Parlamentarismo?

Amanhã, a essa hora, acredito que Dilma Rousseff já tenha entrado para a história. Será, além da primeira mulher a presidir o Brasil, também a primeira a responder e ser condenada num processo de impeachment.

Enquanto escrevo este texto o circo segue no Senado Federal. Vanessa Grazziotin, Gleisi Hoffmann e Lindberg Farias (sim, aquele a liderar o movimento estudantil que conseguiu a renúncia do presidente Fernando Collor) tentam de tudo para impedir que o julgamento ocorra. Noutra ponta, PSDB, PMDB (com exceção do Requião claro) aceleram o passo para que a votação aconteça o mais breve possível.

As teses jurídicas pouco ou nada importam. O julgamento agora é exclusivamente político. Se houve pedalada, se as operação eram de crédito ou fiscais, se havia autorização para edição dos decretos ou se outros presidentes atuaram da mesma forma e não sofreram qualquer punição, se ocorreu, enfim, o tão falado “crime de responsabilidade” não interessa. Nenhum Senador será convencido a mudar seu voto por mais brilhante que seja a tese da defesa ou de acusação.

A morte de Dilma foi decretada bem antes – especificamente quando Eduardo Cunha admitiu processar a denúncia apresentada por Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal. Todo o resto já estava escrito. O enredo era, como na obra de Gabriel Garcia Marques, a crônica de uma morte anunciada. Assim como o assassinato do Santiago Nasar pelos irmãos Vicário, o assassinato de Dilma Rousseff pelo Senado era mais do que previsível.

Mas o que fica de lição além do óbvio “não roubarás” e o fundamental: “se roubares não sejas flagrado”? O fato de que é preciso rediscutir o sistema de governo. Não acho que esse debate deva ocorrer em meio a uma crise institucional, mas a decadência do presidencialismo não pode ser ignorada.

Apenas para comparar, na Inglaterra (regime parlamentarista), o primeiro ministro David Cameron foi derrotado quando a população escolheu a saída da zona do euro. Renunciou poucos dias depois e em menos de 30 dias, Theresa May já comandava o país. Aqui, o Brasil está parado faz quase um ano e até agora não se tem a certeza do que vai acontecer.

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Como ganhar uma eleição!

Dia desses um amigo me perguntou: Júnior, fui dar uma pesquisada e o Google é a segunda empresa mais valiosa do mundo. Por que isso vale tanto?

Simples meu amigo, para resumir: porque o Google sabe tudo. Como assim? O Google vale quase 200 bilhões de dólares porque é uma espécie de barsa moderna? Não. Claro que não. O Google vale essa fortuna porque tem a informação daquilo que queremos; quando queremos; quanto queremos, de que cor e até quanto estamos dispostos a pagar por determinado produto ou serviço. Por isso não seria exagero dizer que o Google sabe tudo, passado, presente e futuro.

Mas até aqui é meio óbvio – além do que, não é disso que pretendo tratar. Eu vou direcionar o tema para as pesquisas eleitorais.

Os institutos de pesquisa (Ibope e Datafolha) a cada eleição vem perdendo credibilidade. Valendo-se em grande medida do método inaugurado por George Gallup na década de 30, estes institutos não inspiram mais confiança. E por qual razão? Porque, em especial, não medem pesquisa em tempo real. As redes sociais e a internet tornaram o processo eleitoral mais célere e muito mais instável.

Pesquisa feita ontem e que desconsiderou um fato relevante ocorrido na manhã de hoje não serve para nada. Não irá refletir nem de longe o cenário real de uma cidade ou estado. Basta anotar que muito candidato que apareceu em terceiro na pesquisa de véspera, acabou indo para o segundo turno – e em alguns casos ficando até mesmo em primeiro lugar (caso da eleição de José Ivo Sartori no RS). Não se trata, pois, de equívoco classificável dentro da famosa margem de erro. Trata-se de equívoco quanto ao método de pesquisa. A tradicional pesquisa eleitoral de campo está, podem apostar, com os dias contados. Tornar-se-á obsoleta. Algo como o jornal impresso – você irá ler amanhã aquilo que já leu na internet hoje. Ainda que protestem os saudosistas e fãs do papel (como eu, por exemplo), não há o que fazer. O fim está muito próximo.

Tá, e daí?

E daí que ganhará a eleição quem tiver ferramentas capazes de identificar rapidamente como reverter um cenário negativo; o que o eleitor quer ouvir; quem NÃO VOTA em determinado candidato e as razões da rejeição, enfim, quem tiver à disposição um Google utilizado para as eleições.

É preciso saber o passado, o presente e o futuro – de posse dessas informações, qualquer ¨poste¨ se elege. Será preciso apenas moldar esse poste de acordo com a vontade do eleitor. Como fazer isso? Utilizando os dados que o ¨Google¨ eleitoral irá fornecer.

Mas esse tipo de ferramenta já existe? Sim, claro que sim.

É caro, muito caro, mas quem souber tudo sobre o eleitor, tem total condição de fazer aquilo que é preciso para conquistar o voto popular. Quem souber exatamente o que pensa o eleitor, ganha qualquer eleição em qualquer lugar do planeta.

Ainda não há legislação eleitoral que trate dessa matéria porque esses dados necessariamente não precisam ser divulgados. Em regra, quem tiver essas informações, interesse algum terá em publicar qualquer coisa nesse sentido. Senhores, já vi isso em funcionamento. O grau de acerto é milesimal. Acreditem, o tempo da compra de votos chegou ao fim. Hoje será preciso comprar informação. A conquista do voto será apenas a consequência disso e de um bom trabalho de campanha. Nada mais.

 

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A PESQUISA DOS 5 MELHORES E O JORNALISMO DA CGN!

A pesquisa dos 5 melhores e a Cgn.

Por onde tenho passado, quase sempre alguém vem me perguntar sobre a pesquisa que a CGN está divulgando acerca dos melhores sanduíches, pediatras, restaurantes e problemas nos bairros da cidade. Claro que quem não estampa o topo da lista, lança suspeição acerca do resultado. Isso é matéria paga afirmam alguns ou: essa pesquisa é uma farsa dizem outros – repito, quem diz isso não gostou do resultado.

Pausa: quando aceitei o convite do Guilherme para ter um espaço próprio na CGN, a única coisa que ele me disse foi para interagir com o leitor. Sabendo ele que tenho lado político e advogo para o prefeito, jamais houve qualquer espécie de censura prévia ou posterior. Aproveito também para contar um episódio decisivo que me levou a aceitar e ficar honrado pelo convite recebido.

Certa vez me envolvi num acidente de carro. Eu estava errado e tudo que eu não precisava era que o fato se tornasse público. Não teve jeito – minutos depois lá estava a CGN. Na tentativa de minimizar a repercussão do meu erro, peguei o celular e liguei para o Guilherme. Contei a história e pedi, em nome da nossa amizade, que se fosse possível a notícia não fosse veiculada. A resposta, educada como sempre, foi:

“Júnior, sinto muito. Não me peça isso. Somos amigos faz muitos anos. Levei muitos anos para transformar isso aqui num órgão serio e imparcial. A notícia eu tenho que dar, lamento”.

Óbvio que não era o que eu queria, mas na hora entendi as razões do Guilherme. Eu, na verdade, não deveria sequer ter pedido uma coisa dessas. Depois, pensando melhor e vendo o que eu tinha pedido, por pouco não liguei pedindo desculpas pela imbecil solicitação. Noutras palavras e para resumir: eu estava pedindo que a CGN fosse como são todos os outros veículos de comunicação da cidade. Lá, eu vi bem isso, a tradicional ligadinha ou a amizade não se confundem com o dever em noticiar o fato. Aplausos!!!

Bom, voltando à pesquisa que vem sendo divulgada, fui pessoalmente à redação e conversei com a jornalista responsável por publicar os dados. Apenas confirmei aquilo que eu mesmo senti na pele – na CGN, não tem moleza. A pesquisa é seria sim. O resultado pode não contentar a todos – e isso irá ocorrer sempre. Mas uma coisa eu posso garantir, o resultado reflete exatamente a opinião dos internautas. Não há qualquer pagamento ou favorecimento a quem quer que seja.

Finalizo antecipando o resultado da última enquete. A pergunta foi: qual é o melhor time do Brasil? Em primeiro ficou o Corinthians. Em segundo o time da Arena em Itaquera. Em terceiro o time que foi campeão do mundo vencendo o Chelsea no Japão e em quarto lugar o time que era comandado até esses dias pelo atual técnico da seleção. Em quinto, salvo engano, um time carioca que sequer me lembro o nome.

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