SALVE O PALMEIRAS!!!

Finalmente, Palmeiras campeão!!! Ao contrário do que poderiam supor os torcedores do Verdão, decidi escrever este texto para, em síntese, dizer que SIM, FOI MERECIDO. E o fundamental: o Palmeiras não foi campeão esse ano – o título começou a ser desenhado lá atrás. É fruto de competência administrativa. Saíram os amadores. Entrou quem entende de gestão.

As contratações foram acertadas. Cuca provou ser um excelente treinador e o torcedor palmeirense mostrou que fez a sua parte. Vamos aos números: média de público na Arena Palmeiras: 30 mil pessoas, Arrecadação da Arena: 136 milhões de reais. Aumento de mais de 500% no número de sócios-torcedores – são aproximadamente 128 mil atualmente. Resultado? Palmeiras, com folga, campeão brasileiro. Os números são incontestáveis.

Não havia, como noutras épocas, um craque. Havia sim um grande e unido elenco. Havia, e aqui reside o ponto fundamental, um cidadão chamado Paulo Nobre – esse sim merece todas as homenagens e fez a diferença. É de gente assim que o futebol precisa. Para citar apenas um exemplo; quando o Palmeiras precisou, emprestou 200 milhões de reais ao clube. Recebeu cada centavo de volta. A conta foi, portanto, integralmente paga.

Quando houve problemas com a construtora que administra a Arena do Palmeiras, Nobre cogitou, em conjunto com alguns amigos, comprar o estádio, algo próximo de 600 milhões de reais. Ressalto: Paulo Nobre não doou seu dinheiro ao Palmeiras. Apenas emprestou a grana para que o plano/projeto pudesse ser executado com perfeição. E, sem nenhuma dúvida, cumpriu seu objetivo. Nobre enxerga longe. Além de tudo em ordem, já deixou um elenco excepcional para 2017 – e tudo isso sem quebrar ou endividar o Palmeiras.

Parabéns ao Palmeiras. Foi, realmente, merecido. Eu, como corinthiano que sou, fico agora na torcida para que Nobre deixe o Palmeiras o mais rápido possível. Se ele continuar lá, ano que vem o Verdão pode até conquistar o inédito título de campeão mundial. Sem Nobre meus amigos, será como no filme estrelado por Tom Cruise: Missão Impossível. Mas aí já é outra história…

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LEVANTEM AS MÃOS. É UM ASSALTO!!!

Chegamos então na tal “Black Friday”. Mas que dia é esse afinal? É um tradicional dia para o comércio dos EUA. Lá, eles comemoram amanhã o Dia de Ação de Graças (Thanksgiving) e tradicionalmente, faz algumas décadas, após esse feriado, o comércio, para, entre outras coisas declarar aberto o período de compras que antecede ao Natal, abre Friday (sexta-feira) concedendo descontos incríveis. Algo como uma festa de ofertas para o consumidor.

E aqui?  Aqui faz pouco e numa tentativa vergonhosa de copiar o que fazem os americanos, na minha modesta opinião, é CASO DE POLÍCIA!!! Todos os anos os Procons são acionados. As fraudes e a maquiagem nos preços são quase que descaradas. O consumidor brasileiro, infelizmente, não sabe fazer contas ou tem memória muito curta. Sobra boa-fé para os nossos pobres cidadãos. Falta a tão conhecida malandragem à maioria da população. E refiro-me à boa malandragem e não ao mau caratismo. Falo do malandro homenageado na canção de Chico Buarque e não de bandidos. No dia da nossa Black Friday, no entanto, como aliás está na letra da música, parece que a nossa malandragem não existe mais.
Hoje mesmo vi um anúncio na TV que simboliza bem o que estou a afirmar. Um celular que tradicionalmente custa 699 reais, foi anunciado por, acreditem 799 na Black Friday. Mas como? Simples, maquiaram o preço original. Dizia a propaganda que o aparelho custava 1299. Fica difícil imaginar lesão maior ao consumidor que isso. Mas o assalto não fica restrito aos produtos eletrônicos. O brasileiro é roubado nesta black friday até no extrato de tomate ou no preço do bombril. Se continuar assim, vamos precisar do Sérgio Moro no comércio brasileiro. Quando vi a propaganda do celular lembrei do que Tom Jobim dizia: “o Brasil não é mesmo um país para principiantes”. Deus me livre…

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Pedro Muffato, mais do que um grande cascavelense. UM GRANDE BRASILEIRO!!!

 

Recebi semana passada, de presente e com dedicatória, o livro: MUFFATÃO – Histórias & Histórias de PEDRO MUFFATO. Quem me presenteou foi meu amigo Clovis Grelak, ninguém menos que o autor deste livro.

Li as 255 páginas em menos de 2 dias. De fácil leitura, engraçado, com ótimas ilustrações e um pra lá de didático sumário, o texto é, pois, uma delícia. A vida do empresário, do político, do piloto e do amigo Pedro Muffato é retratada com a mesma alegria que Pedro pilota até hoje seu caminhão na Fórmula Truck.
Alguns contos do livro eu já conhecia pela amizade entre meu pai e o Pedro. Outros – além de algumas geniais tiradas – o livro me contou. Quase ao final, um texto escrito pelo Dr. Roberto Wypych Júnior dá conta de resumir quem é Pedro Muffato: “é o cascavelense mais conhecido no Brasil e fora dele”.

Pedro é, incontestavelmente, um empresário muito bem sucedido. Quando se aventurou na política, ganhou as eleições que disputou. Foi, portanto, também nesse setor, um campeão. Como piloto, fez Cascavel existir para o automobilismo (nacional e internacional). É amigo pessoal de Nelson Piquet. Por absoluta justiça, carregou a chama olímpica quando por essas bandas ela passou.

Ainda hoje, mesmo com os apelos familiares para que abandone as pistas, Pedro segue competindo. Segue também como empresário, gerando empregos em vários estados do Brasil e segue – isso eu sei pelo que ouço do meu pai – um grande amigo e companheiro.
Meus parabéns pelo livro Clovis Grelak e claro, obrigado Pedro Muffato por tudo que você fez e representa.

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CHEGA DE NOTÍCIA RUIM, VOU FALAR DE COISA BOA!!!

Cansei de escrever sobre política. Não consigo mais nem ouvir falar de Lava-Jato e de tudo de ruim que anda acontecendo no Brasil. Resolvi inovar. Mas como? Decidi, de vez em quando, escrever sobre gastronomia, música e as baladas de Cascavel.
Ninguém aguenta mais frequentar os mesmíssimos lugares. Cascavel precisa se renovar. A maioria da cidade segue exatamente igual – como uma ou outra Tabacaria (que agora resolveu dar em árvore em Cascavel. Parece até farmácia. Tem uma por quadra). Mas a coisa começou a melhorar.
Essa semana, de saco cheio da mesma coisa e dos mesmos, compareci a Zoom Prime. Trata-se de um lugar aberto faz pouco no centro da cidade. Um mix de balada e lounge. Aconchegante. Com gente nova e, claro, gente bonita. Com poltronas confortáveis, espaço na medida exata e com a melhor acústica que ouvi, posso dizer que: SIM, EXISTEM LUGARES DIFERENTES, NOVOS E QUE MERECEM UMA VISITA EM CASCAVEL.
Quero deixar claro que, apesar de um grande amigo meu trabalhar lá, esse texto é escrito sem sequer que ele saiba e mais, por absoluto merecimento. O elogio e a recomendação, são, pois, espontâneos. Não faço ideia de quem seja o proprietário da casa, mas seja lá quem for, sabe das coisas. Fez o que, se eu fosse do ramo, faria.
Aplausos para a Zoom. Vaias para a mesmice. A cidade de Cascavel é a maior ganhadora no final das contas…

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ESTUDANTES. PAREM COM A PALHAÇADA!

Tinha prometido dar uma folga nos textos sobre política e economia. No entanto as invasões nas escolas e as diversas imbecilidades que tenho lido por aqui me fizeram quebrar essa promessa. Chamam de ocupação o que, em verdade, é invasão. Jovens que não sabem sequer fazer uma redação sobre o que fizeram nas “Férias” compraram o canalha e falso argumento segundo o qual a PEC 241 irá acabar com a educação do Brasil.
Mas o pior não é isso. O drama é que esses “rebeldes” sequer leram o texto do projeto de lei. Invadem a mando de grupos de esquerda ou porque “é bacana participar de eventos desse tipo”.
Não é possível, jamais, agradar a todos. Entretanto, é indiscutível que é preciso uma reforma fiscal gigantesca. É inegável que a Previdência não terá dinheiro para pagar pensionistas e aposentados num futuro muito próximo. É inquestionável que é preciso gastar melhor o dinheiro do contribuinte.
E nem me arrisco a ingressar no debate de quem seria o culpado por chegarmos nesse ponto. A resposta parece óbvia e intuitiva, mas não foram APENAS estes últimos governos. Todos têm uma parcela – maior ou menor – de culpa pela situação do país.
Aos estudantes – que se dizem de esquerda, mas jamais leram o Manifesto Comunista escrito por Marx e Engels em 1848 – uma sugestão: estudem galera e parem com essa palhaçada de invasão. Já não tá fácil. Com vocês atrapalhando fica ainda pior…

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QUINTAL. AFTER. ERA UMA VEZ…

QUINTAL. AFTER. ERA UMA VEZ…

E eu, que achava que conhecia tudo em Cascavel, fui surpreendido. Ah tá, você? Não sabia o que era after? Calma, respondo: after eu sabia e tava enjoado. Eu não sabia o que era o after no Quintal.
Tudo começou faz algum tempo, num lugar rústico, quase na Avenida das Torres indo pra Fag. Fui convidado, por um DJ e por coincidência sócio do Quintal, a conhecer a lugar. Outra vez: ah tá Junior, logo você que não gostava de musica eletrônica? Pois é senhores. Eu realmente dizia que não gostava. Em verdade, eu NAO CONHECIA!!!! Parece tudo a mesma coisa – pensava eu e minha ignorância!!!
Conheci muita coisa. Conheci, em verdade, A BOA MÚSICA ELETRÔNICA!!! Com ela vieram pessoas fantásticas: Rodrigo Lopes, Greg, Jehan, Charlinho e por ultimo ROGÉRIO ANIMAL!!!
Além da música, uma verdadeira comunidade. AMIGOS DE VERDADE. NÃO AQUELA TURMA DE CAMAROTE QUE EU CITEI SEMANA PASSADA – FIZ VERDADEIROS AMIGOS.
Mas qual a razão desse texto? Simples: pra você que acha que conhece tudo é que música eletrônica e tudo a mesma coisa um convite: VENHA CONHECER O QUINTAL. LÁ, SÓ A TRISTEZA NÃO ENTRA. De uma passada e depois fique a vontade para comentar!!!
***Em tempo: sou fã mas não patrocinado pelo lugar. Este post é, pois, grátis!!!!

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Estudem. Conhecimento é Eterno. Chega de Caipira “Rei de Camarote”!!!!

Tenho acompanhado a galera jovem da cidade. Sim, acreditem, eu também um dia fui jovem. Tive meus 21 anos. Mas o mundo mudou. E mudou muito. Hoje, em tempos de Instagram, essa moçada passa mais tempo postando besteira do que dando risada com os amigos. Jovens ricos fotografam até mesmo o comprovante de quanto gastaram na balada. Fotografam e o mais dramático: POSTAM!!! Alguns, claro, os mais imbecis, fazem campeonato de quem pede mais Champagne. São os “Reis do Camarote” do interior do Paraná.

Vestem-se sempre com roupas caras, mas de extremo mau gosto. Aliás, esse é um dos problema dessa turma – eles não sabem nem mesmo que roupa vestir. Eles não tem sequer gosto. Copiam ou tentam copiar Joao Paulo Diniz. A diferença é que João Paulo é educado. Estudou. Sabe das coisas. Nasceu rico e para citar apenas um exemplo, teve um affair com Gisele Bunchem e acreditem, a modelo mais famosa do mundo era a coadjuvante do casal.

Como anotou Nizan Guanaes em artigo publicado na Folha ano passado:

O que os americanos e ingleses mais sofisticados têm em comum? Cultura.
Livros e dinheiro são uma mistura perfeita para elegância, savoir faire e bom gosto.
Infelizmente o Brasil, que copia tanta coisa destes dois grandes países, não aprendeu a copiar essa ainda. A pobreza do rapaz rico dos camarotes, estampada na capa da Vejinha, mostra uma classe alta inculta que beira as raias do constrangimento num país cheio de desigualdades. 
Ninguém que tenha aberto um livro será capaz de, num mundo desigual como o nosso, abrir champanhes magnum a rufar de tambores e piscar de luzes.
Dinheiro sem livro faz garotos ruidosos e meninas caladas. Gente mal vestida com as melhores grifes. E que não sabe se comportar no mundo. 
Gente caipira.
A começar, não sabem falar inglês, inaceitável num mundo global. O mais lamentável ainda é que falam mal português também.

Gente caipira dá em árvore por aqui. Anotem, gente pessoa simples é uma coisa; deslumbrados sem educação é outra. Falta o básico. Cultura é tudo que os jovens, ou a maioria dos “reis de camarote”, de hoje não tem. Não estou a afirmar que é preciso ser um profundo conhecedor de filosofia ou entender Sheakspare, mas 3 gibis bastariam para evitar o vexame. “Agente vai sair” (e não falo do 007). “Precizo”, TOP, entre milhares de expressões utilizadas nas mídias sociais que não fazem o menor sentido e para piorar, os erros de português são assustadores. A ignorância passou do limite. A maioria dos “Reis do Camarote” são semi-analfabetos. Mas fotógrafos profissionais.

Quero deixar claro que não tenho rigorosamente nada contra “reis de camarote”. Não é o valor da conta que importa, mas sim o modo como você trata um garçom, um segurança ou qualquer pessoa que esteja apenas trabalhando. Já passamos do tempo em que diziam os mais imbecis: “Você sabe com quem está falando?”

Estudem. Conhecimento é a única coisa que ninguém jamais poderá te roubar. Dinheiro, liberdade e camarotes, eu sei bem, acabam e rápido. Viajar é a melhor forma de conhecer o mundo, mas antes é preciso ao menos saber em que continente ou país você está. É o mínimo…

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Resumo das Eleições

Fim de papo. Ao menos em Cascavel a fatura foi liquidada em turno único. Há pouco para dizer – os números quase encerram o debate.
Maior Vencedor:
PSDB – os tucanos, com especial ênfase em São Paulo, saíram na frente. Geraldo Alckmin com o massacre do João Dória em turno único agigantou-se. Deveria ser o indicado para disputar a Presidência em 2018.
Maior Perdedor:
PT – foi fulminado nessas eleições. Encolheu mais de 60%. Salvo engano, levou apenas uma capital e foi derrotado em quase todo interior paulista – reduto tradicional petista desde a fundação do partido.

Mas e aqui?

Paranhos levou, mas terá que fazer milagre para acomodar todos os apoiadores. E notem, os principais nomes querem um pouco mais do que obras e cargos. Querem, basta verificar de quem estamos falando, mandar na cidade. Dar ordens ao Prefeito eleito. Leonaldo pode romper com o grupo, mas será massacrado na mídia. Já da pra imaginar o que dirá o Cantini por meio da CBN quando tiver início o troco pela suposta traição.
Se o Paranhos resolver obedecer a essa moçada, também se complica, pois não há lugar nem grana para tudo que eles querem. Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. Meu palpite? Paranhos rompe com o grupo nos 6 primeiros meses de governo.

Marcos Vinícius não emplacou. Segue um ninguém para a maioria dos cascavelenses. Até por isso a transferência de votos que poderia ocorrer não se verificou. Um alguém consolidado transfere prestígio eleitoral para outro alguém iniciante. Mas este mesmo alguém não terá êxito nessa missão se tentar fazer isso com um ninguém. A indicação e o apoio são fatores importantes que podem fazer a diferença, mas o candidato apoiado precisa fazer o mínimo. Com todo respeito, não fez nem isso.
Aderbal sai maior mesmo fazendo inexpressiva votação. Pagou um preço altíssimo pelo que o PT fez. Mostrou que tem preparo e que conhece a cidade. Não apresentou propostas inexequíveis e nos debates foi disparado o melhor. Mas é do PT. E do PT a população não quer mais saber.

Hélio Laurindo é um empresário bem sucedido, mas um desastre como candidato. Suas propostas – ao menos algumas delas – beiravam o ridículo. Nos debates não conseguiu responder nenhuma pergunta no tempo estabelecido. Disse, num dos encontros, que vai melhorar Cascavel pois: “seus interesses vão de encontro aos interesses da população”. STOP Hélio, por favor.

Walter Parcianello foi bem, mas segue sendo irmão do Frangão. Se ao invés de Walter fosse possível registrar a candidatura como “irmão do Frangão da Uopeccan” certamente faria mais votos.

Marcio Pacheco surpreendeu. Fez mais votos do que eu esperava. Não inovou em nenhuma proposta. Nada. Mostrou uma Cascavel feia e ruim. Teve expressiva votação porque a população que não gostava do Paranhos ficou sem opção. Juliano Murbach ajudou. Sua reputação e sua postura sempre ética somaram pontos a favor da candidatura do Xerife da PF.

Professor Ivanildo fez seu papel. Historicamente é assim. Ele e seu partido fazem parte do processo. Servem somente para estatística.

E os vereadores? Bom, acho que se continuar assim a Câmara deve se chamar “Templo de Vereadores”. Os evangélicos pegaram valendo nas campanhas e provaram que podem decidir uma eleição.
No mais, tomara que Pintinhos e outros tantos que já concorrem pela milésima vez desistam. Eleição é coisa seria. Não há espaço para amadorismo. Se o Brasil não é para amadores como anotou Tom Jobim, imagine a política…
Ficarei na torcida porque gosto daqui, mas será quase um milagre se o Gaeco não invadir o Paço ano que vem. Tomara que eu esteja errado. Tomara mesmo…

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O Sistema é Foda!!!

Vejo nas mídias sociais a esmagadora maioria das pessoas comemorando a cassação de Eduardo Cunha como se isso fosse mudar para melhor alguma coisa ou como se, de fato, Cunha merecesse a pena máxima. Não se esqueçam, senhores, que foi graças a ele que Dilma Rousseff foi cassada. Sim, e o ato é personalíssimo – somente ele (na condição de Presidente da Câmara dos Deputados) poderia admitir ou mandar arquivar os pedidos de impeachment apresentados. Eduardo Cunha admitiu 1. O final da história todos conhecem. Michel Temer presidente e o Senado rasgando a Constituição para blindar Dilma.

Tá, mas eu estou então defendendo Eduardo Cunha? Não, nem ele nem a Dilma. Estou, em verdade, a fazer o exato oposto disso. Quero afirmar que ele, assim como todos os demais, são culpados. Nunca se tratou de justiça ou de se apurar quebra de decoro, como tampouco tratou o julgamento da Dilma de se apurar a existência ou não de crime de responsabilidade. Os julgamentos, acreditem, foram políticos. É culpado votando pelo impeachment de culpada. É criminoso votando pela cassação de outro também com a mesmíssima qualificação.

A pergunta que se faz é: vamos melhor quando? Eu confesso que não tenho a menor ideia da resposta. Pela experiência que tenho acredito que em Brasília ninguém está preocupado com isso. Lá, imperam as máximas: “cada um por si” e, como me disse certa vez um deputado lá mesmo na Câmara: “Júnior, quero saber apenas uma coisa: cadê o meu?”.

O sistema lamentavelmente é assim. Quem assistiu “Tropa de Elite 2” deve lembrar bem da cena final onde, numa imagem aérea da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes, o Capitão Nascimento diz: “quem você acha que sustenta tudo isso? E custa caro. Muito caro (…). o sistema é muito maior do que eu pensava. Não é à toa que acontece tanto escândalo em Brasília que entra governo e sai governo e a corrupção continua. Pra mudar as coisas ainda vai demorar muito tempo. O sistema é foda. Ainda vai morrer muito inocente”.

Resta, aos 99,9999% dos brasileiros de bem, acordar cedo e seguir adiante sem muita esperança de que as coisas vão mudar ou que alguém vai fazer alguma coisa por você. Vamos seguir torcendo pela seleção, trabalhando duro, defendendo nosso time do coração e fazendo de conta que acreditamos em “suas excelências”. O circo tem que continuar…

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Parlamentarismo?

Amanhã, a essa hora, acredito que Dilma Rousseff já tenha entrado para a história. Será, além da primeira mulher a presidir o Brasil, também a primeira a responder e ser condenada num processo de impeachment.

Enquanto escrevo este texto o circo segue no Senado Federal. Vanessa Grazziotin, Gleisi Hoffmann e Lindberg Farias (sim, aquele a liderar o movimento estudantil que conseguiu a renúncia do presidente Fernando Collor) tentam de tudo para impedir que o julgamento ocorra. Noutra ponta, PSDB, PMDB (com exceção do Requião claro) aceleram o passo para que a votação aconteça o mais breve possível.

As teses jurídicas pouco ou nada importam. O julgamento agora é exclusivamente político. Se houve pedalada, se as operação eram de crédito ou fiscais, se havia autorização para edição dos decretos ou se outros presidentes atuaram da mesma forma e não sofreram qualquer punição, se ocorreu, enfim, o tão falado “crime de responsabilidade” não interessa. Nenhum Senador será convencido a mudar seu voto por mais brilhante que seja a tese da defesa ou de acusação.

A morte de Dilma foi decretada bem antes – especificamente quando Eduardo Cunha admitiu processar a denúncia apresentada por Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal. Todo o resto já estava escrito. O enredo era, como na obra de Gabriel Garcia Marques, a crônica de uma morte anunciada. Assim como o assassinato do Santiago Nasar pelos irmãos Vicário, o assassinato de Dilma Rousseff pelo Senado era mais do que previsível.

Mas o que fica de lição além do óbvio “não roubarás” e o fundamental: “se roubares não sejas flagrado”? O fato de que é preciso rediscutir o sistema de governo. Não acho que esse debate deva ocorrer em meio a uma crise institucional, mas a decadência do presidencialismo não pode ser ignorada.

Apenas para comparar, na Inglaterra (regime parlamentarista), o primeiro ministro David Cameron foi derrotado quando a população escolheu a saída da zona do euro. Renunciou poucos dias depois e em menos de 30 dias, Theresa May já comandava o país. Aqui, o Brasil está parado faz quase um ano e até agora não se tem a certeza do que vai acontecer.

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