Em Cascavel, hoje, o senador Alvaro Dias (PSDB) aproveitou todo espaço que teve na mídia local para afinar ainda mais seu duro discurso contra o Governo Dilma Rousseff… E, mesmo que tenha quem não seja muito simpático ao senador e ex-governador do Paraná que afirmou que nunca requereu aposentadoria como ex-governador, direito que considera legítimo, e por isso deixou de receber R$ 6 milhões que “teria direito” desde que deixou o Palácio das Araucárias, Alvaro Dias está certo quando diz que a sociedade cansou do atual modelo político-partidário e de administração pública no Brasil.

Já perceberam que nós (jornalistas) fazemos matérias apontando problemas (falta de leis do SUS, problemas nas UPAs, falta de médicos nas UBSs, falta de vagas nas creches, corrupção, denuncia de desvio de recursos, etc,etc) e não conseguimos produzir matérias com a “solução” dos problemas… Isso cansa mesmo… Sem brincadeira, a gente tenta encontrar o lado bom do Poder Público e dos políticos, mas é tão raro quanto difícil… Sem dúvida alguma, o povo está cansado demais de tudo isso..

 

Uma palavra aos jovens…

Este é o editorial desta sexta-feira da Gazeta do Paraná:

Mas, atenção, esta palavra é para jovens de todas as idades. Ontem, em mais um discurso do Papa Francisco em sua visita ao Brasil, o que precisa ser destacado em sua prédica, na favela da Varginha, é o pedido para que não se desista da luta contra a corrupção: “Vocês, queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício. Também para vocês e para todas as pessoas repito: nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança. A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo.”

O Papa reforça palavras que para muitos dos jovens que participam da JMJ (Jornada Mundial da Juventude) já são bem conhecidas, na primeira Carta de João 2:14-15: “Jovens, eu vos escrevi porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno”. E, diante deste “conselho”, mais importante que discutir ou defender esta ou aquela doutrina religiosa, há que se priorizar a “verdade”. E de que verdade estamos falando?

Mais uma vez é preciso deixar religiosidade e sofismas de lado para buscar princípios sérios e que remontam há séculos. O grande problema da sociedade e seus dirigentes, em todos os setores, é que a “palavra dada”, a promessa e o compromisso perderam o valor e o seu próprio sentido. Todo cidadão que deseja mudança precisa iniciar este “movimento” a partir de si mesmo. Claro que este é um caminho mais longo e árduo, porém, é o único que pode produzir resultados concretos e duradouros.

E para corroborar com esta linha de pensamento, basta fazer uma análise detalhada dos “novos” políticos que apareceram nas duas últimas eleições com promessas de mudanças. O que aconteceu com eles: promoveram mudanças ou moldaram-se ao sistema? Pois, então… O Brasil (e o mundo) precisa de “jovens de todas as idades” que não tenham medo de enfrentar aquilo que está errado nem se deixem “seduzir” pelas benesses do poder e do dinheiro. Por isso, a palavra do Francisco, ontem, e a de São João já quase dois mil anos vem bem a calhar, não é!

 

 

O recesso parlamentar de julho é mesmo uma “manobra” condenável dos legislativos. Não há, sob quaisquer argumento, razão para os “nobres” descansarem no meio do ano. Primeiro que o trabalhador brasileiro trabalha o ano todo e, somente depois de um ano completo de trabalho, tem direito a um período, aí sim, merecido de descanso… Mas, os “nobres”, não trabalham todos os dias e, mesmo que argumentem que têm atividades extra-plenário, ainda ficam devendo muitas horas de trabalho… Entraram em recesso em Cascavel, Curitiba e Brasília com muita coisa em pauta que não foi finalizada, logo, o correto é terminar o trabalho antes de viajar para desfrutar do sol caribenho…

Em Cascavel, a Câmara está naquele ritmo próprio do frio dos últimos dias: atividades congeladas. Mas, os problemas da sociedade que paga seus salários não têm recesso, pelo contrário, só aumentam. Tem vereador quem nem compareceu à ultima sessão antes de folga e nem deu ar da graça nesses dias em que eles juram que não são férias, mas apenas uma “pausa” (bem remunerada) das atividades.

Podia até fazer alguns comentários sobre Curitiba e Brasília, mas aprendi desde pequeno que quando a nossa casa não está em ordem, melhor não falar da casa dos outros. Na prática, os vereadores seguem o exemplo dos senadores, deputados federais e estaduais. Mas, se quisessem , poderiam dar o exemplo e continuar trabalhando… Ano que vem vamos escutar um monte de gente fazendo discurso dizendo: “vamos mudar a Assembleia, o Congresso Nacional e votar em gente que está comprometida com o povo…” Já ouviram, isso… Eu ouvi, e muito, na campanha do ano passado… A Câmara de Cascavel se renovou e até parecia que ia inovar. Porém, passados os seis meses iniciais, o “ritmo das coisas” já se normalizou e “tudo continua como dantes no Quartel de Abrantes”… Ah, e antes que reclamem, “reforma” que só inclui uma demão de tinta, em poucos meses fica vencida e acaba como aquela história de que o “remendo é pior que o rasgo”…

 

E a Câmara de Cascavel vai encerrando o primeiro semestre de “trabalho” do ano e avaliações merecem ser feitas com muito cuidado. O balancete de junho ainda não foi divulgado no site da Casa, mas olhando e comparados os meses de maio de 2012 e 2013 temos os seguintes números: Gasto total de maio de 2012: R$ 677.540,77, sendo R$ 438.745,14 somente com a folha de pagamento. Agora, em 2013, a Câmara gastou em maio R$ 935,783,48, sendo R$ 748.496,95. De cara já dá pra ver que os gastos com pessoal aumentara, e muito e dos R$ 677,5 mil chegamos perto de um milhão no gasto mensal… Agora é ver com cuidados se dos discursos de que temos uma “nova Câmara” é verdadeiro.

 

Privilégios

E falando em Câmara de Cascavel, o que tem marcado esta legislatura neste primeiro semestre são as informações “privilegiadas” para alguns setores da imprensa… Parabéns para quem consegue ter tanta proximidade assim com os parlamentares. Porém, a Casa que é do povo tem que tratar a todos de igual forma, não é mesmo… Toda imprensa acompanha o movimento do parlamento e sabe quem tem e quem não informação para repassar, não é mesmo? Agora, é fato que cada vereador escolhe quem vai privilegiar, mesmo que a ética não recomende isso…

O jornalista da Gazeta do Paraná, Fernando Maleski, por vezes registra seus neologismos para ilustrar a política tupiniquim. Na matéria sobre a sessão da Câmara de Cascavel, ontem, foi feliz em usar o “desvotaram” para tratar da manutenção do veto do prefeito Edgar Bueno ao projeto que institucionalizava o Festival de Música Sertaneja no calendário oficial do Município. Bom, sertanejo não faz meu estilo, mas não deixa de fazer parte da cultura local só porque meu gosto musical é diferenciado. Porém, os vereadores tiveram tempo de analisar o projeto e votaram a matéria por duas vezes antes de ser enviada ao Executivo. Aí me pergunto: será que leram o que estavam votando? Será que entendem sobre o que estão legislando? Porque ao manterem o veto do prefeito fazem duas coisas.

Primeiro, reconhecerem que “erraram” ao aprovar a matéria que foi rejeitada pelo Executivo. Segundo, apesar de ser nobre rever posições e mudar a postura diante de determinando fato, voltar atrás em um projeto que aprovaram uma vez e depois ratificaram a concepção de que aquilo é bom e necessário, acaba sendo um deboche ao eleitor, especialmente da parte interessada (no caso os músicos e cantores que sugeriram e esperavam este ato de apoio do poder público).

 

Sempre assim?

E aí, como vai se comportar o parlamente doravante? Vão continuar aprovando projetos que, em tese, tem tempo para analisar e ponderar sobre os “prós” e “contras”, sem ter o real conhecimento do conteúdo? Por que voltar atrás em decisões que são submetidas a dois processos de votação em plenário, além de serem filtrados pelas comissões permanentes da Casa, é no mínimo constrangedor (ou deveria ser). A Câmara é também a “casa do debates”, então, que esgotem os debates antes de serem geradas expectativas na sociedade que depois serão frustradas. Não se trata apenas deste festival, mas todo e qualquer projeto que for discutido em plenário. Se a classe que recuperar a sua imagem frente a opinião pública, vai ser preciso fazer bem mais que simplesmente usar terno e gravata nas sessões, não é verdade?

Que o pedágio no Paraná é caro demais, ninguém dúvida. Que as concessionárias não fizeram nem “metade” do que deveriam ter feito, quem viaja pelas estradas federais do Paraná pode constatar com muita facilidade. Mas, o que pouca gente sabia é que o Tribunal de Contas do Paraná, TCE-PR, preparou um extenso e minucioso relatório “informando” ao Governo do Estado que o prejuízo para a população do Paraná é terrivelmente grande, como se todos já não soubessem.

 

Milhões a menos

É revoltante saber que apesar da gigantesca arrecadação que nas concessionários têm todos os dias, os investimentos para melhorar as condições de tráfego e segurança não chegam nem a metade do que os contratos previam. E se não cumprem o contrato, por que eles ainda existem? Por que ainda pagamos absurdamente caro para andar nas nossas próprias rodovias? Afinal, elas foram construídas e reformadas antes de serem entregues às concessionárias com o meu e o seu dinheiro, caro internauta e “contribuinte”… Vergonha, vergonha, vergonha…