Nas discussões da Câmara Municipal de Cascavel na manhã desta segunda-feira, com o reajuste dos servidores municipais e a “reorganização” dos cargos em comissão da Prefeitura de Cascavel, muito se falou no tal “bom senso”. Mas, ao que parece faltou o “bom senso” do Legislativo e ao Executivo anteciparem a discussão do tema, bem como chamar todos para uma mesa de discussão.  E esse “todos” deveria se ler representantes dos servidores municipais, vereadores da situação e também da oposição e, naturalmente, o Executivo Municipal…

 

Nova rodada

Na sessão de amanhã à tarde, terça-feira, a partir das 14h30, um novo ‘palco’ vai se estabelecer na Câmara. Hoje, a proposta foi aprovada por 14 a 5, mas amanhã, o debate promete ser ainda mais acirrado pelo fato das emendas que serão apresentadas ao projeto que detalha o reajuste dos servidores e a questão dos cargos em comissão. Como as emendas terão o objetivo de mudar substancialmente a mensagem do Executivo, a “briga” vai ser boa. É esperar e ver o comportamento dos vereadores, bem como dos próprios servidores…

Atendendo algumas solicitações, reproduzo também o no blog de hoje, o editorial desta quarta-feira da Gazeta do Paraná:

 

“Onde o tesouro, ali o teu coração/ Onde o teu ouro, por certo toda a paixão/ Poucos trocados corrompem muita razão/ Vende-se o voto, contrariando a intenção.

Corre o ditado e é tão comum se dizer: ‘”Cada pessoa seu preço certo há de ter’/ E a nota verde corrompe o teu bem querer/ ‘Made in Brazil’, Brasília e todo poder.

O que vai sobrar, se fica assim como está/ Alguém já gastou, por certo alguém vai pagar/

Deixa que eu deixo e todos deixam pra lá/ Geme essa gente sem vez nem voz pra falar.”

O belo e pertinente texto da música poética do compositor cristão João Alexandre Silveira, na canção “Deixa que eu deixo”, foi gravado ainda em 1990, quando muitos dos que foram às ruas nas últimas semanas sequer tinham nascido ou ainda eram crianças de colo, mas, a realidade brasileira já inspirava letras com este conteúdo.

Sem dúvida alguma, o recado das ruas já entendido pelo governo federal. A própria presidente Dilma reconheceu. Agora, entre entender o desejo do povo e torná-lo realidade, todos sabemos que há uma enorme distância. Primeiro é preciso passar por cima dos interesses de quem está instalado no poder e dele se beneficiando em todas as esferas do Executivo, Legislativo e Judiciário.

Quando o poeta falou sobre venda de voto, não referia-se apenas ao jogo de interesse entre os três poderes, mas do próprio povo que, em outras eras também foi às ruas, bradou e, na hora de fazer suas escolhas e optar pelo voto consciente, preferiu saber “quanto” seu voto valeria. O Brasil vive um momento historio, sem dúvida. Mas, só grifar frases de efeito no Facebook ou em cartazes para ser fotografado ou ser exibido pela televisão ou através do Youtube não vai resolver nosso problema, nem mudar realidade alguma.

A mobilização já mostrou a força que o povo (nas ruas) tem. Agora, é preciso prosseguir com a pressão consciente e consistente que precisa, fundamentalmente, produzir também um “novo eleitor”. Em 2014, todos irão às urnas, ato que terá ainda mais força que o “ir às ruas”. E se o brasileiro redescobriu o poder das ruas, também precisa redescobriu – ou até mesmo conhecer – o poder do voto!

No último dia 15 de junho escrevi este editorial na Gazeta do Paraná:

Todos errados?

“Se o brasileiro resolver protestar contra a espoliação que sofre todos os dias dos bancos, das operadoras de telefonia e principalmente do Estado, que lhe arranca os olhos com impostos exorbitantes, o país vira uma praça de guerra e não haverá polícia pra bater em todo mundo. Infelizmente a massa (de manobra) está convenientemente sedada diante dos televisores.” O comentário do experiente jornalista Ivan Zuchi, atualmente trabalhando em Curitiba, disparado na tarde de ontem pelo Facebook é um dos tantos comentários gerados diante do protesto da população de São Paulo contra o reajuste da tarifa do transporte coletivo.

As imagens são horríveis. As ruas do cotidiano paulista se transformaram em um campo de batalha, cenas de guerra, muita violência e desespero. E aí quem errou? Quem estava certo? Em que, na verdade, consiste um protesto? Qual a diferença entre “conter ânimos exaltados” e disparar inadvertidamente as balas de borracha “não letais”, mas que podem, sim, matar? Evidentemente que os dois lados estão equivocados em suas concepções e atitudes. Porém , é preciso atentar para alguns detalhes. A cidade de São Paulo é governada pelo PT, partido que se fortaleceu no seio dos movimentos sociais, da greves, dos protestos. O governo federal, também do PT, concedeu inúmeros benefícios relacionados ao transporte coletivo para tentar diminuir a carga em cima da população e, exatamente, em São Paulo, ao invés de cair, o preço sobe.

Mas, o estado de São Paulo está sob o domínio do PSDB, o partido da “social democracia” que faz oposição sistemática ao PT. Isso é problema? Democracia se faz com “prós”, “contra” e respeito. E, no caso de São Paulo, até agora, ninguém se colocou ao lado do povo – nem situação, nem oposição. É fato que todos somos contra o vandalismo, porém, quando a população começa se mobilizar e entender que as ruas não são “arquibancadas”, mas “berço de transformações”, quem está no poder fica preocupado, afinal, povo que pensa é uma ameaça. Então, “desça-se o porrete” e se controle a turba… Violência, sempre vai gerar violência e, finalizando, desde a manobrada geração “cara-pintada”, há uma demanda “reprimida” de protestos… E se essa “represa” estourar, como disse o Zuchi vai faltar polícia…

Pelo Facebook, Cascavel está se “organizando” uma passeata para protestar na mesma linha iniciada no Rio Grande do Sul, em abril, que inspirou São Paulo e que está se espalhando pelo Brasil. Claro que em Cascavel, os “gritos” não são contra  o preço da tarifa do transportes coletivo, até porque um “reajuste para baixo”, em  R$$ 0,10  passa a vigorar no próximo dia 1º de julho. Segundo os organizadores do evento no Facebook, os protestos não não apenas pelo aumento da passagem de ônibus, mas por mais dinheiro público investido em saúde e educação e contra a corrupção, políticos impunes, preço da gasolina que vem subindo cada vez mais, impostos exorbitantes e mais uma enorme lista… Mas, a expectativa é ver se em cidades como Cascavel, a mobilização sai da rede social e ganha as ruas.

 

Quantos vão?

No evento “Passeata Nacional Cascavel”, por volta das 16h desta segunda-feira (17/6), mais de 6 mil confirmações de “participação” estavam registradas. Mas, qual percentual destes internautas colocará a “cara a tapa” e irá para a rua fazer seu protesto com o sistema (municipal, estadual e nacional). Um ‘clique’ é muito mais fácil de se dar do que ir às ruas. É esperar a ver a “sede de mudanças” do cascavelense!

 

 

A suspeita de que uma morte , na quarta-feira, tenha sido motivada pelo vírus H1N1 (Gripe A), deu uma “sacudida” geral. Depois do caos de 2009, parece que ficamos mais “tranquilos” e ninguém mais se preocupa com a prevenção. As campanha de vacinação, este anos pelo menos, não tiveram sua divulgação massificada pelos órgãos (in)competentes, grupos prioritários não foram 100% imunizados e outros, como o dos professores das redes pública e privada, nem se cogitou vacinar.

Primeiro foram as denúncias de que alguns “privilegiados” em Cascavel estariam recebendo doses enquanto quem realmente já deveria ter sido vacinado não foi intimado a se imunizar. Depois de algumas reclamações, tudo ficou por isso mesmo e nada novo se fez. Quem é mais precavido acabou pagando cerca de R$ 100,00 pela dose em clínicas particulares.

Agora, com a suspeita da primeira vítima fatal do H1N1, alguma movimentação foi observada, mas ainda tímida de mais. O inverno está chegando, junto com o recesso escolar de julho que acaba contrabalançando um pouco a situação, mas não resolve.

Claro que a situação não ‘calamitosa’, mas sem os devidos cuidados do poder público e do próprio cidadão, a coisa pode ficar feia. Ou acordamos agora ou vai ser tarde depois…

Esta semana eu, Paulo Alexandre, editor-chefe desta Gazeta, junto com jornalista Mariana Lioto, editora do caderno Público, estivemos no gabinete do prefeito de Cascavel, Edgar Bueno, para uma entrevista detalhada sobre a situação do Município neste início do seu “histórico” terceiro mandato. É histórico porque Bueno é o primeiro prefeito de Cascavel reeleito para um segundo mandato consecutivo. Também foi o primeiro a conseguir a eleição com o segundo turno e, portanto, com maioria absoluta dos votos, o que lhe dá mais legitimidade no mandato.

Mas, a marca histórica não para por aí. Bueno iniciou sua nova gestão com um corte “abrupto” no que se refere aos benefícios que os servidores municipais tinham com horas-extras e gratificações. Reduziu o atendimento nas unidades básicas de saúde e “fechou” a torneira no que se refere ao custeio da máquina para não ser “castigado” pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Tudo isso lhe rendeu um grande desgaste político dentro e fora da Prefeitura, além de deixa seus aliados “preocupados”, abastecendo a oposição de argumentos para a “artilharia” tradicional da oposição.

Mas, logo depois das medidas drásticas que lhe rendeu muito desgaste, Edgar Bueno foi surpreendido – bem como toda sociedade – com a notícia de que tinha um tumor dentro do coração e que a cirurgia era urgente e inevitável. A pausa na vida pública para cuidar da sua saúde, inevitavelmente, lhe rendeu uma “trégua”. Evidentemente que o problema da cirurgia cardíaca não tem nada a ver com a questão política e administrativa, porém, nessa hora se deu mais atenção ao “homem” e não ao “político”.

E, voltando à questão da entrevista, o que ficou claro para mim e para a Mariana, é que Bueno pode ter se tornado um pouco mais sensível aos assuntos da família, ao sofrimento das pessoas e quanto à vontade de ajudar de forma mais pontual este ou aquele cidadão. Porém, continua um administrador que tem controle da máquina pública, mesmo que suas diretrizes não agradem a maioria. Em quase duas horas de conversa, ele não fugiu de nenhuma das perguntas que lhe foram feitas (algumas bem apimentadas), conteve a irritação com os “apertos” e mostrou que tem resposta para tudo, mesmo que a resposta não solucione completamente o problema. Agora, em uma coisa preciso concordar com o prefeito: “não existe milagre”.

Mas, ele e todo político quando sobe no palanque e pede votos, mostra que o problema do povo tem jeito… Então, o que queremos noticiar é que, apesar do milagre não existir na coisa pública, a eficiência na gestão pública resolve muita coisa. Como chegar à eficiência? Ah… Para isso vai ser preciso bem mais que quase duas horas de conversa…

 

É assinante?

O texto acima é a transcrição do editorial de hoje da Gazeta do Paraná… Se você não é assinante, vale a pena dar uma passadinha da banca e garantir o seu exemplar de hoje!!!

Na sexta-feira passada, o Cogesp (Conselho dos Gestores de Segurança Pública) esteve reunido e pretende agendar ainda para este mês uma audiência com o governador do Paraná, Beto Richa. Dentre a longa lista de assuntos referentes ao setor de Segurança Pública que serão levados ao Palácio Iguaçu, a estrutura da 15ª SDP (Subdivisão Policial) será o ponto principal.

A estrutura do “cadeião” instalado na área que agora é praticamente o “coração” da cidade é de 1981 e nunca recebeu uma reforma adequada. Quando foi concebido, o prédio fazia frente (já timidamente) às necessidades de uma cidade com cerca de 100 mil habitantes. Hoje, seguramente, passa dos 300 mil. Além disso, esta será uma ótima oportunidade para o deputado estadual Leonaldo Paranhos conseguir apoio mais incisivo para o projeto que pretende transformar o complexo do cadeião em um “complexo de educação”.

A ideia, já fazendo aniversário ainda sem uma ação mais prática, agrada todos que moram no entorno do cadeião, considerado um “barril de pólvora”. Mas, a movimentação precisa ser grande e envolve as secretarias de Estado de Justiça, Segurança Pública e Educação. Além disso, vai precisar da participação efetiva da Prefeitura de Cascavel. Em projetos como esse se tem a oportunidade de mostrar que os interesses coletivos estão bem acima das “questiúnculas“ políticas. Se cada um puxar a “brasa para o seu assado” o fogo fica fraco e nada acontece. E aí? Como vai ser?

Os vereadores Paulo Porto (PCdoB) e Pedro Martendal de Araújo (PSDB), estão propondo a criação da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos na Câmara de Cascavel, como mais uma das comissões permanentes da Casa. No calor da polêmica criada pela CDHM (Comissão dos Direitos Humanos e Minorias) da Câmara dos Deputados, com a “guerra” estabelecida entre os ativistas gays e o pastor e deputado federal Marcos Feliciano (PSC),  a criação comissão no legislativo municipal até pode ser classificada como saudável, afinal, a democracia se faz através do debate e das discussões envolvendo todos os setores da sociedade.

Mas, em se tratando de Cascavel, a proposta é mais que arrojada. Com pouco mais de 60 anos, Cascavel é uma cidade pujante e de ares “provincianos”… Será que a Câmara está mesmo preparada para discussões mais ‘liberais’ e que vão gerar, inevitavelmente, polêmicas cujo abacaxi é difícil de descascar? É esperar e ver, primeiro se criam, depois que aguentam segurar o rojão quando ele aparecer…

E o prefeito Edgar Bueno bateu o martelo e definiu nomes e secretarias. Paulo Carlesso volta a ocupar a pasta do Meio Ambiente. No primeiro mandato de Bueno (2001/2004), Carlesso tinha ocupado a secretaria, tendo como diretor e assessor direto Luiz Carlos Marcon. No segundo mandato de Bueno, Marcon comandou o Meio Ambiente e, agora, vai ocupar a “tímida” secretaria de Agricultura. E na Cultura, não tem nome novo. A decisão do prefeito foi de fundir a Cultura e a Educação e, assim, Valdecir Nath apenas foi “efetivado” na pasta que tem o “abacaxi” do Teatro Municipal para descascar.

 

Só dia 10

Mas, por enquanto é tudo extra-oficial. As decisões foram repassadas pelo próprio Edgar Bueno à imprensa, o anúncio oficial acontecerá somente no dia 10.

 

Segundo escalão

E quem estava contando com uma “vaguinha” no segundo escalão da Prefeitura de Cascavel (diretores e gerentes), ficou decepcionado. Algumas nomeações até devem acontecer ainda este ano, mas serão em doses homeopáticas, em velocidade bem diferente do que esperavam os aliados… Nos bastidores da política local o burburinho já começou e, logo, deve começar uma ‘chiadeira’ pública.

Quem viu as notícias do fim de semana, com Prefeitura de Cascavel anunciando que cinco UBSs (Unidades Básicas de Saúde) voltar a atender o dia todo, precisa ter atenção especial para alguns detalhes. São apenas cinco mesmo e nada mais. Antes, elas funcionavam das 7h as 19h ou seja, doze horas. Agora, os bairros Interlagos, Jardim Colméia, Brasmadeira, Cataratas e Santos Dumont passam a ter atendimento das 8 às 12 horas e das 13 às 17 horas. Mas, é um “esquema” diferente do que a população estava acostumada. A nova linha de trabalho será através do PSF (Programa Saúde da Família).

 

“Bom programa”

O Saúde da Família, em sua essência, é um bom programa, mas vai ser preciso “reeducar” a população que foi ‘acostumada’ ao velho sistema de consultas e tudo mais. O apelo preventivo do programa é bom, mas terá um custo, especialmente porque sua implantação em Cascavel está atrasada e ocorre em doses “homeopáticas”.