APLAUSOS PARA O TSE. VAIAS PARA A REDE GLOBO

 

Quem assistiu ao julgamento na Globo ou pela Globonews e não entende de direito eleitoral, sem qualquer duvida, saiu convicto de que a absolvição da chapa Dilma-Temer foi uma injustiça, um absurdo jurídico.

E por que?

Porque diziam os comentaristas da Globo que: 1) as mais de 1000 paginas do voto proferido pelo relator min. Herman Benjamin comprovaram as irregularidades apontadas na AIJE proposta pela Coligação de Aécio Neves; 2) o artigo 23 da Lei 64/90 supostamente autorizaria que fatos novos, supervenientes, ocorridos mais de 2 anos após a apresentação da ação e  mais de 1 ano depois do protocolo da defesa, poderiam ser considerados pelo Tribunal quando fosse proferida a decisão e 3) o mesmo artigo 23 da Lei Complementar n. 64/90 ja teria sido objeto de exame pelo STF e lá, decidiram os Ministros que não havia qualquer inconstitucionalidade no referido dispositivo.

Diz o artigo 23:

 

Art. 23. O Tribunal formará sua convicção pela livre apreciação dos fatos públicos e notórios, dos indícios e presunções e prova produzida, atentando para circunstâncias ou fatos, ainda que não indicados ou alegados pelas partes, mas que preservem o interesse público de lisura eleitoral.

O QUE A REDE GLOBO NÃO DIZIA OU FINGIA IGNORAR?

Quase nenhuma vez os comentaristas da Globo citaram o artigo 14, parágrafo 10º, da CF. La, está expressamente consignado o prazo decadencial de 15 dias após a diplomação como prazo limite para a impugnação do resultado da eleição (§ 10 – O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude).

Tampouco referiam que a ação que pretende impugnar o resultado das urnas deve apresentar as provas do abuso do poder econômico, político, corrupção ou fraude para que, ao final, seja decretada a cassação do mandato neste mesmíssimo prazo.

O QUE OCORREU ENTÃO?

Proposta a ação, foi ela rejeitada de plano pela Min. Maria Teresa de Assis Moura por não apresentar indícios mínimos acerca dos fatos narrados. Houve recurso e, com voto condutor proferido pelo Min. Gilmar Mendes, o TSE entendeu que era preciso investigar um pouco mais os fatos. Assim, renasceu a AIJE.

A relatoria da ação ressuscitada coube ao Ministro Herman Benjamin.

Surgiram, pois, já em 2016, as delações da ODEBRECHT. E nessas delações, ilícitos eleitorais foram revelados – DOIS ANOS DEPOIS DE APRESENTADA A AÇÃO INICIAL.

Os fatos revelados pela ODEBRECHT eram novos. Os fatos, sem dúvida, eram graves e, poderiam, em tese, corroborar a tese de que houve abuso de poder político e econômico. E foi nisso que se agarrou o Ministro relator do caso porque, no mais, o julgamento era de certa improcedência.

O drama é que esses fatos novos não foram, nem poderiam ser, mencionados na inicial por uma razão óbvia: ao tempo da propositura da demanda (dentro daqueles 15 dias contados da data da diplomação), esses fatos não existiam. Foram revelados, insista-se, somente muito, mas muito depois.

O que fez o relator? Esqueceu do que até então estava nos autos (porque não tinha nada de relevante lá mesmo) e sustentou a tese de que as revelações dos executivos da Odebrecht poderiam ser utilizadas, pois seriam fatos novos que influenciaram diretamente no resultado das urnas.

Mas, Arnaldo, isso poderia ocorrer?

Claro que não. Os fatos revelados não estavam referidos na inicial e, ainda que tivessem relação com a eleição ou com a campanha, estavam fora do prazo de 15 dias para que pudessem compor a causa de pedir da ação de impugnação do mandato.

Tratavam-se de fatos que deveriam ser investigados sem duvida e se comprovada a existência de algum crime, a punição deveria ser aplicada – como aliás está ocorrendo. Já existe investigação criminal em andamento para apurar tudo no âmbito criminal.

O que não se afigura mais  possível é a utilização disso tudo perante a justiça eleitoral para, 2 ano depois, arrumar fundamento para cassar um mandato presidencial – simples assim. O prazo fixado na CF é de 15 dias após a data da diplomação, depois disso o mandato está resguardado.

A GLOBO seguia com a tese de que sim, era possível invocar o tal artigo 23 da lei 64/90. Só não dizia que se isso ocorresse, haveria burla ao disposto na Constituição Federal, pois o prazo de 15 dias lá fixado seria posto de lado, seria esquecido. É dizer, para a Globo, a nossa Constituição não tem lá muita importância…

Sabem todos que as leis devem amoldar-se ao que dispõe a Constituição. Nenhuma lei pode afrontar a Carta Constitucional sob pena de ter sua inconstitucionalidade declarada.

Pois bem, a Globo vendeu a ideia de que era o oposto – ou seja, a CF é que deveria estar de acordo com o tal artigo 23. O prazo de 15 dias decadencial poderia ser ignorado para que os tais fatos novos pudessem ser incorporados na ação!!! Dane-se a nossa CF – QUEREMOS CASSAR O PRESIDENTE!!!

Prevaleceram os argumentos jurídicos e, pela primeira vez na história, eu vi a Rede Globo ser derrotada. Aplausos para os 4 Ministros que julgaram pela improcedência. Palmas para meu amigo Gustavo Guedes, advogado do Presidente Michel Temer na causa. Viva a democracia!!!

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SIM, EXISTEM RAZÕES PARA ACREDITAR!!!

Durante alguns anos fui servidor público municipal. Ao longo de todo esse período, conheci pessoas extraordinárias. Gente que tinha orgulho de se dizer “servidor do povo”. Funcionários exemplares, enfim.

Todos esses servidores cumpriam seu papel e, dentro daquilo que a lei lhes permitia, ajudavam os mais necessitados. Prestavam auxílio a quem realmente precisava de uma força. Entretanto, isso era apenas a obrigação do servidor. A ajuda aos necessitados era inerente à função que desempenhava dentro da hierarquia de funcionários do Município.

Até que, num belo dia, conheci a Katia e dela, aos poucos, fui ficando amigo. Pelo sorriso que estampava no rosto, vi que se tratava de uma pessoa diferente. Num outro belo dia – e não foi ela quem me disse – fiquei sabendo que Katia havia adotado duas crianças – mas até aqui não vi nada de espetacular. Um gesto de bondade como tantos outros e só.

Eis que, me contaram que além dessas 2 crianças adotadas, viviam com Katia outras 5 (na época gêmeos de 2 anos, outra criança com 4, um quarto com 6 e o último com 7 anos de idade). Na hora, confesso, não acreditei. Achei demais. Pensei, de cara, que a Katia era rica ou que levava alguma vantagem por realizar tamanho ato de bondade. Fui me informar e descobri que Katia fazia parte de um programa social chamado “mãe acolhedora”.

Tratei de saber então da grana e fiz outra descoberta: Katia ganhava menos que eu e a ajuda de custo que recebia para cobrir os gastos com as crianças não pagava sequer o básico. Noutras palavras, Katia participava de um programa social no qual acolhia crianças até que fossem encaminhadas pela justiça (sem mencionar as duas que efetivamente adotou) e AINDA PAGAVA DO PRÓPRIO BOLSO PARA PRESTAR ESSE SERVIÇO.

Já vi muita “ajuda” maquiada por interesses financeiros ou caridade travestida de promoção pessoal e política, mas o caso de Katia, para mim, foi e segue sendo único. Se a vida já não é fácil, imagine toda a dificuldade regular dos brasileiros e agregue a isso A ADOÇÃO E O CUSTO DE MAIS 7 CRIANÇAS? Trata-se, na minha modesta opinião, da maior demonstração de amor e solidariedade que tive notícia. Tomara que existam mais Katias por aí. Ao lembrar o caso da Katia, me recordo do slogan da Coca-Cola que Katia fez, em parte, mais que atual. Infelizmente, os bons não são maioria, mas existem razões para acreditar…

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O Julgamento do Alessandro e a Apreensão do Porsche!!!

Semana passada resolvi palpitar sobre o julgamento do Alessandro Meneghel. Por óbvio que eu sabia que viriam críticas (eu dizia já no início do artigo que 99,999% das pessoas torciam pela condenação), mas confesso que me surpreendi. Eu, na realidade, subdimensionei o ódio e a inveja de muita gente.

Mas ódio do que? Do Alessandro? Da família? Duvido que essas pessoas tenham trocado duas palavras com o Alessandro pessoalmente. Eu, em verdade, me recusava a acreditar que quase todo aquele ódio tivesse relação com a condição econômica da família.

Aí li duas outras matérias aqui mesmo na CGN. A primeira noticiava as muitas multas lavradas por condutores que resolveram dirigir e beber no Carnaval. Claro que todos os que foram flagrados tiveram os carros apreendidos e foram encaminhados para a Delegacia. Tive o cuidado de ler os comentários e não vi nada além do normal. Em regra, os internautas cumprimentavam o trabalho da polícia e só.

Logo depois li a seguinte notícia também aqui na CGN: “Porsche de mais de 200 mil é guinchado no Centro”. O veículo foi apreendido por policiais que trabalhavam na Operação Balada – a mesma que apreendeu outros tantos carros e que eu referi acima. Após ler a matéria fui para os comentários e lá encontrei a justificativa para o ódio que eu vi nos comentários do artigo que escrevi sobre o julgamento do Alessandro.

O condutor foi ofendido por quase todo mundo. Chamaram o proprietário do Porsche de “playboy”, riquinho e bandido. Para resumir, o cidadão foi escrachado de todas as formas.

Mas o que ele fez afinal para merecer tanta crítica? Ele, assim como tantos outros (mais de 100), estava dirigindo alcoolizado. Na hora me lembrei do caso do julgamento do Alessandro e dos comentários que li.  O cara do Porsche não foi massacrado e condenado porque bebeu e dirigiu. O massacre ocorreu porque ele tinha um Porsche.

Alessandro, na minha opinião, assim como o cara do Porsche, tampouco foi julgado e condenado pelo crime que cometeu. Foi condenado porque depois de Alessandro vinha o sobrenome Meneghel…

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Alessandro Meneghel  e a Imparcialidade da Justiça.

 

O assunto do momento é o julgamento do Alessandro Meneghel. É possível atestar que 99,999% das pessoas torcem por sua condenação. Eu, no entanto, não faço parte dessa galera.

Eu torço para que o Alessandro tenha direito a um julgamento JUSTO. Torço para que os jurados absolvam ou condenem o Alessandro pelo crime que ele está sendo acusado e somente por isso. Mas ele é culpado, já cometeu outros delitos e já se meteu em muita confusão dirão alguns. PAUSA. Opa, se Alessandro não possui bons antecedentes ou se gosta de uma briga (não foge do pau para ser direto), isso NÃO PODE INTERFERIR NO JULGAMENTO DO CASO. Esses fatos não estão em julgamento. A imputação é OBJETIVA: ALESSANDRO ESTÁ SENDO JULGADO PORQUE SUPOSTAMENTE ATIROU E MATOU UM POLICIAL – todo o mais (passado) não importa para definir sua culpa ou sua inocência.

Acho também que o fato do policial morto ser encrenqueiro ou possuir um histórico de problemas com a família Meneguel não deve ser levado em conta. A questão que os jurados terão que definir é uma só: QUEM ATIROU PRIMEIRO? Houve uma briga numa boate que resultou numa troca de tiros. O policial levou a pior, mas Alessandro também foi atingido e sua Pajero parecia uma peneira de tanto furo de bala.

E agora? O que fazer?

Valerão as provas do processo, mas se ao final os jurados tiverem dúvidas acerca de quem por primeiro puxou o gatilho, espero que valha a regra geral para todos os acusados: In dubio pro reo – não importando se esse Réu é rico, gosta de briga e já se meteu em outras confusões.

Encerro dizendo que pessoalmente torço pela absolvição do Alessandro porque ele é meu amigo e amigo diz o ditado: “não tem defeito”. Como advogado e cidadão, torço para que seja lá qual for o resultado, os jurados levem em conta apenas o conteúdo do processo e esqueçam o nome que estampa a capa da ação penal. Torço, pois, para um julgamento onde vença a justiça e somente ela…

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O STF e a Mulher de Cesar!!!

O STF e a Mulher de Cesar!!!

Vivemos novos tempos no Brasil. Desde o início da Operação Lava Jato e do Sérgio Moro, os brasileiros puderam assistir fatos impossíveis de acontecer noutras épocas. As delações da galera da Petrobras, as prisões dos maiores construtores do Brasil e de políticos até então, supostamente intocáveis mudaram a cara do Brasil. E mudaram para melhor porque certamente servirão de exemplo e irão inibir práticas criminosas difundidas faz décadas dentro do estado brasileiro, mas também e ao mesmo tempo, tornaram quase tudo e todos suspeitos. Para uma grande parte dos envolvidos em esquemas de corrupção o princípio da inocência foi invertido. Não basta, portanto, ausência de culpa, é necessário agora provar a inocência, porque caso contrário irá parecer sacanagem.

Foi o que ocorreu agora no Supremo Tribunal Federal envolvendo o Ministro Edson Fachin. Vamos aos fatos: 1) Morre o Ministro do Supremo Tribunal Federal relator da operação Lava Jato no STF (não vi ninguém se perguntar o que Ministro do STF fazia de carona em avião de empresário, mas isso é outro assunto); 2) Fachin, então, sem motivação relevante, pede para ser transferido para a 2ª Turma de Julgamento no STF (curiosamente, a que estava o Ministro Teori e de onde sairia o novo relator da Operação lava Jato no STF); 3) a transferência foi, então, efetivada; 4) o sorteio do novo relator acontece dias depois por meio eletrônico; 5) o relator, por sorteio, passa a ser ninguém menos que ele: Ministro Edson Fachin.

Anoto que não tenho nenhum indicativo de que houve direcionamento no sorteio. No entanto, convenhamos, não pareceu honesto. Não sou chegado a teorias conspiratórias, mas vale para o STF o mesmo que valeu para Pompéia, a mulher de Cesar – em razão da posição social e da relevância do cargo de Cesar, Pompéia não poderia estar nem sob suspeita. Seguindo a história, exatamente por ter sido suspeita de ter praticado um ato contra os costumes da época, Cesar e Pompéia acabaram por se divorciar. Isso explica a origem do ditado popular: “a mulher de Cesar não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

O Ministro Fachin (a Pompéia atual), deveria ter se declarado suspeito ou deixado o Plenário do STF decidir acerca da possibilidade de ele (Fachin) ser o relator da Lava Jato depois da sucessão de coincidências que ocorreram em minúsculo espaço de tempo. Poderia o Plenário do STF decidir que ele poderia participar sem qualquer problema do sorteio da relatoria da Lava Jato e, por outra coincidência, ele poderia ser eletronicamente o escolhido. Se isto tivesse acontecido, eu não teria razão para escrever esse artigo porque, ao contrário do que ocorreu, tudo seria honesto ou ao menos, tudo iria parecer honesto. Infelizmente, tudo pareceu uma grande sacanagem. Tomara que eu esteja errado. Tomara mesmo…

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Eike Batista.Sua prisão: Um circo ilegal. O abuso quase matou a justiça!!!

Na história recente de nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós brasileiros acreditou no mote de que a esperança tinha vencido o medo. Depois, nos deparamos com a ação penal 470 (mensalão) e descobrimos que o cinismo venceu a esperança. E agora parece se constatar que o escárnio venceu o cinismo. Quero avisar que o crime não vencerá a Justiça. A decepção não pode vencer a vontade de acertar no espaço público. Não se confunde imunidade com impunidade. A Constituição não permite a impunidade a quem quer que seja. (STF, Min. Carmen Lúcia, 25/11/2015).

 

Ao proferir seu voto em Plenário no caso envolvendo o Senador Delcídio do Amaral na Operação Lava-Jato, a Presidente do Supremo Tribunal Federal fez um alerta aos corruptos reafirmando que nossa Constituição não autoriza a impunidade.

Concordo plenamente com ela no que toca ao que ocorreu no julgamento do mensalão: a cara-de-pau dos envolvidos tinha vencido o desprezo que eles demonstraram possuir pela justiça. Entretanto, sendo mentira ou verdade a tese, tratava-se apenas e tão-somente do exercício do direito de defesa assegurado a todos os acusados com previsão também constitucional.

Condenados, a mídia fez seu papel e noticiou as consequências e a repercussão desse fato. Filmou as prisões. O tema pautou a imprensa do país por muitos dias. Mas ninguém foi exposto ao ridículo. Não houve invasão de privacidade além da permitida em lei e do direito de informar. A Polícia Federal e o MP cumpriram com o seu ofício. Não transforaram os fatos em circo, tendo como artistas os condenados e nós, cidadãos, compondo o respeitável público.

No caso do Eike Batista passaram da conta. Humilharam, trucidaram, julgaram antecipadamente, ridicularizaram. Eike, não há dúvida, pode ser considerado um homem público tendo seu direito à intimidade mitigado mas, AINDA ASSIM, extrapolaram em todos os aspectos o direito de informar porque, em grande medida, o que se noticiava não se tratava nem mesmo de informação. O propósito era degradar, humilhar e ridicularizar Eike.

A Rede Globo transformou o Jornal Nacional numa espécie de Globo Repórter cujo protagonista era o “ex-bilionário” (escrachado na manchete da Veja). Algo como: conheça Eike Batista, seus hábitos, o que comia e o que passará a comer na cadeia, sua mansão e o beliche que passará a ocupar em Bangu 9, entre outras “informações” imprecisas e sem qualquer importância.

Como não poderia ser diferente, qualquer coisa que pudesse parecer suspeita passou, imediatamente, a ser ilegal (como a rápida transferência de um centro de triagem para um presídio). Antes disso, na volta ao Brasil, a Globo não deixou Eike Batista quieto nem no avião. Vídeos dele dormindo, o que jantou na aeronave e até mesmo se tem problemas para dormir (considerando que Eike seria preso no dia seguinte) o repórter atreveu-se a perguntar!!! Fotos, matérias de como seria a vida dele na prisão, sua trajetória, o que havia almoçado na cadeia, qual será seu café da manhã entre outras dezenas de informações completamente irrelevantes até mesmo para telespectadores dos programas sensacionalistas como o Datena ou leitores de revistas de fofocas foram repetidas em todos os telejornais.

Promotores foram entrevistados e por óbvio, nenhuma pergunta era formulada se a resposta pudesse ser benéfica ao empresário – as perguntas, em regra, eram precedidas de afirmações sem comprovação, mas que tornavam a resposta ao questionamento óbvia ululante. Para citar um exemplo didático disse a repórter: “Dr. Promotor, ano passado 3 celulares foram apreendidos em Bangu 9. O Sr. acha que é possível que Eike tenha acesso a celulares ou que tenha alguma regalia? – O promotor vibrava ao responder que sim sugerindo que Eike deveria estar num presidio como o de Catanduvas.

Corrupção é crime e se Eike realmente praticou qualquer ilícito deve por isso ser punido. Mas Eike Batista não é diferente de muitos que já estão presos e, ao que tudo indica, é menos criminoso que muitos políticos já flagrados na Lava-Jato.

Punição (se condenado) sim, escracho e humilhação jamais. Imbecis estavam felizes especificamente por que um acusado de corrupção foi preso? Claro que não. Estavam felizes porque era o Eike.

Duas conclusões: o recalque e a inveja da mídia e da população não tem limite e por fim, Eike já foi condenado mesmo sem que exista sequer processo contra ele. A “justiça” já foi feita pela mídia. Da minha parte, acho que o Brasil está mudando e vai melhorar. No entanto, não vejo nada de diferente na prisão do Eike e ficaria muito mais feliz se tivessem prendido e punido com pena de morte todos os pedófilos do Brasil, mas isso não dá Ibope e acho que não seria sequer notícia…

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A eleição de Donald Trump e a Democracia – “Trump bless America”

Amanhã toma posse Donald Trump, o 45o presidente Americano. Muita especulação e todo o tipo de imbecilidade eu li desde que Trump, mesmo com menos votos populares, sagrou-se vencedor da eleição. Hillary Clinton é verdade, fez mais votos do que Trump, mas o voto popular não basta para ganhar nos Estados Unidos. Lá, é necessário obter a maioria de votos dos delegados de todos os 50 estados americanos. Mas isso não é novidade, Al Gore, em 2000, fez mais votos que George W. Bush e, assim como ocorreu com Trump, Bush foi eleito presidente.

Eu, particularmente, tenho especial simpatia com o sistema adotado pelos EUA, aliás, acho que a democracia é exercida em maior amplitude e, sobretudo, justiça com a existência de um Colégio Eleitoral. Ora, dirão alguns, isso é o mesmo que debochar da democracia! Não é não. E explico as razões senhores.

Se existisse aqui um Colégio Eleitoral, a campanha teria que ser nacional. Os candidatos deveriam preocupar-se com os problemas de todos os estados da federação e não apenas com os estados mais populosos como São Paulo e Minas Gerais por exemplo. Cá entre nós, alguém é capaz de lembrar alguma proposta de candidato para melhorar a vida de quem vive no Acre, no Amapá ou em Sergipe? A resposta é negativa porque a densidade eleitoral nestes estados é muito pequena. Noutras palavras, ninguém está nem aí pra eles – afinal, eles não decidem nada.

Ironicamente, um sistema de voto popular seria mais antidemocrático do que o Colégio eleitoral porque iria marginalizar os eleitores de fora dos grandes centros populacionais.

Pausa: anoto que no caso do colégio eleitoral a derrota no voto popular faz com que o voto de todos os delegados daquele estado seja destinado a um ÚNICO candidato. Assim, se existisse um Colégio eleitoral, toda essa gente passaria a ter voz. A democracia venceria ou não? Mas existem outros argumentos.

Essa palhaçada representada pela escancarada compra e venda de tempo de televisão e a negociação de cargos para representantes de partidos nanicos estaria eliminada. Estaria decretado o fim das tão prejudiciais coligações. Oportunistas seriam eliminados, desta forma, do pleito. A eleição ficaria concentrada em 2 ou no máximo 3 candidatos com pontos de vistas por vezes divergentes mas, em regra, com propostas sérias e exequíveis. Os debates serviriam para alguma coisa e o fim do “segundo turno” ajudaria o tornar a eleição mais rápida em todo o país.

Todo o procedimento de votação poderia ser revisto. A votação poderia ser autorizada com muita antecedência e não num único e específico dia e poderíamos, eu acho, testar um sistema que não utilize a urna eletrônica. Não pretendo polemizar sobre o tema “urna eletrônica”, mas não são poucos meus amigos que dizem acreditar que esse sistema seja uma fraude ou, como relatam os mais cometidos, “possível de ser fraudado”.

Encerro desejando sorte ao Trump. Competência (no setor privado e para chegar até a Casa Branca) ele já mostrou que tem de sobra.

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UM BRINDE AOS CHATOS!!!

Nunca fui de muita frescura. Frequento lugares da A a Z (os com Z eu simpatizo bem). No entanto, tenho constantemente sido alvo deles. Deles quem? Dos eternos chatos de plantão. Não pense que se escolher horário, lugar, cidade, país, você está livres deles. Não está.

O chato tem características facílimas de serem flagradas. Ele é puxa-saco, finge te conhecer melhor que a tua própria mãe ou familiar, comporta-se como um parasita – e o mais incrível, está em todos os lugares – quando você comentou: graças a deus aquele chato foi embora. Não, ele não foi. Está no banheiro ou mesmo atrás de você.

O chato não se resume a puxar conversa sem o menor sentido e em lugares onde o que se pretende é dar risada. Ele é inconveniente e se você for um daqueles que pula a cerca matrimonial, o chato vai dar um jeito de tocar nesse tema para em seguida te complicar a ponto de quem sabe, acabar com seu casamento. Diria o chato: “quem era aquela morena que você conversou no churrasco?” Dois problemas: 1) você jurou que nesse churrasco mulher não entraria e o pior 2) foi específico ao mencionar uma morena. Pergunto: que mulher já não teve ciúme de uma morena? Mesmo que tenha sido em 1965, era uma morena. E para as mulheres, certamente essa é a mesma do passado.

Os chatos sabem tudo sobre todos os assuntos. Futebol, mulher, cerveja, economia, filosofia, jogo de bicho, clarividência, gastronomia e são conspiradores. Tiveram acesso aos mais bem guardados segredos da história da humanidade. Sabem quem matou Kenedy. Afirmam que o Homem jamais chegou na Lua.  E, por fim, chutam como ninguém, chegando ao ponto da mitomania – depois de um tempo, acreditam na própria mentira. Se fossem políticos, Cascavel teria ultrapassado Dubai. Tudo na cidade está errado, o prefeito é ladrão ou burro, mas se você analisar o que o chato efetivamente fez para comprovar essa anunciada competência? Em regra, nada. Jamais administraram uma empresa ou se administraram, ela faliu. Mas o burro é o prefeito…

Imaginem que você está num bar e o chato chegou de gravata. É ele advogado. E chegou sozinho porque, claro, ninguém arrisca sentar na mesma mesa que ele  e pior, ter que ir pra casa de carona com o cidadão. Em regra, esses chatos sabem tudo mas não conseguiram sequer vencer a eleição para vereador. Digo mais, perderam até para sub-sindico. Aí sempre tem aquele otimista que diz: “não, isso é uma fase. Ele vai melhorar”. Vai nada. Quem nasce chato morre chato ou morre mais chato do que nasceu.

Eu mesmo não tenho nada contra essa turma, desde que a chatice deles não me atinja. Ou seja, se você acha que se parece com um chato, só um favor, mantenha distância. Quem sabe eu mesmo seja um chato e alguém pode estar escrevendo isso de mim agora. Aliás, sim, admito, eu sou um chato mas meus amigos já se acostumaram com minha chatice.

Este texto teve a colaboração do Seco (chato como eu cujo nome ele pediu para  ser divulgado tamanha a repercussão e relevância do que já fez pela humanidade).

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DUCA – A HISTÓRIA DE UM VERDADEIRO CAMPEÃO

Decidi escrever esse texto para, mais uma vez e em mais um veículo de comunicação de massa, homenagear meu primo Eduardo de Castro Filho, o Duca. Além da merecida homenagem, pretendo tentar diminuir a dor que todos da família estão sentindo.

Não irei tratar do acidente porque acho que de acidente não se tratou. Acredito que tenho sido realmente um assassinato. Choramos hoje pela irresponsabilidade, pela ganância de um cidadão e pela incompetência de um governo. Ao invés de chegar na casa do meu Tio Fico e dar as risadas que demos juntos com o Duca nossa vida inteira, tive que abraça-lo na tentativa de aliviar a dor que sentia. A dor, aliás, que todos nós estamos sentindo!!!

Mas voltando ao Duca, nada, mais nada mesmo na vida dele foi fácil. O mesmo Deus que lhe presenteou com um talento inigualável com a bola, também colocou muitos obstáculos em sua vida. Mas ele jamais desistiu. Foi superando cada dificuldade sempre com um sorriso no rosto e ajudando a todos que podia.

Quando seu pai, meu Tio Eduardo Fico de Castro, teve um duplo AVC, Duca mobilizou todo um corpo médico. Fez todos rezarem para que seu pai escapasse com saúde. Adivinhem? Conseguiu. Contrariando toda a literatura médica e as estatísticas, meu Tio saiu praticamente ileso do ocorrido.

Como jogador, eu lembro porque foi o próprio Duca quem me disse, o momento mais emocionante da sua vida ocorreu no Maracanã. Ao lado de Ronaldo Fenômeno, Duca vestiu a camisa 10 da seleção sub 20 do Brasil e, com o estádio lotado, foi aplaudido no final do jogo pela torcida.

Como assistente técnico eu presumo, atingiu o ápice quando conseguiu a classificação para disputar a final da Sul-americana. Duca e todos da Chapecoense tornaram-se os heróis da Arena Condá. Os heróis de Chapecó e claro, mais aplausos.

Mas o que ocorreu com a Chapecoense foi muito mais além. O time de Chapecó tornou-se o segundo time no coração de todos os brasileiros. Assim como nunca conheci quem não gostasse do Duca, também não conheci quem não gostasse da “Chape”.

As imagens veiculadas durante toda a semana falam mais do que qualquer palavra que eu possa dizer. Duca não jogou no Barcelona nem no Real Madrid, mas foi homenageado por eles. Duca tampouco fez um gol na Colômbia, mas conseguiu os aplausos de um estádio e de todo um país.

Tenho a certeza de que o Duca está no Céu e feliz da vida assistindo tudo isso. Tio Fico, Tia Ica e Bella, o mundo hoje aplaude o Duca. É um caso único de campeão por aqui e agora no Céu. Fica com Deus meu primo. Como diz a música imortalizada na voz de Milton Nascimento: “qualquer dia a gente vai se encontrar”…

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Duca, É UM A HONRA SER SEU PRIMO!!!

Dizem que Deus convoca antecipadamente para o céu as melhores pessoas daqui do planeta. Até esses dias eu não acreditava nisso. Em verdade eu achava uma grande bobagem. No entanto, pelo que aconteceu com a nossa família faz pouco mais de 2 anos e agora, com o Duca, sou obrigado a dizer que isso é verdade. Aliás, é esta a única explicação possível para tentar explicar o que parece inexplicável.
Em toda minha vida não conheci ninguém que do Duca não gostasse. Tampouco conheci alguém que o Duca deixou de ajudar. Nunca vi um filho como ele. Duca é uma das melhores pessoas que conheci – por isso é tão difícil de aceitar sua partida. Em todos os piores momentos da minha vida, Eduardo De Castro Fico, pai do Duca, esteve ao meu lado.
Numa retrospectiva, quando era criança Duca parecia ter nascido para o futebol. Tinha com a bola uma intimidade ímpar. Jogou na seleção juvenil ao lado do Ronaldo Fenômeno. Foi camisa 10 e artilheiro do Flamengo com 16 anos. Tinha tudo para entrar para a história como jogador. Por uma sucessão de fatalidades isso acabou não acontecendo. Para liquidar de vez com o sonho de ser jogador, Duca teve um problema na coluna que o obrigou a passar por um procedimento cirúrgico e abandonar os gramados.
Mas ele não desistiu. Decidiu que seria treinador. E pra isso foi se preparar. Formou-se em Educação Física, fez cursos e estava muito próximo de conseguir seu primeiro título. Quando tudo parecia encaminhado, outra e última fatalidade. Eu perdi um primo. Um grande amigo. Tio Fico e Tia Ica perderam seu filho. Não posso imaginar a dor que eles estejam sentindo, mas posso dizer Tio e Tia, enquanto esteve por aqui Duca foi e continua sendo motivo de orgulho. Isabella De Castro Paulin lembre sempre disso: seu irmão foi um exemplo. E desse Duca jamais iremos esquecer!!!

 

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