SIM, EXISTEM RAZÕES PARA ACREDITAR!!!

Durante alguns anos fui servidor público municipal. Ao longo de todo esse período, conheci pessoas extraordinárias. Gente que tinha orgulho de se dizer “servidor do povo”. Funcionários exemplares, enfim.

Todos esses servidores cumpriam seu papel e, dentro daquilo que a lei lhes permitia, ajudavam os mais necessitados. Prestavam auxílio a quem realmente precisava de uma força. Entretanto, isso era apenas a obrigação do servidor. A ajuda aos necessitados era inerente à função que desempenhava dentro da hierarquia de funcionários do Município.

Até que, num belo dia, conheci a Katia e dela, aos poucos, fui ficando amigo. Pelo sorriso que estampava no rosto, vi que se tratava de uma pessoa diferente. Num outro belo dia – e não foi ela quem me disse – fiquei sabendo que Katia havia adotado duas crianças – mas até aqui não vi nada de espetacular. Um gesto de bondade como tantos outros e só.

Eis que, me contaram que além dessas 2 crianças adotadas, viviam com Katia outras 5 (na época gêmeos de 2 anos, outra criança com 4, um quarto com 6 e o último com 7 anos de idade). Na hora, confesso, não acreditei. Achei demais. Pensei, de cara, que a Katia era rica ou que levava alguma vantagem por realizar tamanho ato de bondade. Fui me informar e descobri que Katia fazia parte de um programa social chamado “mãe acolhedora”.

Tratei de saber então da grana e fiz outra descoberta: Katia ganhava menos que eu e a ajuda de custo que recebia para cobrir os gastos com as crianças não pagava sequer o básico. Noutras palavras, Katia participava de um programa social no qual acolhia crianças até que fossem encaminhadas pela justiça (sem mencionar as duas que efetivamente adotou) e AINDA PAGAVA DO PRÓPRIO BOLSO PARA PRESTAR ESSE SERVIÇO.

Já vi muita “ajuda” maquiada por interesses financeiros ou caridade travestida de promoção pessoal e política, mas o caso de Katia, para mim, foi e segue sendo único. Se a vida já não é fácil, imagine toda a dificuldade regular dos brasileiros e agregue a isso A ADOÇÃO E O CUSTO DE MAIS 7 CRIANÇAS? Trata-se, na minha modesta opinião, da maior demonstração de amor e solidariedade que tive notícia. Tomara que existam mais Katias por aí. Ao lembrar o caso da Katia, me recordo do slogan da Coca-Cola que Katia fez, em parte, mais que atual. Infelizmente, os bons não são maioria, mas existem razões para acreditar…

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O Julgamento do Alessandro e a Apreensão do Porsche!!!

Semana passada resolvi palpitar sobre o julgamento do Alessandro Meneghel. Por óbvio que eu sabia que viriam críticas (eu dizia já no início do artigo que 99,999% das pessoas torciam pela condenação), mas confesso que me surpreendi. Eu, na realidade, subdimensionei o ódio e a inveja de muita gente.

Mas ódio do que? Do Alessandro? Da família? Duvido que essas pessoas tenham trocado duas palavras com o Alessandro pessoalmente. Eu, em verdade, me recusava a acreditar que quase todo aquele ódio tivesse relação com a condição econômica da família.

Aí li duas outras matérias aqui mesmo na CGN. A primeira noticiava as muitas multas lavradas por condutores que resolveram dirigir e beber no Carnaval. Claro que todos os que foram flagrados tiveram os carros apreendidos e foram encaminhados para a Delegacia. Tive o cuidado de ler os comentários e não vi nada além do normal. Em regra, os internautas cumprimentavam o trabalho da polícia e só.

Logo depois li a seguinte notícia também aqui na CGN: “Porsche de mais de 200 mil é guinchado no Centro”. O veículo foi apreendido por policiais que trabalhavam na Operação Balada – a mesma que apreendeu outros tantos carros e que eu referi acima. Após ler a matéria fui para os comentários e lá encontrei a justificativa para o ódio que eu vi nos comentários do artigo que escrevi sobre o julgamento do Alessandro.

O condutor foi ofendido por quase todo mundo. Chamaram o proprietário do Porsche de “playboy”, riquinho e bandido. Para resumir, o cidadão foi escrachado de todas as formas.

Mas o que ele fez afinal para merecer tanta crítica? Ele, assim como tantos outros (mais de 100), estava dirigindo alcoolizado. Na hora me lembrei do caso do julgamento do Alessandro e dos comentários que li.  O cara do Porsche não foi massacrado e condenado porque bebeu e dirigiu. O massacre ocorreu porque ele tinha um Porsche.

Alessandro, na minha opinião, assim como o cara do Porsche, tampouco foi julgado e condenado pelo crime que cometeu. Foi condenado porque depois de Alessandro vinha o sobrenome Meneghel…

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