bom projeto do vereador Gugu Bueno poderia ser aprimorado e ter alguns pontos estabelecidos de forma mais clara se o autor do projeto, que por acaso é líder da base governista, se houvesse uma flexibilidade maior da situação em aceitar as sugestões da oposição. Parlamento é, sem dúvida, o local dos debates… Porém, é extremamente complicado quando cada um quer ser “dono da verdade” e “professor de Deus” nas horas vagas… Perdeu-se muito tempo com troca de farpas e debates totalmente “equivocados” para não dizer outra coisa…

A Câmara precisa se esforçar um pouco mais para reconquistar a imagem de “séria” e “produtiva”…

Esse é o editorial de hoje da Gazeta do Paraná… E aí , você discutiu “aquele beijo”?

 

Show, valores e ‘beijos’

 

Cascavel, como todos sabem, durantes esta semana “respira” o Show Rural Coopavel, uma vitrine mais que brilhante do agronegócio brasileiro. Por aqui, desfila o que há de “top” no setor que ainda banca a maior porcentagem da força econômica de Cascavel, do Oeste, do Paraná e do Brasil. Não apenas no Parque Tecnológico Coopavel, mas também por toda cidade, as discussões giram em torno dos resultados que o evento trará, na prática, para o campo e para tudo que dele decorre.

Porém, em muitas das rodas de conversa, um assunto também tem ocupado parte do tempo, seja para ironia, sejam para aprovações e reprovações dos “analistas de plantão”. E, antes de expor o tema, é preciso lembrar que a sociedade ainda é regida por padrões morais e éticos que, apesar de ‘combalidos’, fornecem regras e limites para uma convivência harmônica entre os cidadãos, tanto quanto possível. A família ainda é considerada a célula mater desta estrutura que, mesmo corrompida, tenta oferecer parâmetros para uma, vamos assim definir, convivência respeitosa.

O jornalista e colunista da Folha, Hélio Schwartsman, em sua crônica do início da semana, também lembrou do tema: “Saiu, enfim, o tal do beijo gay na novela da Globo. Não creio que haja muito motivo para comemorar. A TV, como a cavalaria, é sempre a última a chegar. Se a cena foi veiculada no horário nobre, é porque a maioria da sociedade já não considera tal ato obsceno ou escandaloso. Pelo menos não muito. Vejo com ceticismo, assim, os vaticínios dos que afirmam que o beijo televisado contribuirá para reduzir a homofobia no país. Tal efeito, se de fato passa de uma fantasia, apenas soma um grãozinho a um movimento mais amplo de aceitação que já está em curso há muito tempo e não tem data para acabar.”

As pessoas julgam as situações à sua frente com base em sua carga cultural e educacional, bem como as heranças hereditárias do seu ambiente familiar. Logo, tudo o que decorreu nas redes sociais e nas rodas em questão, são o fruto da exposição (corajosa ou não) das opiniões diversas de uma sociedade ainda impregnada de antagonismos e hipocrisias. Porém, com base nos valores que cada um decide cultivar, há que se concordar com Schwartsman: “De todo modo, eles (cidadãos) têm à sua disposição o indefectível controle remoto. Se não gostam do que veem, são perfeitamente livres para mudar de canal ou até desligar a TV”.

Em tempo: cada um cultiva o que considera importante, não é verdade?